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História da imprensa paraisense - Parte 2
Por: Redação | Categoria: Arquivo | 13-03-2017 00:00 | 732
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Luiz Carlos Pais



 



Na história da imprensa em São Sebastião do Paraíso, MG, após a publicação de O Paraisense, em 1905, dirigido pelo professor Gedor Silveira e do jornal O Minas do Sul, dirigido por João Afonso Maciel, foi lançado, em 1911, O Libertas, dirigido pelo advogado Dr. José de Souza Soares. Formado em ciências jurídicas pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco de São Paulo, José de Souza Soares colou grau em 4 de dezembro de 1909. No ano seguinte, iniciou carreira de advogado, atuando não somente na comarca local, como em outras cidades. Em 1938, por exemplo, atuou junto ao Departamento Nacional de Educação, no Rio de Janeiro, em defesa dos interesses da Escola de Farmácia e Odontologia de São Sebastião do Paraíso.



Assim que lançou O Libertas, o eloquente advogado e escritor iniciou carreira política. Eleito vereador, ocupou o cargo de vice-presidente da câmara municipal, e não mediu esforços para que a municipalidade adquirisse o Ginásio Paraisense, fundado pelo padre Aristides Aristodemus Benatti. Com vasta formação cultural e literária, José de Souza Soares exerceu o jornalismo por vários anos, iniciando com a publicação do referido periódico cujo título ficou na história da imprensa regional.



Entre os primeiros redatores de O Libertas estava José Aristeu de Castro, que graduou-se, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, assim como o advogado Manuel Marcelino de Oliveira. Sobre a atuação dos referidos redatores, Souza Soares registrou, em seu livro publicado em 1945, que o empenho de todos os colaboradores do jornal muito contribuiu para sustentar com "probidade e lisura várias campanhas políticas e sociais em favor do desenvolvimento cultural da cidade". Fato consolidado na memória social, o empenho de sua atuação para difundir as luzes da cultura e da educação.



Após ter sido eleito suplente de deputado estadual na Assembleia Legislativa Mineira, assumiu curto mandato e teve seu nome cogitado para disputar uma vaga na Câmara Federal, na eleição de 1921. Em 19 de fevereiro desse mesmo ano, o jornal paulistano O Combate publicou uma ampla reportagem sobre as eleições nacionais realizadas naquele contexto, na qual consta a atuação do deputado Dr. José de Souza Soares. Nesse sentido, transcrevemos a íntegra desse fragmento da história local:



"A chapa completa em Minas. Minas situacionista apresentou candidatos para os 37 lugares da representação na Câmara e para o terço do Senado. Havia seis avulsos: os atuais não incluídos na chapa, senhores Herculano Cesar, Américo Lopes, Silveira Brum, Odilon de Andrade e Edgard da Cunha, respectivamente, pelos 1º, 2º, 3º, 4º e 7º distritos, assim como o Dr. José de Souza Soares. (...) que se apresentava pelo 6º distrito, acaba de desistir da sua candidatura, mediante acordo local na política de São Sebastião do Paraíso." [Fonte. O Combate. São Paulo, 19 de fevereiro de 1921]



Ainda na década de 1920, DR. Souza Soares persistiu na sua firme atuação na imprensa de São Sebastião do Paraíso, quer seja como diretor e colaborador de outros importantes periódicos, cujos traços históricos estamos empenhados em reunir com o único propósito de preserva essa importante vertente da memória cultural da cidade.