CONTRA A PEC

Cerca de duas mil pessoas fazem manifesto contra reforma da previd

Por: Redação | Categoria: Arquivo | 15-03-2017 00:00 | 3347
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Segundo a Polícia Militar de São Sebastião do Paraíso cerca de duas mil pessoas fizeram manifestação na quarta-feira, (15/3), contra a PEC (Proposta der Emenda Constitucional) 287, a que prevê ampla reforma da previdência, elaborada pelo governo federal e que tem votação marcada no Congresso no próximo dia 28. A manifestação em Paraíso acompanhou as mobilizações que aconteceram em todo o país.



O manifesto foi realizado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sempre), com apoio do Sindicato Único dos Trabalhadores  da Educação de Minas Gerais (Sind UTE), com presença de vereadores, de servidores públicos, pessoal da Educação das redes municipal e estadual, estudantes e comunidade. A Polícia Militar deu o suporte no controle do trânsito e logística da caminhada.



O início foi na Praça da Abadia, com caminhão de som, discursos de dirigentes sindicais e estudantis. Depois percorreu a avenida Angelo Calafiori e a rua Pimenta de Pádua até a Praça Comendador José Honório (Praça da Matriz), onde aconteceu nova concentração.



Durante o trajeto, os estudantes distribuíram à população panfleto elaborado pelo SindUTE com os principais pontos que muitas categorias de trabalhadores estão contra e convidaram a todos a cobrar dos deputados da região que votem contra a reforma.



Os manifestantes fizeram parada em frente ao edifício onde reside o deputado federal Carlos Melles e sua família e enviaram diversas mensagens ao parlamentar, questionando-o se ele votará contra ou a favor da PEC 287 e pedindo que vote contra. Ao chegarem à Praça da Matriz, líderes estudantis aproveitaram o momento para explicar o conteúdo da reforma.



A presidente do Sempre, Maria Rejane Tenório Araújo Santos, disse que é preciso desmistificar a política. "Estamos evitando nomes de partidos políticos em nossas falas porque não estamos fazendo politicagem. Porém, falar de política é necessário porque é por meio dela que estão fazendo o desmonte da previdência com essa reforma.



Vamos cobrar dos deputados, senadores e do presidente Temer, que se aposentou aos 55 anos. Estamos lutando por nossos jovens. Todos serão afetados com essa reforma, menos políticos e a elite brasileira. As grandes empresas são as maiores devedoras da previdência, então que cobrem de quem a roubou. Nós mulheres seremos prejudicadas duplamente e teremos no futuro um aumento de pedintes e da criminalidade. Quem pensou nessa emenda é demoníaco, pois pensou em detalhes de crueldade para atingir o povo brasileiro. Faremos de tudo para isso seja barrado", disse a presidente em seu discurso.



Todos que usaram o microfone conclamaram às outras categorias para que fizessem adesão ao movimento e convidaram lojistas a fecharem os estabelecimentos comerciais para se juntarem à passeata.



Representando os professores, o professor de filosofia Cezar Cardoso de Souza Neto, disse que esta é uma das categorias mais desvalorizadas. "Na hora que mais necessitamos, que é na velhice, nossos proventos serão cortados. Esse desmonte da previdência social afronta a todos os brasileiro, principalmente aos professores que oferecem tanto e recebem tão pouco. O grande prejudicado será o jovem, por isso devemos nos unir e dizer "não" a esse projeto de desmonte, independente de condição partidária", disse o professor.



 



Os principais pontos criticados da PEC 287



 



O SindUTE distribuiu panfleto com os principais pontos que criticam na reforma previdenciárias. São eles, na íntegra, segundo o sindicato:



- "Aumenta a idade mínima para o trabalhador se aposentar para 65 anos (com 100% da média do salário de contribuição) e o tempo de contribuição para 49 anos. "Como quase ninguém consegue entrar no mercado de trabalho com 16 anos, será praticamente impossível entrar com aposentadoria integral aos 65 anos, idade que é a expectativa média de vida em muitos estados brasileiros", explicam os manifestantes.



- Iguala a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, desconsiderando que as mulheres enfrentam jornada dupla, no trabalho e em casa.



- Prejudica universitários que estão fora do mercado de trabalho, pois até se formarem, para completar o tempo de contribuição, terão que trabalhar além dos 70 anos.



- Altera o benefício especial dos aposentados rurais, que já são sacrificados com a natureza penosa do trabalho deles.



Pode prejudicar cidades pequenas do interior, cuja a base da economia são os benefícios previdenciários".