POLE POSITION

Novo Dick Vigarista?

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 30-06-2017 00:07 | 257
Momento em que Vettel bate involuntariamente na traseira de Hamilton e depois revida, aí sim, batendo de propósito no adversário
Momento em que Vettel bate involuntariamente na traseira de Hamilton e depois revida, aí sim, batendo de propósito no adversário Foto de Reprodução TV

Quando a gente fala em “alemão da Ferrari”, ainda está muito vivo na memória os tempos de Michael Schumacher pilotando os carros vermelhos da Scuderia. Foi um período de glórias para o piloto alemão que conquistou na Ferrari cinco de seus sete títulos mundiais. Um piloto excepcional cujos números falam por si. Mas foi também uma época em que ele colecionou algumas manobras desnecessárias, como jogar o carro pra cima de Jacques Villeneuve na decisão de 97 – quase um repeteco do que havia feito nos tempos de Benetton, com Damon Hill, na decisão de 94 – que o levou a ser taxado por muitos como “Dick Vigarista”, personagem perverso do desenho animado, “Corrida Maluca”.
Claro que o talento de Schumacher, acima da média, diga-se, se sobrepôs a esses episódios, mas que no fundo não deixaram de manchar sua carreira. Uma cicatriz que o alemão que hoje se recupera de um trágico acidente numa estação de esqui, na França, no final de 2013, carregará para sempre em seu currículo. 
Por ironia, domingo passado, outro alemão da Ferrari, não menos talentoso, Sebastian Vettel, tetracampeão mundial em 2010/11/12/13 pela Red Bull, desde 2015 na escuderia italiana, acertou involuntariamente a traseira da Mercedes de Lewis Hamilton, e de cabeça quente, acreditando que o piloto inglês havia provocado o chamado “break test” (frear repentinamente para induzir ao erro quem vem atrás), revidou com uma batida, agora sim, proposital e desnecessária com sua roda dianteira direita na dianteira esquerda da Mercedes. Por sorte nenhum dos dois carros sofreram avarias, mas foi algo condenável. Uma atitude antiesportiva que seria inadmissível a um piloto novato, quanto mais um tetracampeão.
Vale ressaltar que nos momentos que antecedem a relargada depois que o Safety Car sinaliza que vai deixar a pista, como na volta 20 do GP do Azerbaijão, depois que a Toro Rosso, de Daniil Kvyat, parada em local perigoso, foi retirada da pista, é o líder da prova (no caso, Hamilton) quem dita o ritmo do pelotão. E todos os pilotos, sem exceção, fazem o que Hamilton fez: acelera, freia, acelera – neste caso nem houve freada, e sim redução de velocidade –, seja para aquecer os freios e os pneus, seja para impedir o ataque de quem vem atrás. É estratégia, é quase uma regra. Não há o que contestar.
E vale lembrar ainda que antes do ocorrido, Hamilton reclamava pelo rádio que a lentidão do Safety Car – por causa das características do Circuito de rua de Baku não ser favorável para que o carro de segurança andasse mais depressa – fazia com seus pneus e freios perdessem temperatura. 
Hamilton não fez nada de errado. Vettel sim, e repito o que escrevi em meu perfil no Facebook depois da corrida, que Vettel merecia ser excluído da prova com bandeira preta (desclassificação). Os 10 segundos de stop and go que recebeu (ficar parado nos boxes) e mais três pontos na superlicença, uma espécie de carteira de motorista do piloto – ele já tem 9 e caso receba mais 3 na próxima corrida, terá que cumprir uma corrida de suspensão – saiu barato para o alemão, principalmente porque Hamilton foi obrigado a fazer uma parada extra nos boxes para reparar a proteção lateral do cockpit de seu carro que ameaçada se soltar, e com isso terminou a prova em 5º, uma posição atrás de Vettel que assim ampliou de 12 para 14 pontos sua vantagem no campeonato (153 a 139).  
A cordialidade que até aqui vinha sendo a tônica do respeito mutuo entre os dois deu lugar a uma rivalidade que pode fugir do controle emocional. E nisso, tanto um como o outro, sempre foram sensíveis emocionalmente. Para Vettel, é bom que pense duas vezes antes de agir em momentos de cabeça quente para que não se torne um novo “Dick Vigarista” no conceito de muitos na Fórmula 1.




CORRIDA DO MILHÃO
O Autódromo de Curitiba recebe pela primeira vez a prova mais aguardada da Stock Car, a mais importante do calendário, a “Corrida do Milhão”. Esta será a 9ª edição da prova que já teve Valdeno Brito, Thiago Camilo (3 vezes), Ricardo Maurico, Ricardo Zonta, Rubens Barrichello e Felipe Fraga vencedores. O vencedor leva R$ 1 milhão como prêmio. O JS está em Curitiba e acompanha in loco a Corrida do Milhão que terá a largada, amanhã, às 10h30, e você pode acompanhar nossa cobertura no site do jornal: www.jornal dosudoeste.com.br