Empresário nega estar poluindo o meio ambiente

Por: Redação | Categoria: Arquivo | 01-09-2002 00:00 | 544
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Diretores da Gonçalves Salles, de São Sebastião do Paraíso, entenderam como equivocada a sentença do juiz de direito, Rinaldo Kennedy Silva, da 1.ª Vara da Comarca, ao considerá-la como poluidora do meio ambiente. Recentemente o juiz acatou denúncia do Ministério Público, como curador do meio-ambiente, e incluiu a Gonçalves Salles (laticínios) e quatro curtumes como poluidores dos córregos Godinho, Matadouro, Pilares e Liso. Ao Jornal do Sudoeste, Geraldo Alvarenga Resende, diretor da empresa, demonstrou licença de operação emitido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e resultados de análises físico-químicas assinado por técnicos da Unicamp, relativo a análises na estação de tratamento de efluente da indústria.
Geraldo Alvarenga explica que antes mesmo do Ministério Público ter ingressado em juízo com a denúncia, a Gonçalves Salles já havia colocado em funcionamento a estação de tratamento de efluentes, isso há quase dez anos, e com um custo superior a duzentos mil dólares. 
O diretor enfatiza que sua empresa, com mais de oitenta nos de existência, sempre teve posições claras quanto à preservação ambiental. "Prova disso foi ter construído a estação de tratamento bem antes do Ministério Público ingressar com a denúncia", sendo um espelho para que o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Minas Gerais - Silemg, desenvolvesse outros projetos de ETEs.
Além de licenças de operação emitidas pelo Conselho Estadual de Política Am-biental - Copam, e pela Fundação Estadual do Meio Ambiente - Feam, a Gonçalves Salles submete amostras de sua estação de tratamento à análises periódicas, via de regra no laboratório da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. 
Laudos assinados pelos tecnólogos em saneamento, Geraldo Dragoni Sobrinho e Josiane A. de Souza Vendemiatti, do Centro Superior de Educação Tecnológica - CESET, comparam o material a ser analisado na entrada (composta), e na saída, no que se refere aos teores de óleos e graxas, sólidos e demanda química do oxigênio. Em todos os casos, a eficácia do tratamento tem sido comprovado, explica Geraldo Alvarenga, demonstrando os laudos.
Para reforçar o argumento de que sua empresa não é poluidora, cita que os laticínios Aviação são exportados para o Japão, e uma das exigências dos compradores de primeiro mundo, é que o fabricante demonstre a qualidade do produto e que também a indústria seja ecologicamente perfeita. "Temos o Certificado de Inspeção Federal - CIF Internacional desde 1996", disse.
Em sua sentença, o juiz Rinaldo Kennedy estabelece um prazo de seis meses para as empresas denunciadas pelo Ministério Público procederem adequações, de acordo com as exigências do Copam. Condenou-as a "promoverem em conjunto" a recuperação das águas dos córregos poluídos, num prazo de dois anos.
A respeito, o diretor da Gonçalves Salles garante que os efluentes de sua indústria estão dentro dos padrões estabelecidos pelos órgãos fiscalizadores. No entanto, são canalizados na mesma rede do esgoto público, lembrando que o mesmo não é tratado. Nesse caso, Geraldo Alvarenga conclui ser uma incoerência atribuir à sua indústria a poluição das águas