Em dez meses combustível teve 23,5% de reajuste em Paraíso

Por: Redação | Categoria: Arquivo | 10-11-2002 00:00 | 419
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"Como comecei agora, ainda não fiz nada. Não sei o que devo fazer. Realizamos uma reunião com todos os taxistas da cidade, para conversar sobre um aumento de tarifa, mas no momento não temos resultados, e se aumentar o valor, vou perder freguês. O jeito é aguardar para ver o que acontece. Se tiver mais um aumento no preço do combustível, terei que parar, pois não tenho condições de sustentar o carro e ganhar dinheiro. A única saída é usar o carro a álcool, mas parece que esse combustível subiu muito mais que a gasolina".

"O dia em que caem um pouco as vendas, coloco apenas um carro de entrega na rua, ao invés dos três que possuo. O que mais dá resultado, é acumular pedidos aproveitando para fazer várias entregas em um único percurso. Porém, o que atrapalha é que a maioria das pessoas quer a entrega imediatamente. A situação é muito difícil e complicada. Vendo água a R$3 há cinco anos e nesse meio de tempo não houve nenhum reajuste. Em compensação, o combustível está sempre mudando de preço, o álcool por exemplo, já está a R$1,27 litro".

"Devido ao aumento do preço do combustível, tive que reduzir as entregas de salgados, priorizando os pedidos que ultrapassam a 100 unidades. Ainda assim, a situação continua difícil, e infelizmente não há muito que se possa fazer para solucionar".

"Passei a andar menos de carro, agora só o uso em caso de necessidade, por isso passei a andar mais à pé. O que é muito bom para a saúde e melhor ainda para o bolso".

No dia 27 de janeiro de 2002, a gasolina comum comercializada em São Sebastião do Paraíso custava R$1,59 o litro. Já o álcool permanecia fixo na quantia de R$1,13. Quase dez meses depois, a pesquisa realizada pelo Procon no dia 05 de novembro, constatou o aumento significativo para R$1,96 o litro de gasolina, tendo como reajuste 23,5% se comparado a janeiro, e R$1,25 o litro de álcool, o que resulta em 11% de acréscimo. Ainda assim, os novos preços mencionados acima são dos postos que oferecem os menores valores. Com diversas explicações e rápidos reajustes, a situação não tem agradado a população paraisense. 
Segundo a proprietária de um posto da cidade, Vera Lúcia Castro, o reajuste está dentro dos padrões impostos pelo governo, porém não é lucrativo para os comerciantes de combustíveis. "O povo está sem dinheiro, a cidade está pobre. A primeira coisa que se faz quando não tem condições é cortar gastos supérfluos, e isso inclui o carro, que passa a ficar mais na garagem enquanto o dono prefere andar a pé. Embora seja muito difícil, eu espero que os preços tenham uma queda ou pelo menos não aumentem mais, porque para mim, particularmente, quanto mais barato melhor, já que a procura aumentará," opina.
A justificativa do aumento mais comentada nos postos de Paraíso é a cotação do dólar. Apesar de o País possuir matéria-prima suficiente para a produção nacional, o fator que determina o preço ao consumidor é a industrialização realizada no exterior. Conforme afirmou um funcionário de posto de Paraíso, o aumento dos preços teve como finalidade "compensar a variação do câmbio, igualando-se assim aos preços internacionais do petróleo".
Em pesquisa realizada pelo Jornal do Sudoeste nas cidades da região, constatou-se que os preços praticados em cidades paulistas como Ribeirão Preto e Franca, são inferiores aos cobrados em Paraíso. Elezângela de Oliveira