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22 de agosto de 1976 - Silêncio que grita -

Por: Redação | Categoria: Do leitor | 26-08-2018 22:30 | 146
Foto de Reprodução

Álvaro Neto

Ao escrever este texto, não busco exaltar um político e, muito menos, seu plano de governo ousado. Venho em busca de justiça histórica e de propagação da admiração por um verdadeiro democrata. Juscelino Kubistchek de Oliveira foi assassinado por ser apaixonado, como digno mineiro, pela Liberdade. Mesmo antes de assumir ao cargo de Presidente, sofreu com pressões golpistas (apenas tomou posse por ato heróico do General Lott), mas, principalmente com o regime de exceção que se instalou poucos anos após seu governo, foi pisado. O eterno Presidente Bossa-Nova sempre jogou na carta da democracia, aliou-se ao seu maior crítico, Carlos Lacerda. Ambos foram presos. Ato contínuo, em 1964 teve seus direitos políticos cassados, pois obviamente seria eleito com esmagadora maioria em 1965. Exila-se voluntariamente. Sofre grandemente com a falta de seu Brasil.

Sempre que pisou em solo brasileiro foi humilhado, sendo convocado para depoimentos em inquéritos policiais militares, comparecia sorrindo. Foi impedido de comparecer à cerimônia de aniversário de 15 anos de Brasília, cidade que fundou. Seu retrato presidencial, pintado por Portinari, foi retirado do Museu da República, e até sua presença numa ‘gincana’ sobre a Construção de BSB no Colégio Pedro II foi vetada por forças do governo. O veto também se deu na sua candidatura à Academia Brasileira de Letras. Inúmeras foram as perseguições e humilhações.

Estava Juscelino em incontáveis episódios silenciosos e pacíficos em favor do resgate do regime democrático, mesmo com aqueles que não o apoiavam. Sem democracia, era um peixe-vivo fora da água fria. No fim da tarde de 22 de agosto de 1976, estava o Presidente na via Dutra, com seu motorista Geraldo, rumava ao Rio de Janeiro, a fim de costurar alianças para uma possível candidatura presidencial, a qual tinha nítido apoio popular. Ocorre o “acidente”, e o poder que naquele tempo reinava assim define a morte de JK para a história. A verdade deve ser ensinada nas escolas, pelo menos a versão do assassinado deve ser explanada. Justiça histórica, inspiração eterna. O silêncio sobre tal episódio grita.

Amemos a democracia, mesmo nestes sujos tempos em que nosso sistema político se encontra. Votemos com paixão, pois, para que nossa voz seja ouvida hoje, muitos foram pisados. Louvemos o diferente e proclamemos nossas crenças políticas com discursos fundamentados na verdade. Avante, Brasil, porque política é instrumento supremo das democracias, então, não a julguemos pelos ratos que nela se infiltram e que, com a politiza-ção de toda a sociedade, poderão ser extirpados.

***Para quem se interessar pela “outra versão”:
<https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/09/13/interna_cidadesdf,548369/professores-lancam-livro-em-homenagem-aos-114-anos-de-jk.shtml>
<https://istoe.com.br/338611_COMISSAO+D A+VERDADE+DE+S P+DECLARA+QUE+JUSC ELINO+KUBITSCHE K+FOI+ASSAS SINADO+P ELA + DITADURA+MILITAR/>
<https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/12/13/interna_politica,924391/jk-foi-morto-por-provavel-atentado-diz-comissao-da-verdade-de-minas.shtm