LITERATURA PARAISENSE:

Edmée Amaral Dias Gonçalves - Parte 1

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 20-09-2018 15:58 | 327
Poetisa Edmée Amaral Dias Gonçalves  (1915 - 2003)
Poetisa Edmée Amaral Dias Gonçalves (1915 - 2003) Foto de Reprodução

Natural de Goianases, distrito que pertenceu ao município de São Sebastião do Paraíso, no Sudoeste Mineiro, Edmée Amaral Dias nasceu em 8 de outubro de 1915. Filha de Mariana Campos Amaral Dias, natural de Paraty, Estado do Rio de Janeiro, e do fazendeiro João Antônio Dias. Sua mãe era irmã do deputado José Luiz Campos do Amaral Júnior, cujo nome está na história política e social da cidade. Foi alfabetizada por sua própria mãe, em lições domésticas que despertaram sua sensibilidade poética, assim como de seu irmão Gabriel Amaral Dias e de sua irmã Adelina Amaral Garcia.

Estudou no Colégio Paula Frassinetti, de São Sebastião do Paraíso, onde concluiu o curso normal, em meados da década de 1930, período em que aprimorou sua vocação poética e despertou sua habilidade como engajada mestra de primeiras letras. Na mesma época, dirigiu um jornal escolar, escrito pelas estudantes do referido colégio, sob sua liderança e entusiasmo cultural. Após receber o diploma de professora, em 1936, exerceu o magistério na vizinha cidade de Arceburgo, antes de residir em Belo Horizonte, onde fez um Curso de Especialização em Administração Escolar.

Retornou a Paraíso, em 1942, para exercer o cargo de orientadora no Grupo Escolar Coronel José Cândido. Posteriormente, aceitou transferência para a cidade de Pouso Alegre, Sul de Minas, onde foi diretora do Grupo Escolar Mons. José Paulino. Pela relevante atuação nessa escola, recebeu um elogio formal enviado por Noraldino Lima, quando esse ilustre poeta e político paraisense exerceu o cargo de Secretário de Educação de Minas Gerais. Na continuidade de sua carreira, em 1952, assumiu a direção de um Grupo Escolar de Guaxupé, onde atuou por seis anos.

Em 1958, solicitou transferência para Paraíso, para ficar mais próxima de sua idosa mãe, quando assumiu então a direção do Grupo Escolar Noraldino Lima, cargo que exerceu até se aposentar. Foi nessa época que tive a oportunidade de conhecer a elegante e cuidadosa diretora do referido grupo, onde eu e minhas irmãs, Joster e Marene, cursamos todo o ensino primário. Entre várias outras contribuições para a educação local, a ilustre professora se empenhou para concretizar a criação do Grupo Escolar Ana Cândida de Figueiredo, assim como do Curso Complementar que funcionou anexo ao Ginásio Industrial, na fase que precedeu à fusão dos antigos cursos primário e ginasial, para a implantação do ensino de primeiro grau de oito anos. Para rememorar apenas um fragmento de sua vasta produção poética, transcrevemos um poema de sua autoria, publicado há 50 anos, no Diário do Povo, de Campinas, retratando a impressão que lhe causou quando conheceu essa importante cidade paulista.

Suaves Reminiscências

Edmée do Amaral

Foi outrora, nesta praça
o povo em aglomeração
veio assistir com orgulho
e a mais sadia emoção
a chegada destes Bondes
que marcavam com sucesso
o triunfo de Campinas
e o seu imenso progresso!
Quantos vivas, quantas palmas,
euforismo em profusão,
para os grandes - que conforto
pras crianças - distração!
Vestidinho de amarelo
em meneios provocantes,
lá vai ele pela trilha
tilintando ... tilintando
como um convite ao pedestre
que por ali vai passando.
E passando vão os anos,
mais de cinquenta talvez,
e o bonde tão desejado
passou a ser superado
para ficar no passado
como suave lembrança
de toda e qualquer criança,
moças cheias de ilusões
que encontraram no Bondinho
testemunho caladinho
de ternas recordações! ...
Assim, oh! Bonde querido,
num suspiro dolorido
que todo meu peito invade
sinto você já distante
nesta palavra tocante
que se transforma em saudade!