POLEPOSITION

Nome aos bois

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 23-09-2018 08:40 | 1169
Os Stroll, pai e filho, pivôs da saída  de Esteban Ocon da Force India
Os Stroll, pai e filho, pivôs da saída de Esteban Ocon da Force India Foto de AFP

De repente o mercado de pilotos da Fórmula 1 deu uma retorcida e tem gente boa ficando fora do grid do ano que vem, gente que merece entrar encontrando dificuldades por falta de equipes ou patrocinador que banque, e gente que trás dinheiro de mais e talento de menos, garantido.

Vamos aos fatos e aos nomes dos bois. Tudo começou com a quebradeira da Force India que foi salva da falência por um consórcio liderado por Lawrence Stroll, pai do piloto da Williams, Lance Stroll. O primeiro a sentir os efeitos dos investimentos que salvou a Force India que agora passou a se chamar “Racing Point Force India”, foi Esteban Ocon, piloto francês de notável talento que está perdendo sua vaga para Lance Stroll e dificilmente encontrará outra equipe, não por falta de talento, mas por questões políticas.

Ocon é piloto da academia da Mercedes. Tem a carreira gerida pelo chefe da escuderia alemã, Toto Wolff, que não abre mão do pupilo. É ai que a coisa se complicou para Ocon. Ainda há vagas interessantes em aberto como na Toro Rosso e na Haas, mas ambas rejeitaram o piloto porque sabem que quando Ocon estiver no ponto, a Mercedes o pegará de volta. “Não faz sentido prepará-lo para a Mercedes”, disse Helmut Marko, consultor da Red Bull que também toma decisões na equipe satélite, Toro Rosso. A mesma linha de pensamento tem os dirigentes da Haas que mantém parceria técnica com a Ferrari. Esse foi o motivo que também fechou as portas para Ocon na Renault e na McLaren com quem teve conversas adiantadas.

Como a Mercedes está fechada com Hamilton e Bottas, a única alternativa ainda viva para Ocon permanecer na Fórmula 1 é aceitar a condição de piloto reserva da Williams.

Não foi por outra razão, senão dar um carro melhor para o filho, que bilionário Lawrence Stroll investiu uma grana preta para salvar a Force India. O problema é que Lance Stroll é daqueles que ainda não mostrou a que veio. Não o vejo com potencial para ir longe na Fórmula 1. A imagem que passa é de garoto minado que só chegou aonde está por conta do dinheiro que o pai investe em sua carreira. E ainda que não bastasse, tem o nariz empinado.

Tudo bem que Lance Stroll obteve o único pódio da Williams no ano passado numa corrida que Felipe Massa venceria, no Azerbaijão, não fosse a quebra de suspensão. Mas muito do 3º lugar obtido pelo jovem canadense foi fruto de uma corrida caótica, aquela que entre outros lances, Vettel perdeu a cabeça e jogou o carro de propósito pra cima de Hamilton durante um período de safety car. Também é verdade que não dá para tirar muitas conclusões de quem pilota o sofrível FW41 da Williams. Mas existe uma máxima de que piloto que é bom mostra logo de cara, e Stroll não mostrou ainda o seu cartão de visita.

E por conta de pilotos endinheirados – outros bem amparados por patrocinadores, como Sergey Sirotkin, Marcus Ericsson, alguns talentos da melhor geração de pilotos da Fórmula 2 estão tendo dificuldades para entrar. George Russel, líder do campeonato e também piloto da academia da Mercedes, deve ficar com a vaga de Stroll na Williams por imposição da própria Mercedes que fornece motores para o time, mas vai depender do surgimento ou não de alguém que preencha a lacuna deixada pela família Stroll, já que a Williams também deixará de contar no ano que vem com o patrocínio da Martini. E cá entre nós, diante da crise atual, a Williams deve estar mais preocupada em encontrar alguém que traga dinheiro do que um piloto promissor como parece ser George Russell ou até mesmo Esteban Ocon.

Stock Car
Diferente da Fórmula 1 que a cada GP Lewis Hamilton amplia a vantagem sobre Sebastian Vettel (281 a 241), na Stock Car a diferença do líder, Daniel Serra para o novo vice-líder, Felipe Fraga, está caindo perigosamente (191 a 179). Apenas 12 pontos separam os dois pilotos e amanhã tem a rodada dupla no belo Circuito Velocittà, em Mogi Guaçu/SP, 9ª de 12 etapas do campeonato.