POLEPOSITION

Piloto em estado de graça

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 29-09-2018 09:59 | 414
Lewis Hamilton vive momento  de estado de graça na Fórmula 1
Lewis Hamilton vive momento de estado de graça na Fórmula 1 Foto de Florent Gooden / DPPI

O estilo de vida que Lewis Hamilton leva fora das pistas não condiz com o que ele faz num carro de Fórmula 1. Diferente da grande maioria dos pilotos que dormem cedo e passam a vida regrada para não perder o foco, Hamilton é baladeiro sem deixar que a diversão interfira no seu desempenho quando veste o macacão, luvas e capacete.

Claro que como simples mortal teve seus altos e baixos. Em determinado momento da carreira, entre idas e vindas com a ex-namorada, a cantora pop Nicole Scherzinger, e conflitos familiares com o pai, quase o fez entrar numa espiral negativa. Mas virada esta página, hoje ele está seguramente entre os cinco maiores pilotos de todos os tempos.

Quando chegou à Fórmula 1 em 2007 sem tomar conhecimento de Fernando Alonso que perdeu a cabeça ao ter que dividir as atenções da McLaren com o novato, ficou escrito que o jovem inglês, então com o rótulo de primeiro negro a competir na principal categoria do automobilismo era mesmo um piloto diferenciado como havia demonstrado nas categorias de base, e não por acaso, um fã declarado de Ayrton Senna.

Não foi exagero quando escrevi dias atrás que Hamilton me faz lembrar Ayrton Senna (tirando as baladas, claro). Hamilton vive um momento de estado de graça na carreira, assim como Senna viveu em 93. Mesmo dispondo de um carro inferior, o inglês está massacrando Vettel. Sua capacidade fica mais evidente quando se observa o outro piloto da Mercedes, Valtteri Bottas, que ainda não venceu nesta temporada e está na quarta posição do campeonato com 110 pontos a menos que o companheiro de equipe (281 a 171).

Agora dá para entender melhor o motivo que levou Nico Rosberg anunciar a aposentadoria precoce cinco dias depois de vencer campeonato de 2016 por conta do desgaste absurdo a que foi submetido para derrotar Hamilton e reconhecer que dificilmente conseguiria repetir o feito.

Três momentos recentes desta temporada vão eternizar a carreira de Lewis Hamilton: as espetaculares pole positions na Bélgica e Singapura, e a vitória em Monza, no GP da Itália, desbancando o favoritismo absoluto da Ferrari.

A Fórmula 1 disputa neste final de semana a 16ª etapa do Mundial em Sochi, num cenário estatisticamente desfavorável à Ferrari e Vettel. Dos quatro GPs disputados na cidade que foi sede da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, Hamilton venceu dois (2014 e 2015), Rosberg (2016) e Bottas (2017). Ou seja, só deu Mercedes no GP da Rússia e Vettel tem a difícil missão de descontar os 40 pontos de desvantagem para Hamilton no campeonato (281 a 241), faltando seis etapas para o encerramento da temporada.

O alemão que lamentou não poder trocar idea com Schumacher que sempre foi sua inspiração, admitiu ter procurado ajuda para fortalecer a parte mental, mas não encontrou ninguém que pudesse torná-lo mais forte e garantiu que tem autocontrole suficiente para não deixar a peteca cair. Mas como se vê, não está sendo fácil, e tal declaração soa como quem está prestes a jogar a toalha.

Luz no fi  do túnel
Uma nova geração de pilotos brasileiros vem acelerando forte. Um deles é Felipe Drugovich, campeão da Euroformula F3 Open com 10 vitórias em 12 corridas.