POLEPOSITION

Ordens de equipe vão sempre existir

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 07-10-2018 10:59 | 336
Não era o que Hamilton e Bottas queriam, mas ordens de equipe fazem parte da F1
Não era o que Hamilton e Bottas queriam, mas ordens de equipe fazem parte da F1 Foto de Eric Vargiolu

“Eu quase não vejo a Fórmula 1 e quando assisto acontece aquela palhaçada(!)”, me falou um amigo. Ele se referia à famigerada ordem da Mercedes para Valtteri Bottas entregar a vitória para Lewis Hamilton, domingo passado, na Rússia.

Se para quem acompanha a categoria sente o anticlímax diante uma ordem de equipe, o que dizer de pessoas como esse amigo, deparar com um resultado forjado?

Ordens de equipe fere a integridade do esporte, mas é um mal que sempre existiu e vai continuar existindo na Fórmula 1. E não há o que possa ser feito para inibi-las. A Federação Internacional de Automobilismo até que tentou criar regras depois que Rubens Barrichello foi obrigado a entregar a vitória para Michael Schumacher na linha de chegada do GP da Áustria de 2002, que ficou conhecido como a “marmelada de Zeltweg”, mas alguns anos depois desistiu de fiscalizar porque as equipes criavam mensagens codificadas para inverter posições entre seus pilotos.  Um exemplo recente foi o tal “mult 21” que ninguém entendeu do que se tratava a mensagem de rádio da Red Bull no GP da Malásia de 2013, e depois soube-se que temendo uma batida entre Mark Webber e Sebastian Vettel, o “21” significava o carro 2 (de Webber que fazia excelente prova) na frente do carro 1, de Vettel que por sua vez ignorou a ordem, ultrapassou o australiano e venceu a corrida.

Pra quem não sabe, ordens de equipe existem desde o surgimento da Fórmula 1, nos anos 50. Era até mais cruel naquela época o piloto ter que abandonar a corrida para ‘emprestar’ o seu carro para o companheiro de equipe prosseguir na prova quando este tivesse problemas mecânicos. Juan Manuel Fangio venceu corrida usando deste artifício.

O que aconteceu no GP da Rússia tem os dois lados da moeda: A crueldade em sacrificar a melhor corrida que Bottas disputou no ano e que seria a sua primeira vitória na temporada, e a razão. A Mercedes colocou na balança a possibilidade de um ou dois abandonos de Hamilton nas próximas corridas e Vettel descontar a diferença que agora é de 50 pontos.

Há um campeonato em jogo, e como disse o Toto Wolff, homem que apertou o botão do rádio e falou para Bottas deixar Hamilton ultrapassar, “prefiro ser o homem mau do domingo do que o idiota de Abu Dhabi”, se referindo à última corrida do ano e a possibilidade de perder o título.

É feio o que a Mercedes fez? É. Fere a essência do esporte? Sim. Está correta em agir desta forma? A resposta é sim, também. As equipes investem muitos milhões de dinheiro (Mercedes, Ferrari e Red Bull na casa dos 350 milhões de euros) e um exercito de funcionários que trabalham incansavelmente nas fábricas para dar a seus pilotos o melhor carro possível. O objetivo é um só, vencer os campeonatos de Pilotos e de Construtores, ainda que para isso seja preciso expor a própria imagem perante a opinião pública. O que era para ser um pódio festivo em dia de dobradinha, deu lugar a dois pilotos com cara de tacho.

A Fórmula 1 já está em Suzuka e nesta madrugada às 2h10 tem a largada do GP do Japão, 17ª etapa do campeonato que vai chegando ao fim e caminhando para as mãos de Lewis Hamilton ainda que Sebastian Vettel tenha dito que “não perdemos o rumo”.

Madrugada veloz

Ao termino do GP do Japão é só mudar de canal para ver o primeiro GP da Tailândia de MotoGP, com largada às 04h, ao vivo no SporTV.