POLEPOSITION

Há 30 anos, o primeiro título de Senna

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 28-10-2018 12:06 | 448
Próxima terça (30) primeiro título de Ayrton Senna completa 30 anos
Próxima terça (30) primeiro título de Ayrton Senna completa 30 anos Foto de Getty Images

“O motor morreu e eu fiz pegar no tranco. Apagou pela segunda vez e voltou a pegar graças a Deus”! As palavras de Ayrton Senna, 30 anos atrás, após conquistar seu primeiro título na Fórmula 1 dá o tom do quão foi dramático foi aquele GP do Japão em 30 de outubro.

1988 foi um ano de transição para a Fórmula 1. Os motores turbo estavam se despedindo da categoria e a Federação Internacional de Automobilismo limitou a pressão em 2,5 bar para diminuir a vantagem que teriam sobre as equipes que optaram correr com os motores aspirados que passariam a ser obrigatórios no ano seguinte. 

Mas quem deu as cartas foi a McLaren que iniciava uma parceria que se tornaria vitoriosa com a Honda, e trouxe Ayrton Senna da Lotus, para ser o companheiro de Alain Prost. O modelo MP4/4-Honda, projetado por Steve Nichols foi um dos carros mais fantásticos que já correu na Fórmula 1, não só por ter vencido 15 das 16 corridas do campeonato, mas pela harmonia perfeita do conjunto chassi-motor.

Apesar disso, o ano de Senna foi de altos e baixos, deixando de marcar pontos em três corridas. No Brasil foi desclassificado por trocar de carro momentos antes da largada, o que era proibido pelo regulamento. Em Mônaco bateu sozinho quando liderava com quase 1 minuto de vantagem sobre Prost. E na Itália ao se precipitar em colocar uma volta sobre Jean-Louis Schlesser, retardatário que substituía Nigel Mansell, na Williams, que se recuperava de uma catapora. No choque, Senna abandonou a prova que teve um final de conto de fadas com dobradinha da Ferrari, em Monza, poucos dias depois da morte do comendador Enzo. Foi a única corrida de 88 que a McLaren não venceu, já eu Prost também abandonou com problemas de motor.

As duas corridas seguintes foram estranhas para Senna que terminou apenas em 6º o GP de Portugal e em 4º na Espanha, com Prost vencendo ambas com sobras. Embora nunca se falou a verdade, a única explicação para a falta de potência do motor de Senna nas duas provas era o desejo dos japoneses da Honda em levar a decisão do campeonato para o Japão.

E assim a Fórmula 1 chegou a Suzuka com Senna precisando da vitória, para ser campeão.

Apesar de a regularidade de Prost ser melhor que a de Senna, o regulamento daquele ano previa o descarte dos cinco piores resultados de cada piloto. Senna precisou descartar apenas 4 pontos (1 do sexto lugar em Portugal, e 3 da quarta posição na Espanha), já que não havia pontuado no Brasil, Mônaco e Itália. Prost, por sua vez, teve dois abandonos (Inglaterra e Itália), mas precisou descartar 18 pontos de três 2º lugares porque não tinha resultados piores para jogar fora.

Na largada, o carro de Senna engazopou duas vezes e caiu da pole para a 13ª posição. Por muita sorte não foi acertado por ninguém e vale o parêntese: (Nelson Piquet, 3º no grid, teve muito reflexo para desviar a Lotus da traseira da McLaren. Ainda hoje, revendo vídeos daquela largada, não sei se outro piloto teria a mesma destreza para evitar a batida).

Senna recuperou terreno até se aproximar de Prost, e aí veio do céu a ajuda que precisava: a chuva, que caiu em duas etapas. Na primeira umedeceu o asfalto o suficiente para Senna chegar e ultrapassar Prost na 28ª volta. O francês passou a persegui-lo, mas há sete voltas do fim a água caiu com mais força e a diferença subiu de 1s7 para 13s. Prost levantou o pé e desistiu da luta. E Senna passou a gesticular insistentemente para o diretor de prova, sinalizando que a pista estava perigosa para os pneus slick. Mas a bandeirada só veio depois das 51 voltas programadas e o Brasil acordou naquele 30 de outubro com mais um título Mundial.

 Senna venceu 8 corridas contra 7 de Prost que somou 105 pontos reais contra 94 do brasileiro. Mas o que valia era a soma dos 11 melhores resultados, e Senna venceu o campeonato por 90 a 87.

Decisão no México?
Lewis Hamilton precisa apenas de 3 pontos para conquistar o penta, amanhã, no GP do México. Se Vettel vencer a corrida, basta ao piloto da Mercedes terminar em 7º para igualar a marca de Fangio na Fórmula 1.