ELY VIEITEZ LISBOA

Gente nova

Por: Ely VIeitez Lisboa | Categoria: Cultura | 03-11-2018 12:39 | 388
Foto de Reprodução

Com o perdão da norma culta: tem gente nova no pedaço. Não vou falar da linda Giulia, que chegou dia 11 de setembro, antecipando a primavera, para a grande alegria e emoção de seus pais, seus avós, a bisavó Ana e o bisavô Miguel__ presente raro da vida, quando se está com noventa e nove anos!

A crônica é sobre nosso novo inquilino, o Piratininga. Cachorro? Não. Gato? Temos só um agregado, sem nome, lindo e cinzento. Ele dorme sob as buganvílias, mas come na vizinha, sua provável dona legal.

Piratininga é um jovem abacateiro de poucos meses. Ele chegou semente, um simpático caroço, que dormia no ventre materno de sua mãe, verde matrona gorda, suculenta, com sua massa amanteigada, deliciosa, linda, esverdeada.

A grande semente arredondada parecia tão viva e simpática, que meu marido a colocou em um berço de terra fértil, para ela adormecer e, quem sabe, renascer. Decorrido o tempo da milagrosa germinação, surgiu uma plantinha criança ainda, mas alegrinha e alvissareira.

Foi a alegria da casa! Água fresca, sombra, pouco sol, cuidados para livrá-la de possíveis formigas. A jovem planta foi batizada de Piratininga, lugar belo, com sua praia inesquecível. É que a árvore-mãe mora lá, no pequeno quintal mágico de Mirna e PC, rodeada de outras frutas e muitas flores.

Pesquisas feitas, soube-se que estava na hora de replantar Piratininga. Provavelmente daqui três anos, ele será um frondo-so abacateiro que nos dará frutos suculentos.

Houve muita consulta para a escolha correta do local, porque se leu que será uma árvore de raízes longas, chegando atingir doze metros de profundidade e seis metros laterais.  Finalmente o lugar adequado: longe da casa e da piscina. No dia tão esperado, aconteceu seu plantio. Uma festa! Tudo devidamente apadrinhado pelo Branco, jardineiro-mor do Condomínio. Ele deu as orientações finais necessárias, cuidados a serem tomados.

Agora Piratininga está lá, elegante e faceiro, crescendo em graça e beleza. A vida é bizarra. Ela parece mais rica, com o novo jovem morador. Tomara que os habituais visitantes do quintal, grandes lagartos de três tamanhos diferentes, criaturas que me amedrontam (não gosto de répteis!) não o aborreçam.

E vai a vida! As buganvílias estão mais alegres, floridas e coloridas. Já fizeram amizade com o novo vizinho. E nem procuram saber sobre sua família botânica, se ele é abacate Margarida, Fortuna, Guatemala, Geada, Quintal, Avocado, ou Hass. Aqui ninguém é preconceituoso.

(*)Ely Vieitez Lisboa é escritora.
E-mail: elyvieitez@uol.com.br