LITERATURA PARAISENSE:

Poeta Fábio Mathias Mirhib – Parte 2

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 03-11-2018 12:46 | 519
Professor e poeta Fábio Mathias Mirhib
Professor e poeta Fábio Mathias Mirhib Foto de Nelson P. Duarte

Em meados da década de 1950, o jovem poeta Fábio Mirhib trabalhou, certo tempo, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Posteriormente, também trabalhou no setor de escrituração e tradução de documentos das Centrais Elétricas de Furnas. Nessa empresa, devido ao seu conhecimento de línguas estrangeiras, principalmente inglês e francês, trabalhava com a tradução de documentos técnicos relacionados aos materiais usados na construção da grande usina hidrelétrica. Foi nessa época que ele ingressou e concluiu o curso de ciências jurídicas da Faculdade de Direito de Franca (SP).

Após concluir o curso de Direito, abriu uma bem-sucedida banca advocacia em Paraíso, conquistando fama de profissional competente na busca dos caminhos para a obtenção da Justiça nos tribunais da região. Ficou na memória de seus amigos e conterrâ-neos sua maneira sempre gentil e altiva de tratar as pessoas mais humildes que lhe procuravam para resolver alguma questão jurídica.

Pelo fato de ser detentor de uma vasta cultura histórica, filosófica, literária e jurídica, foi convidado a exercer o magistério no Ginásio Paraisense e Escola Técnica de Comércio São Sebastião, onde, entre outras disciplinas, ensinou História do Brasil e História Geral. Suas aulas eram sempre enriquecidas com expressões latinas e máximas de filósofos clássicos gregos e latinos, mensagens que ficaram na lembrança de seus ex-alunos que tiveram a oportunidade de receber essa formação intelectual.

O ilustre poeta teve também uma experiência no ensino superior, como foi professor de Filosofia do Direito, na turma da Faculdade de Direito de Alfenas que funcionou em São Sebastião do Paraíso, instituição na qual proferiu uma inesquecível aula inaugural. Embora tenha exercido a advocacia com paixão e competência, manifestou, em diferentes ocasiões, o prazer que tinha no exercício do magistério e de ser chamado de “professor”.

Além de vários poemas publicados na imprensa local, Fábio escreveu e produziu três livros. Em 1949, publicou “Goivos Negros – primeiros poemas”, com 48 páginas, impresso na Tipografia Jobormoura, do jornalista João Borges de Moura. Uma década depois, em 1959, publicou o livro intitulado “Luzes Ocultas”, prefaciado pelo seu colega de magistério professor Antônio Soares de Giácomo, jovem poliglota que deixou a cidade para trabalhar no IBGE, no Rio Grande do Sul, assim como o fez o jovem poeta Fábio Mirhib. Cumpre observar que esse último livro traz, na parte interna, o subtítulo “Flor de Azálea”.

Em 1988, Fábio Mirhib publicou o livro Julgamento de Jesus – erro judiciário, um texto de prosa poética editado pelo serviço de difusão cultural da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Paraíso. O autor dedica a obra ao maestro Lucas Bertucca Filho, ao coronel Walter Albano Fressatti e ao jornalista Anibal Deocleciano Borges, a quem agradece pela atenção diferenciada na publicação dos outros livros de sua autoria. A seguir, reproduzimos dois sonetos de sua autoria para divulgação digitalizada de sua obra literária.

Mariza
Fábio Mirhib

Um dia, no pampa sulino, aquém da fronteira,
Na terra das prendas, do amor e do bom chimarrão,
Mariza encontrei caprichosa, falaz, feiticeira,
E cego, lhe dei sem temores o meu coração...

E foi, para mim, neste inverno que alveja os cabelos,
A azálea formosa, riqueza da fria estação,
Amamos, noivamos, unimos na febre dos zelos
O sonho, a ternura, a ventura, o desejo, a ilusão...

Porém, qual a flor que viceja com os dias contados,
Tudo isto passou como um sonho de leves matizes...
E agora este inverno é mais frio porque estou sozinho
E sofro ao lembrar-me do tempo em que fomos felizes...

E agora, ao pensar solitário naquela menina,
Suplico ao meu Deus que eu não morra no tédio profundo
Sem que nesta vida de mágoas um dia eu reveja
A única flor que deveras amei neste mundo!...

Segue Teu Caminho
Fábio Mirhib

Se um dia ela passar por meu caminho
Com o olhar vencido de quem roga e implora.
Eu lhe direi sem pena e sem carinho:
- Já não terás o meu amor de outrora!

Muito penei por ti, foi tanto espinho
A me ferir por teu amor, senhora,
Que é muito tarde para nós agora
Reconstruir o nosso antigo ninho...

Ninguém te quis e não te aceito mais
Como no tempo azul dessa quimera
Que se esfumou com os nossos ideais...

Tinha de ser, consola a tua dor,
Fizeste mal em desprezar quem era
O teu primeiro e verdadeiro amor!