SEQUESTRADORES

Paraisense é vítima de sequestradores comandados por preso da Nelson Hungria

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Polícia | 14-11-2018 14:36 | 3243
Arma foi localizada no cativeiro e apreendida junto com outros objetos
Arma foi localizada no cativeiro e apreendida junto com outros objetos Foto de Divulgação

Um comerciante de São Sebastião do Paraíso está entre as vítimas de uma quadrilha de seqüestradores que foi desarticulada pela Polícia Civil, de Contagem (MG), no início desta semana. As ações eram comandadas por um detento do presídio de segurança máxima Nelson Hungria. O grupo agia a partir de postagem na internet oferecendo caminhões, vans e outros veículos para venda com preços abaixo do mercado quando atraía às vítimas que eram mantidas reféns e liberadas após pagamento de resgate.

As ações da quadrilha foram cessadas depois que a polícia localizou o local do cativeiro e prendeu dois integrantes do grupo. Segundo o delegado Ramon Sandoli, a Polícia Civil já vinha investigando a quadrilha há algum tempo. "Ficamos sabendo das ações desta organização depois que a Polícia Federal nos informou sobre uma vítima de Brasília que foi atraída para Belo Horizonte", conta o delegado.

Dois homens, um de 28 e outro de 44 anos foram presos em uma favela de Contagem e um terceiro conseguiu escapar. Ainda no cativeiro foram apreendidas um balança de precisão, uma pistola 9 milímetros e quase seis quilos de maconha. Um terceiro membro do bando conseguiu escapar de carro e encontra-se foragido. No entanto, ele já foi identificado e continua sendo procurado.

O grupo era liderado por um homem que comandava as operações através de telefone celular de dentro da prisão. Segundo a polícia eles postavam anúncios de caminhões e vans com o valor alto, em torno de R$ 150 mil, mas que ainda estavam abaixo do valor de mercado. Do presídio ele comandava as equipes que realizavam o sequestro, aponta o delegado.

VÍTIMAS
"A quadrilha agia atraindo pessoas de fora de BH e da Região Metropolitana com anúncios de vendas de veículos na internet. Ao chegar e ser atendido, o interessado era levado a um cativeiro e obrigado a ligar para a família, dizer que havia gostado do veículo e autorizar os familiares a liberarem o depósito na conta dos criminosos. As vítimas só eram libertadas após a confirmação desse depósito", detalhou o delegado Ramon Sandoli, responsável pelas investigações.

Segundo a polícia uma das vítimas era de Brasília e havia negociado um caminhão com o líder da quadrilha por R$ 100 mil quando foi sequestrada. A família pagou o resgate. Na ação de segunda-feira (12/11), as vítimas vieram de São Paulo e estavam sendo extorquidas pelos criminosos. A PC assegurou que pai e filho foram libertados, saíram do cativeiro com a integridade física preservada e sem o pagamento do resgate.

Antes deste caso a polícia já havia conseguido evitar mais dois sequestros. Um no dia 8 de novembro, no qual a vítima foi atraída de São Sebastião do Paraíso para Itabira. O homem foi atraído pela mesma forma de ação da quadrilha sendo atraída através de anúncio pelas redes sociais. O outro caso foi registrado no último dia 10 em que a vítima era de Ravena.

O delegado Ramon Sandoli, que é responsável pela Delegacia Especializada Antissequestro do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), comemorou o sucesso da operação atribuindo o resultado as novas técnicas investigativas empregadas.

”Além de conseguirmos evitar que os crimes ocorressem, obtivemos êxito com um trabalho de inteligência investigativa, no caso do sequestro consumado, resgatar as vítimas com a integridade física preservada. Com a desarticulação desta quadrilha, só este ano já evitamos um total de seis crimes de extorsão mediante sequestro antes que as vítimas fossem feitas reféns”, finalizou.

Delegado ressalta a eficiência das investigações e a prisão de parte dos membros da quadrilha