CRÔNICA JOEL CINTRA BORGES

Aprendendo a viver

Por: Joel Cintra Borges | Categoria: Cultura | 17-11-2018 10:50 | 59
Joel Cintra Borges
Joel Cintra Borges Foto de Reprodução

Há certas coisas na vida que são de grande impor-tância para nossa felicidade, e muitas vezes passamos quase que a existência toda sem nos apercebermos disso.

Uma delas é o trabalho. Não o trabalho feito com má vontade, com mau humor, a pessoa contando as horas para acabar logo e ir embora para a frente da televisão. Mas, aquele feito com amor, do médico atendendo com paciência e boa vontade a seus pacientes; do enxadeiro que ao nascer do Sol já está na leira cortando o mato, alegre por estar vivo e ter saúde para ganhar de forma honrada o sustento de sua família; do advogado que enxerga no cliente que lhe bate à porta um companheiro com um problema para ser resolvido da melhor forma possível, para todas as pessoas envolvidas; do artista que mistura suas tintas e que por vezes fica parado, absorto, como se estivesse no mundo da Lua – e está mesmo, foi até lá em busca de inspiração!

Observo que os meios de comunicação dão muita ênfase é ao sucesso, ao dinheiro (conseguido de uma forma ou de outra), mostrando carros de última geração, iates fantásticos e garotas maravilhosas. Isso cria uma sociedade consumista, na qual a ideia predominante é que o importante é vencer, não importando os meios. Como que incentivando o banditismo em todas as suas formas, porque trabalhar de forma honesta dificilmente traz sucesso rápido...

Mas, em última instância, o importante é viver bem, e muito dinheiro na maioria das vezes atrapalha, ao invés de ajudar, estimulando a preguiça, vícios, que encontram fácil guarida numa mente ociosa. O dinheiro é bom para suprir nossas necessidades e permitir o lazer e o sonho, que também são importantes. Mas, não naquele excesso que passe a dominar nossa vida.

Outro fator muito importante para nossa tranquilidade, para nossa confiança no futuro, não apenas com relação a nós mesmos, mas, a nossos entes queridos – cônjuges,  filhos, genros, noras, netos... Como viver nessa areia movediça que é nossa saúde, a saúde das pessoas que nos são caras, e a própria vida em sociedade, os relacionamentos, o correr dos anos, a chegada da velhice, da morte?

A resposta é uma palavra pequena, que nos últimos anos  tem sido relegada ao desuso, como coisa antiga, de gente boba, de gente ignorante: fé. A mesma fé que fazia com que Isaac Newton, um dos maiores sábios que a humanidade já conheceu, jamais falasse em Deus sem tirar o chapéu, como profunda forma de respeito.

Diante da imensidão de tudo, do pouco que sabemos e do quase infinito que desconhecemos, diante da fragilidade da taça de cristal que é a vida, cuidemos de nossa fé. Dessa luz tênue que bruxuleia nas noites de tempestade, mas, é a única luz que temos para nos iluminar na escuridão!