GENÉTICA

Programa de melhoramento genético do rebanho já é realidade em Paraíso

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Agricultura | 01-12-2018 10:22 | 410
Curso de inseminação artificial é ministrado para primeira turma produtores rurais do município
Curso de inseminação artificial é ministrado para primeira turma produtores rurais do município Foto de Roberto Nogueira

Até pouco tempo, a inseminação artificial não era prática comum às propriedades da agricultura familiar. O maior entrave eram os custos para aquisição e realização dos procedimentos. Mas agora esta realidade começa a mudar. Para garantir o acesso à tecnologia, o Governo de Minas Gerais compra sêmen dos melhores touros do mundo e disponibiliza o material genético para prefeituras e associações de produtores. Depois de meses de preparação São Sebastião do Paraíso aderiu ao programa estadual e nesta semana realizou curso de capacitação com produtores de várias associações rurais do município iniciando um processo que visa melhorar a qualidade do rebanho no município.

Os programas estaduais de inseminação artificial buscam garantir, além do acesso às tecnologias de melhoramento genético do rebanho leiteiro, a possibilidade de aumento da produtividade em propriedades da agricultura familiar. A expectativa para este ano é de assistir a mais de duas mil famílias em toda Minas Gerais, número que ja está sendo superado devido ao grande interesse, principalmente dos pequenos produtores rurais. "As famílias são diretamente beneficiadas, muda-se o cenário da produção de leite nas suas propriedades. O ganho é muito grande", assegura o coordenador técnico estadual da Emater-MG, Gilson Santos, ao explicar que o rebanho melhorado será a base para o aumento da renda dessas propriedades e sinal de mais qualidade de vida para os agricultores familiares.

Com recursos de uma emenda parlamentar, a Emater-MG comprou, em 2017, por meio de licitação pública, 50 botijões criogênicos e doses de sêmen de animais de alto rendimento para a produção de leite. O material foi distribuído em 40 municípios dos Territórios de Desenvolvimento Sul e Sudoeste. Além disso, o Governo de Minas Gerais adquiriu e distribuiu 45 motos, usadas para o deslocamento dos insemina-dores, e kits de inseminação (luvas, pipetas de inseminação). Tudo isso contribuiu para que tivessem sido realizadas, somente no ano passado, mais de 8 mil inseminações.

Reconhecida como importante ferramenta de valorização e promoção do agricultor familiar, a iniciativa vem sendo implementada em várias regiões do estado, com distribuição, em 2018, de mais 101 botijões, cada um com 100 doses de sêmen bovino de alta qualidade, além do kit de inseminação. O investimento é de R$ 505 mil, provenientes do Programa Estadual Minas Sem Fome. Em São Sebastião do Paraíso o programa está sendo inserido com a ajuda do deputado estadual Emidinho Madeira, que doou um botijão de sêmen para ser utilizado entre os produtores de gado do município.

Para o prefeito Walker Américo Oliveira, que na manhã de quarta-feira, 28, acompanhou uma das aulas práticas ministradas aos produtores treinados do município esta é uma oportunidade de evolução e crescimento do município neste setor. "Nós estamos possibilitando esta realidade, com o apoio de várias empresas parceiras. Deste trabalho redundará em vários benefícios na qualidade do rebanho e vem agregar valor aos produtores da nossa comunidade, na hora da comercialização", anuncia.

Conforme a secretária municipal de Desenvolvimento Agropecuário (Sedeagro) Yara de Lourdes Souza Borges para chegar a este ponto foi preciso uma articulação de vários meses para organizar o funcionamento do programa em Paraíso. "Foi um período de preparação até grande para adotarmos o Mais Genética, porque pensamos primeiro em capacitar os produtores e aos poucos ir possibilitando mais participações ao programa", diz. Outro ponto importante foi a busca de parcerias que permitiu a realização do curso. "Estamos capacitando a primeira turma, mas teremos mais turmas ano que vem", antecipa a secretária.

 

Como participar

Para que seja pleiteada a participação nos Programas Estaduais de Inseminação Artificial, o município deve comprovar tradição na pecuária leiteira, contar com agricultores familiares interessados e disponibilizar um profissional de apoio ao produtor nas ações de inseminação. Assim, estará apto e receberá todo suporte para a gestão local do programa. Em Paraíso a proposta foi viabilizada graças ao apoio da Emater-MG, Faculdade Calafiori, Matsuda, Sindicato dos Produtores Rurais, Madeireira Aroeira, Aviação Gonçalves Salles e a Prefeitura.

Cada colaborador contribuiu com uma parte para a realização do curso. "O Sindpar nos cedeu o espaço no Parque de Exposições. Contaremos também com o apoio do agropecuarista Antonio Jacinto que vai nos ceder a propriedade com vacas para poder realizar o curso e o treinamento da melhor maneira possível", diz Yara.  De acordo com o chefe de Departamento de Agricultura da Sedeagro, Marco Aurélio Alves de Paula a empresa Matsuda cedeu um instrutor e fez contato com a Lagoa da Serra Genética, que doou material genético. A Aviação Gonçalves Salles e a Faculdade Calafiori, ajudaram na confecção das camisetas e material didático. "A Madeireira Aroeira nos ajudou com madeira tratada para fazer os bretes onde ficarão os animais utilizados no treinamento", completa.

O material genético disponibilizado aos agricultores familiares é procedente de animais testados e aprovados em grandes centrais de inseminação e proveniente das três principais raças de bovinos produtores de leite: Holandesa, Girolando e Gir Leiteiro. A entrega é feita às prefeituras que aderiram aos programas por meio de um Termo de Cessão. Com isso, um técnico regional da Emater-MG acompanha o desenvolvimento do programa enquanto o agente contratado pelo município (ou associação) é o responsável pela inseminação das vacas nas propriedades rurais.

O produto é entregue em botijões criogênicos, que armazena, por tempo indeterminado, desde que não falte nitrogênio, o sêmen do gado com indicação para a produção de leite. Em cada um desses recipientes estão armazenadas entre 100 e 150 doses de sêmen bovino. "O botijão tem o Nitrogênio líquido dentro que conserva o sêmen por prazo indeterminado. Ele fica numa temperatura de 196º negativo sem congelar, as doses de sêmen ficam ali acondicionadas sem perder a capacidade e a essência fica ativa por muito tempo", explica Marco Aurélio.

Motocicletas
Outro ponto que chama a atenção no programa é que o agente responsável pela inseminação chega à propriedade rural de motocicleta. Ao todo, 45 motos de 150 cilindradas foram entregues às prefeituras e, desde 2017, estão levando às propriedades rurais os benefícios da tecnologia de melhoramento genético. Na próxima semana chegará a Paraíso a moto que deverá ser utilizada para o transporte do material entre as propriedades rurais. "É uma solução criativa que responde à tarefa de fazer chegar o sêmen às propriedades. Os inseminadores levam conhecimento aos produtores e as motos ajudam a reduzir o tempo de deslocamento e dão agilidade à inseminação", explica o coordenador regional da Emater-MG no Sul de Minas, Marcelo Bonfim.

 

Iniciativa gera possibilidade de crescimento
O curso sobre manejo para inseminação artificial realizado nesta semana em Paraíso possui carga horária de 24 a 40 horas-aula. Os alunos são conscientizados para a observação do cio bovino e os processos de criação do gado leiteiro, além das técnicas próprias para o desenvolvimento da atividade. Normalmente, os alunos dos cursos de qualificação são filhos de produtores rurais, que se envolvem para fazer com que a tecnologia seja a grande aliada da produção rural. São treinados para fazer o trabalho nas suas propriedades e nas dos vizinhos.

Entre os critérios dos Programas Estaduais de Inseminação Artificial está a necessidade de que em cada localidade exista uma pessoa devidamente capacitada para inseminar as vacas e partilhar conhecimento com os produtores da agricultura familiar. São os municípios os responsáveis pelo treinamento de insemina-dores.

"Os programas têm tido uma importante abertura para o público jovem, uma vez que em grande parte das propriedades são eles os responsáveis pelo procedimento", explica o coordenador da Emater-MG, Marcelo Bonfim. Ele ressalta que existe um indicativo de sucessão bem maior na pecuária, associado ao interesse do jovem pela aplicação de conhecimentos tecnológicos ao desenvolvimento do grupo familiar e comunidade ao entorno.

O médico veterinário Mauro Gonçalves explica que o curso teve aulas teóricas nos primeiros dias quando foram estudadas informações sobre como é o processo de inseminação artificial e que fazer para que ela traga resultados satisfatórios dentro da propriedade. Nos demais dias houve treinamento prático e atividade em peça de animal abatido em frigorifico. Os alunos também fizeram treinamento com botijão se sêmen. "Há um manejo adequado a ser feito e por último temos uma avaliação de quem participou do curso", descreve.

Mauro salienta que a vantagem do animal que passou por inseminação artificial e a que teve a monta natural é que no primeiro processo trabalha-se sempre com reprodutores superiores. Um animal fazendo a monta natural para ter vantagem somente encontramos numa central de coleta onde trabalha-se com a elite dos melhores reprodutores de qualquer raça", acrescenta.

Adriano Alves da Silva, produtor rural é um dos participantes do curso de inseminação. Ele está otimista quanto a possibilidade de evoluir com a atividade. "O curso está sendo muito bem ministrado  por um excelente capacitador e nos possibilitando adquirir estes conhecimentos e experiências que nós não tínhamos. Estamos tendo a oportunidade agora para melhorar o rebanho e futuramente obter lucratividade para o produtor e uma grande melhoria em todos os sentidos", descreve. Os participantes são integrantes nas Associações de Produtores Rurais da Antinha, Queimada Velha e Pimentas.

De acordo com Marco Aurélio Alves de Paula este é um trabalho que vem sendo preparado há algum tempo e que agora está sendo viabilizado. "Desde o início deste governo estávamos tentando desenvolver este programa. Conhecemos as demandas e sabemos o quanto cada ação repercute e movimenta toda a cadeia produtiva", explica. A aposta vai além de quaisquer perspectivas.

"O ganho vai ser expressivo desde a qualidade do rebanho, a satisfação pessoal, o aumenta na produtividade", aponta. Em consequência ele diz que todo segmento produtivo vai se movimentar.

Aula prática ensina manejo com banco de semen para atividades que serão desenvovidas nas associações rurais
Curso de inseminação utilizou peças obtidas no frigorífico local