CRÔNICA JOEL CINTRA BORGES

Rasputin

“A morte é para você. A morte está se aproximando.” -- Rasputin disse ao político Piotr Stolypin, ao vê-lo na beira de uma estrada. No dia seguinte, Stolypin foi alvejado e morreu.
Por: Joel Cintra Borges | Categoria: Cultura | 22-12-2018 10:41 | 5988
Joel Cintra Borges
Joel Cintra Borges Foto de Reprodução

Grigori Yefimovich Rasputin nasceu no dia 21 de janeiro de 1869, no seio de uma família de camponeses, em uma pequena cidade da Sibéria.

Desde muito novo, era diferente das outras crianças, sendo considerado um “menino esquisito”. Tinha também a fama de curar as pessoas.

Ainda adolescente, entrou para um mosteiro nos Montes Urais, com a ideia de ser monge, mas não chegou a ordenar-se. Voltando para a Sibéria, casou-se, aos 19 anos de idade, com Praskovia Dubrovina, com quem teve fários filhos.

Em 1903, mudou-se para São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia. Místico e muito carismático,1,93 m de altura, tinha grande magnetismo e “olhos hipnóticos”, aquele olhar de olhos muito arregalados. Para alguns escritores espiritualistas, era a reencarnação de um famoso mago que usava a magia negra.

Nessa cidade, ganhou a simpatia de alguns membros do alto clero da Igreja Orodoxa Russa, tornando-se muito conhecido por seus dons considerados sobrenaturais, tais como curas e premonições.

Em 1905, foi apresentado à família imperial, passando a cuidar  do pequeno Alexei, o príncipe  herdeiro do Czar Nicolau Romanov, que sofria de hemofilia, uma grave doença hereditária que impede a coagulação do sangue, podendo levar facilmente à morte, por hemorragia externa ou interna.

O problema que havia era que Rasputin era um grande libertino, um devasso qe logo se envolveu em romances e orgias com as mulheres da alta aristocracia russa e, acredita-se, até com a própria Czarina Alexandra. Tornou-se também conselheiro influente de Nicolau II. Mas, tinha muitos inimigos entre os nobres, que logo começaram a conspirar para sua morte.

A primeira tentativa foi em 1914, através da prostituta Guseva, que o abordou na rua, esfaqueando-o no abdome. Gravemente ferido e perdendo muito sangue, ele correu, sendo socorrido. Permaneceu dois meses no hospital, cuidado pelo próprio médico do czar, recuperando-se.

Em 30 de dezembro de 1916 foi convidado pelo  príncipe Yussupov para um jantar no seu castelo, com alguns amigos. Ali, foi-lhe servido um pudim com um veneno chamado cianeto de potássio, numa dose que dava para matar cinco homens. Rasputin comeu o doce e continuou a conversar tranquilalmente. Aturdidos, os nobres puxaram suas armas e o alvejaram onze vezes. Quando ele caiu ao chão, eles o amarraram e jogaram no Rio Neva, que estava parcialmente congelado.

Seu corpo foi encontrado três dias depois e, na necropsia, os médicos constarararam que ele não morreu devido ao veneno ou às balas, mas de hipotermia!

Curioso é que Rasputin havia escrito ao czar uma carta premonitória, em que dizia que, se ele fosse assassinado pelos nobres da corte, toda a família imperial seria morta pelo povo russo, o que de fato aconteceu em 17 de julho de 1918, quando todos os Romanov foram executados a tiros pelos revolucionários comunistas!