SESI PORTAS FECHADAS

Futuro de área do Sesi em Paraíso é incerto: unidade está de portas fechadas

Por: João Oliveira | Categoria: Cidades | 09-01-2019 09:43 | 1939
 Centro de Atividades do Trabalhador
Centro de Atividades do Trabalhador "Donato Piccirillo" (CAT) Foto de Reprodução

Desde que a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de São Sebastião do Paraíso (Acissp) anunciou ter recebido comunicado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) no final de 2018, informando que não mais teria interesse em continuar com a parceria para manutenção do Centro de Atividades do Trabalhador "Donato Piccirillo" (CAT),  instalado em outubro de 1995, o futuro daquela unidade ligada ao SESI é incerto. O CAT abriga um espaço esportivo-social, que contém conjunto de piscinas, quadras e salas.

A viabilidade da unidade em Paraíso foi um esforço de lideranças. O presidente do Sindipeles, Wellington Mumic (Leto), trouxe a ideia, e com apoio de lojas maçônicas, e empresários, propôs que Paraíso pudesse desfrutar de um espaço voltado para o industriário e que tinha como proposta inicial a vinda da escola do Sesi para o município.

É com pesar e emocionado que o presidente do Sindpeles, Wellington Mumic, lamentou o atual cenário da Sesi. Ele lembrou com carinho dos esforços feitos em conjunto com a Fiemg, que tinha como presidente à época José Alencar, que posteriormente foi vice-presidente da República, que ajudou a viabilizar a vinda do CAT para Paraíso.  "Á época eu já era presidente do Sindpeles e levei a proposta para o prefeito Lair Furtado que disse que não tinha terreno para disponível para isso, então levamos para a ideia para lojas maçônicas e vários empresários apresentaram terrenos para que isso pudesse acontecer", recorda.

Conforme Mumic, o empresário Donato Piccirillo, através de Antônio Moura Peres  (Biriba), colocou vários terrenos disponíveis para a implantação do Sesi em Paraíso. "Optamos pelo terreno onde hoje é o CAT Donato Piccirillo. A época o presidente da Acissp era o Leonardo Borges e então começaram as obras. Quando terminou, ele já tinha saído. A obra foi concluída pela Fiemg que tinha Stefan Saleg como presidente, e que percebeu não tinha como manter a Sesi somente por meio da Federação. Foi quando nasceu a proposta de parceria com a Associação Comercial, através do presidente Ailton Sillos. A Acissp administrou o Sesi durante todo esse tempo com apoio da instituição que matinha a manutenção e um repasse de verbas que veio gradativamente diminuindo culminando com a atual situação", explica.

SITUAÇÃO ANTIGA
Todavia, a história de incertezas sobre o futuro do espaço já existe desde a sua inauguração. Conforme explica Ailton Rocha de Sillos, quando ele assumiu a presidência da Acissp, nos idos de 1990, não houve inauguração do Sesi e a área começou a ser depredada.

"Fui a Belo Horizonte verificar o que estava acontecendo. Estava havendo uma transição na presidência da Fiemg, saía José Alencar e entrava Stefan Saleg, que disse que o Sesi não tinha condições de implementar e operacionalizar todas as unidades que estavam sendo inauguradas porque "o custo era altíssimo" e para ele deveria ficar fechada. A Acissp teve iniciativa pioneira de propor a Fiemg que operacionalizasse a nossa unidade do Sesi em conjunto com a Associação Comercial. Foi nossa proposta e desde então passamos a administrar a unidade", recorda.

De acordo com Sillos, o Sesi mantinha na unidade um representante para acompanhar a prestação de contas, já que a Associação tinha ficado com toda a parte administrativa do Sesi/Paraíso. "Antigamente a unidade era apenas para industriários e conseguimos ampliar para os comerciantes para aumentar o número de participantes e captar recursos para manter a unidade funcionando. Cobrávamos mensalidades muito baratas para as famílias e que não era o suficiente para manter a manutenção do local, já que desde aquela época a nossa geração de emprego era baixa. Não dava para manter a manutenção completa. Então o Sesi nos dava apoio institucional, ofertando bolsas, como o bolsa atleta, e uma série de eventos que contribuíam para a manutenção da unidade", lembra.

Apesar das dificuldades, o presidente da Acissp destaca que a Associação consegui tocar o Sesi, mesmo as vezes fechando o mês no vermelho. Ele destaca que o  Sesi mantinha o apoio e grandes manutenções, por exemplo, eram eles que faziam. No final de 2016, porém, recorda que foi encaminhada uma carta para a Acissp onde o Sesi informou que não tinha mais interesse em continuar com a parceria, porque segundo eles estava faltado recursos e pediram para tirar até o nome "Sesi" da unidade.

"Voltamos a Belo Horizonte, e negociamos novamente. Ficou acertado que o Sesi ajudaria com R$ 7 mil para nos ajudar pelo menos com o custo de energia. Nos dois últimos anos continuamos tocando com mais dificuldade. Sempre tivermos um relacionamento muito positivo com a Fiemg, mas quando foi no final de 2018, mais uma vez nos foi mandado uma carta onde eles diziam que não tinham interesse em continuar com a parceria e que não passariam mais recursos, passando a responsabilidade toda para a Acissp na manutenção do espaço e não pude mais segurar", lamentou Sillos. 

De acordo com o presidente da Acissp, não houve saída a não ser entregar as chaves da unidade. "Somente para dispensar os funcionários, há funcionário lá com 20 anos de casa, ficou em R$ 100 mil. Cheguei a pedir apoio, mas disseram que por problemas legais não poderiam fazer repasse algum então não tive alternativa. Argumentei de todas as formas, e eles até disseram que a unidade estava a nossa disposição se quiséssemos, mas não temos como arcar sozinhos com este custo.  É um problema que também tem sido enfrentado por outras unidades, como em Guaxupé, onde estive, e passa por mesma situação", completa.

MUNICIPÍO
De acordo com a lei municipal que fez a doação do imóvel ao Serviço Social da Industria (Sesi), o projeto previa que o patrimônio seria revertido ao município, com todas as benfeitorias e sem qualquer indenização em caso de inobservância das cláusulas constantes do Termo de Convênio de Cooperação a ser firmado pelo município com o Sesi, objetivando a construção e funcionamento da unidade em Paraíso. Tendo em vista a situação, o Jornal do Sudoeste entrou em contato com a Prefeitura questionando o que seria feito pelo município tendo em vista o possível abandono do espaço pelo próprio Sesi.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ulisses Araújo, oficialmente a prefeitura não foi informada por nenhum dos terceiros envolvidos no convênio sobre um eventual distrato. "O espaço foi doado pelo município ao SESI no início da década de 90 e posteriormente o SESI conveniou com a ACISSP para a manutenção de sua unidade, existe na Lei Municipal 2123 uma cláusula de reversão que deve ser atendida em caso de inobser-vância do Termo de Cooperação assinado à época, o qual precisa ser analisado profundamente em seu âmbito jurídico em um eventual desuso do espaço", completou.