ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 16-01-2019 14:37 | 79
Foto de Reprodução

Atritos de trânsito.
Você pode conseguir fugir da maioria das confusões e conflitos cotidianos. Se é um sujeito calmo, que não mexe com a mulher dos outros e nem discute política e religião, suas chances de escapar de brigas são superlativas, enormes. A menos que dirija um veículo, que tenha um carro. O automóvel e o trânsito te expõem. No conflito diário do tráfego, buscando espaços minúsculos entre outros veículos, vagas para estacionar, fugindo de engarrafamentos ou buzinando, criamos uma fonte inesgotável de mau humor, ofensas, choques não só de opiniões, mas as vezes colisões literalmente ditas. O carro te torna um predador ou uma presa, fácil. Leandro Karnal lembra em um de seus preciosos textos que o condutor automobilístico é provocado várias vezes ao dia e, se for sábio, resistirá a todas as provocações. É difícil – o trânsito nos iguala por baixo. Estamos todos expostos.

Discurso de posse
O trecho mais interessante no discurso de posse de Jair Bolsonaro é aquele em que nosso dignatário máximo repudia exemplarmente a praga do politicamente correto. Seu governo pode ser ou não desastroso, e posso não concordar com algumas coisas que ele diz, mas desde logo sou eternamente grato ao presidente por verbalizar em uma data tão solene sua intensa ojeriza por esse lastimável hábito que já contaminou gerações e gerações de brasileiros. Que saudade de poder fazer piadas sobre minorias, sem correr o risco de ofendê-las ou ser mal interpretado. Um dos artistas principais de uma série que acompanho foi defenestrado da trama porque acusado de assediar alguém. E a presunção de inocência, cara pálida? Só serve como argumento pra soltar político brasileiro? Fica muito fácil assassinar reputações: basta procurar a imprensa, ou publicar na internet, ou procurar autoridades e dizer, falsamente ou não, com ou sem provas, que foi molestado por alguém famoso. Pronto! Basta para os politicamente corretos acabarem com a carreira, a família e o nome de alguém. Patrulhamento ideológico nojento, asqueroso. Lembro-me de Voltaire: cansei da civilização, se a civilização é isso. Vou ficar no meu jardim cuidando das minhas roseiras, como o sábio francês. Ganho mais, perco menos.

Quem é Adélio?
O “misterioso” Adélio Bispo, com uma facada quase mortal,  quase modifica a História do Brasil – incrível como um idiota quase consegue isso. Não basta identificar Adélio como um obcecado religioso ou extremista de esquerda, porque Bolsonaro também governaria para crentes. Socialistas não seriam tão tolos a ponto de incensa-lo à condição de herói sobrevivente de um atentado terrorista. Na verdade, o quase assassino é um fruto dos politicamente corretos que tentam deformar a opinião pública, com bastante sucesso, utilizando algumas piadinhas soltas por Jair Bolsonaro, alguns comentários dele fora do contexto, para entroniza-lo falsamente como homofóbico e nazista. A imprensa quase toda paga essa conta, muito embora seus baluartes olhem para os lados e finjam que não é com eles quando veem que deu merda. Os “haters” de internet idem. Todos aqueles que defraudam bandeiras de ódio são responsáveis pelo surgimento do terrorismo.

E agora?
Lá vou eu de novo com prognósticos. Revendo a coluna desta mesma época do ano passado, acertei 90%, bem mais que de outras vezes. E para 2019? Prevejo um ano pesadíssimo para a saúde democrática de nossas instituições, com o novo governo tomando porrada pra todo lado. Sua única saída é a segurança pública. Se Sérgio Moro emplacar meia dúzia de iniciativas úteis para controlar nossa criminalidade alarmante, o povo e o Congresso Nacional aceitam o governo. Se a quebradeira e a bandalha continuarem, nossa política viverá tempos turbulentos com reflexos óbvios na economia: aí aumentam as taxas de inflação e desemprego. Meu palpite? O Brasil está, mais uma vez, nas mãos de Sergio Moro.

O dito pelo não dito.
“Eu acredito que o destino da humanidade jaz nas estrelas” (Neil Gaiman, escritor inglês).