224 CASOS SUSPEITOS

Preocupante, já são 224 casos suspeitos de dengue em Paraíso: fumacê reforça combate

Por: João Oliveira | Categoria: Saúde | 23-01-2019 10:03 | 11356
Veículo que aplica veneno conhecido como fumacê é cedido pela SRS para ajudar no combate ao mosquito transmissor da dengue
Veículo que aplica veneno conhecido como fumacê é cedido pela SRS para ajudar no combate ao mosquito transmissor da dengue Foto de Nelson P. Duarte

Com a ascendência no número de notificações de casos suspeitos de dengue em São Sebastião do Paraíso e o alto índice no número de focos do mosquito transmissor da doença, a Vigilância em Saúde no município ganhou reforço do veículo que aplica o "fumacê", cedido pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) por intermédio da Superintendência Regional de Saúde de Passos (SRS/Passos) para combater e frear e tentar frear o aumento das notificações. A medida, que é a última usada e somente quando existe risco iminente de epidemia, é uma técnica mais agressiva para matar o mosquito transmissor da dengue.

Conforme explica a coordenadora da Vigilância em Saúde no município, atualmente as ações estão concentradas na região do São Judas, Vila Mariana, Rosentina, Santa Tereza e São Sebastião, onde tem havido um número maior de casos suspeitos. As ações têm sido pontuadas de acordo com as necessidades e o veículo responsável pela aplicação desse veneno deve ficar no município cerca de cinco semanas, mas dependendo na necessidade, o prazo pode se estender por mais algum período.

"Neste primeiro momento a previsão é intensificar as ações nessa área que denominamos como "trato 1", que são os bairros da parte baixa da cidade, entre eles São Judas, Santa Tereza, Diamantina, entre outros, por pelo menos cinco semanas, mas é quase certeza que o veículo que aplica o fumacê deva permanecer por mais tempo e ser direcionado para outras áreas. Como estratégia, permanecemos em uma área enquanto tiver sendo registrado notificações. Se precisar ir em outro local, finalizamos o ciclo e deslocamos onde há necessidade", explica.

CRONOGRAMA
O fumacê será aplicado de segunda a sexta durante um ciclo de cinco semanas, sempre repetindo nos locais referentes àquele dia. Na segunda (21/1), no período da tarde, a aplicação aconteceu nos bairro Vila Rosa do Carmo, Vila Mariana, Paraíso do Bosque e Rosentina I e II. Na terça, no período da manhã, foi a vez dos bairros Jardim Vitória Mambrini, Vila Operária, Vila Lobato, Jardim Canadá e Jardim Bernadete.

Ainda na terça-feira, no período vespertino, a aplicação aconteceu na Vila Helena, Conjunto Habitacional Maria Italiana e São Judas (iniciando próximo à AISP e seguindo a antiga linha de trem). Nesta quarta, pela manhã, o fumacê continua no São Judas, finalizando a aplicação no bairro no período da tarde e seguindo para o São Sebastião.

Na quinta-feira, no período da manhã, o fumacê será aplicado no Veneza, Jardim das Acácias e Parque Industrial. Já a tarde, ele passará pelo Residencial Santa Tereza, Caic e Jardim Diamantina. Na sexta (25/1), última etapa deste primeiro ciclo, a caminhonete irá passar pela manhã nos bairros Nascente do Paraíso, Azul Vile e Vila Verde. Serão cinco ciclos no total: o primeiro ciclo começou na segunda-feira (21/1) e se encerra na sexta (25/1). O segundo ciclo acontece entre os dias 28/1 e 1/2; o terceiro entre os dias 4/2 a 8/2; o quarto ciclo entre os dias 11/2 a 15/2 e o último ciclo entre os dias 18/2 a 22/2.

ATENÇÃO
Conforme a coordenadora da Vigilância em Saúde, Daniela Cortez, durante esses dias uma moto de propaganda volante deve passar pelo bairro avisando sobre a aplicação, já que o veneno é mais potente e pode fazer mal para crianças, idosos e animais domésticos, como passarinhos, em contato direto com esse jato de veneno. "Recomendamos que essas pessoas estejam dentro de casa para não receberem diretamente o veneno e também guardar passarinhos, que são aves mais sensíveis, além de retirar a roupa do varal", orienta.

Daniela explica que a aplicação deste fumacê é última opção em uma situação de estado de surto, já que também pode matar outros insetos. "É um veneno que atinge uma área maior e o que levaríamos dias para fazer com nossa equipe, conseguimos muito rápido com este veículo", acrescenta. Segundo Daniela, apesar dessas orientações, se a pessoa tiver uma horta no quintal de casa basta lavar bem a verdura antes de consumir que não terá problema.

OS NÚMEROS
Na última sexta-feira (18/1), quando o Jornal do Sudoeste publicou reportagem apontando os números de notificações em São Sebastião do Paraíso, a Vigilância já havia registrado 115 casos, porém, dados já apontam um aumento vertiginoso, totalizando 224 notificações, das quais quatro já foram confirmadas para a dengue. Conforme Daniela, os casos confirmados foram de pessoas que possuíam plano de saúde, mas o município deve começar a realizar esses exames também.

"Pelo Estado tem demorado mandar os resultados e vamos passar a fazer esses exames pelo município para agilizar o processo e ter esses resultados num prazo de cinco dias. Precisamos ter uma dimensão da situação e esses resultados são imprescindíveis", destaca. Conforme já havia dito anteriormente, tendo em vista que os sintomas daqueles que aguardam resultado são praticamente os mesmo sintomas daqueles que já foram diagnosticados positivamente com a doença, é provável que o número de resultados positivos seja alto.

Na primeira semana deste ano foram notificados à Vigilância em Saúde 23 casos. Na segunda semanada, entre os dias 6 e 12 foram 43 notificações. Na terceira semana, entre os dias 13 e 19 foram 113 casos e, nesta semana, do dia 20 até a data de fechamento desta matéria, 22/1, já são 45 casos. "São números que preocupam bastante, mas temos trabalhado muito para controlar, mas é preciso que a população colabore", destaca.

Em Minas, de acordo com boletim epidemiológico mais recente divulgado na segunda-feira (21/1), no Estado já foram registrados 4.112 casos prováveis (casos confirmados + suspeitos) de dengue e dois óbitos estão sob investigação para dengue. Em Passos, uma pessoa morreu e a dengue está sendo tratada como dengue. Em relação à Febre Chikun-gunya, Minas Gerais registrou 63 casos prováveis e dois óbitos em investigação. Já em relação à Zika, foram registra-dos 23 casos prováveis da doença em 2019.

MAIOR ÍNDICE NO MUNICÍPIO
A região do São Judas, Santa Tereza e São Sebastião, e bairros adjacentes a estes, foi onde houve o maior índice de infestação o mosquito da dengue na cidade. Para se ter uma ideia, em todo o município o Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) apontou 9,3% de infestação, já naquele região foi de 15,6%.

"É uma região que temos trabalhado todos os dias, e todos os dias encontramos foco do mosquito. Todos os agentes da epidemiologia estão direcionados para esta área assim como o UBV pesado - salvo em caso de notificações em outras áreas e deslocamos com uma equipe para essas localidades, porém, os agentes estão concentrados ali na região do São Judas", destaca Daniela Cortez.

Na próxima semana também deve acontecer um mutirão de limpeza para intensificar ainda mais essa batalha contra o mosquito. A coordenadora da Vigilância em Saúde destaca que por sorte não tem chovido com muita frequência, já que o ovo do mosquito é muito resistente e qualquer água parada pode servir a ser berço para ele ecloda e siga seu ciclo de vida normalmente.

"É uma luta constante. Os agentes da epidemiologia estão fazendo os bloqueios e trabalhando muito, mesmo tendo saído em algumas mídias que o município não tem feito nada para combater a dengue. Estamos correndo bastante para frear esses números, mas infelizmente não é uma situação que depende única e exclusivamente de nós da Epidemiologia, a população também tem que nos ajudar. Ainda enfrentamos problemas com moradores que não nos deixa entrar - que são pontos críticos e que sempre dão problema - e estamos fazendo um trabalho junto a Guarda Municipal para conseguir realizar nosso trabalho", completa a coordenadora da Vigilância em Saúde.

DICAS
As ações que podem levar ao combate da dengue são simples e, conforme destaca Cortez, podem colaborar 100% de forma efetiva no combate a dengue. Daniela destaca que a dengue mata e que a população deve estar atenta aos seus quintais, vistoriando todos os dias já que o mosquito é capaz de proliferara de forma rápida, tendo em vista as atuais condições climáticas. Entre essa ações estão:

- cuidado especial no armazenamento e destinação do lixo, mantendo-o em recipiente fechado e disponibilizando-o para recolhimento pela Limpeza Urbana na frequência usual;

- jamais descartar o lixo ou qualquer outro material que possa acumular água no quintal de casa, no quintal de vizinhos, na rua ou em lotes vagos;

- manter a caixa d"água sempre limpa e totalmente tampada;

- manter as calhas livres de entupimentos para evitar represamento de água;

- eliminar os pratinhos de vasos de plantas; caso não seja possível, mantê-los limpos e escovados pelo menos três vezes ao dia;

- manter limpos e escovados os bebedouros de animais domésticos; a água deve ser trocada diariamente;

- manter piscinas sempre em uso e devidamente tratadas;

- atenção especial ao sair de férias para que esses cuidados estejam garantidos na ausência do morador;

- caso perceba a manifestação de qualquer sintoma de dengue ou febre Chikungunya, procurar imediatamente o centro de saúde mais próximo.