ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 23-01-2019 10:57 | 89
Foto de Reprodução

Brexit
Quando se aprovou o Brexit, a retirada da Inglaterra da União Europeia, a maioria dos britânicos com os quais conversei se mostrou isolacionista como seus primos americanos, com interesses restritos ao que ocorra em seu próprio e rico quintal. Mesmo na União Europeia e, via de consequência, na Zona do Euro, desde o surgimento da poderosa aliança a Inglaterra nunca adotou a moeda única de seus vizinhos e sempre se manteve distante das querelas internas daqueles que considera povos forasteiros do continente europeu com os quais não se identificam. São realmente habitantes de uma ilha segregada que só compõe a Europa por artimanhas dos nossos livros de Geografia e porque teriam, obrigatoriamente, de compor algum continente para fins de estudos estatísticos.  Agora, no parlamento inglês de representantes dessa ilha, o Brexit vai por água abaixo e se fala em novo plebiscito e em apuros para a permanência no poder da Primeira Ministra Thereza May. Coisas do paradoxal Direito Parlamentar e da complicada política britânica. Somente naquele parlamentarismo clássico se concebe que amplas maiorias de representantes do povo não sigam as tendências do eleitorado que os elegeu.

A Zona do Euro
A Criação da União Europeia é um velho sonho do carismático britânico Winston Churchill, que lhe dava outro nome mais esclarecedor: Estados Unidos da Europa. Churchill era filho de mãe americana e absolutamente entusiasmado com o novo mundo representado pelos então emergentes EUA. Entendia que só uma federação de países europeus à moda dos Estados Unidos salvaria o velho continente da ruína financeira do pós-guerra. Décadas depois de sua morte, o velho Winston ficaria feliz em saber que a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética fizeram jovens dirigentes das nações europeias consolidarem suas ideias com o distinto nome de União Europeia. Desde sua origem, a UE criou uma zona livre de comércio sem barreiras alfandegárias, com circulação também livre de europeus pelas fronteiras internas e moeda única. Seria um paraíso, mas com o tempo inúmeros problemas surgiram, gerando desigualdades. Ironicamente, nem todos os países que integram a zona do Euro adotaram o Euro como moeda, aí se inserindo, inclusive, a Inglaterra do Brexit. A adesão de países vivendo economicamente prosperidades e retrocessos distintos enfatizam desigualdades ao revés de aplainá-las. Assim é que a Itália, por exemplo, permanece em crise há dez anos, enquanto a Alemanha é um gigante econômico poderoso e Portugal vai se desvencilhando da caricata figura de primo pobre da Europa para se tornar um país com pleno emprego – diferentemente da Grécia e da Irlanda do Norte, imersos em dívidas e literalmente “quebrados”, apesar da adoção do Euro e dos vizinhos ricos. A migração interna também atrapalhou bastante o convívio entre os países da UE: romenos e húngaros mendigam por todo o resto da Europa em fuga de seus territórios desfigurados pela fome. Imigrantes de países mais pobres acirram a competição interna por vagas no mercado de trabalho nas nações mais ricas. Por esses principais motivos é que os britânicos optaram por sair da turma do Euro que de fato jamais integraram plenamente – e agora poderão retroceder nessa decisão.

Artimanhas da Língua (I)
Muitos tradutores da língua inglesa para o Português não levam em consideração aspectos históricos e definições geográficas ao traduzir, gerando confusões que alcançam gerações de estudantes e profissionais. É o caso da denominação “Bretanha”, que não se refere às Ilhas Britânicas lideradas pela Inglaterra, mas a região da “Bretagne”, na França. Um bretão é, portanto, um francês. O inglês é britânico – “Britain” em bom inglês. Livros antigos de História confundem isso o tempo todo.

Artimanhas da Língua (II)
Os imigrantes sofrem também com a língua, além de serem obrigados a viver em países estranhos. O imigrante é quem está chegando ao país, o emigrante é quem está saindo. A imigração é o nome do fenômeno. Já o “migrante”, sem o i ou o e, é quem muda de paragens dentro do próprio país em busca de uma nova vida.

O dito pelo não dito
Aprendi que não devo me importar com comentários que não irão mudar a minha vida”. (Jô Soares, escritor e humorista brasileiro).