FALANDO DE EDUCAÇÃO

Falando de Educação

Por: Cícero Barbosa | Categoria: Do leitor | 24-01-2019 10:00 | 1151
Prof. Me. Cícero Barbosa
Prof. Me. Cícero Barbosa Foto de Reprodução

A coluna “Falando de educação” abordará semanalmente textos que apresentem conceituações e explicações gerais sobre a educação brasileira visando conscientizar e informar a sociedade sobre questões tão importantes dessa área do conhecimento. Também serão publicados artigos que reflitam sobre situações pontuais da educação tanto no cenário nacional, estadual e local. As reflexões e textos dessa coluna terão a chancela do professor Cícero Barbosa – professor no ensino fundamental da rede pública municipal de São Sebastião do Paraíso e professor universitário na UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Acadêmica de Passos.

Uma boa leitura a todos...

Falar de educação
Atualmente tenho visto com muita preocupação muitas pessoas falando de educação, especialmente depois da mudança no governo federal e nos governos estaduais nesse início de 2019.

Isso não é novidade, afinal a educação sempre foi e continua sendo um dos temas mais falados seja no cotidiano das pessoas, em casa na família, no trabalho, no meio político, no meio empresarial, etc. 

O problema não é falar de educação, o problema é que muitos profissionais sem a devida formação profissional quererem opinar sobre a educação escolar e sobre como deve ser a gestão da educação, como os professores devem atuar, como devem ensinar, dentre outras particularidades.

Comentar sobre a educação de modo básico, corriqueiro e comum é importante para que possamos conscientizar as pessoas ao nosso redor sobre a importância que a educação possui em nossa sociedade, o direito de expressão é garantido a todos os cidadãos brasileiros.

Porém, fazer educação escolar não é uma coisa tão simples como parece. Discutir políticas públicas de educação, opinar sobre a legislação educacional, avaliar a qualidade do trabalho de um professor, avaliar a aprendizagem dos alunos, comentar formação de professores, falar sobre o desempenho das escolas e redes de ensino, discutir a qualidade de materiais didáticos, avaliar instrumentos e métodos de avaliação educacional, definir currículo, etc., exige um conhecimento específico e aprofundado sobre a determinada temática que se deseja.

Infelizmente a educação brasileira ao longo da história foi e, infelizmente, continua sendo um campo de disputas políticas sem o real entendimento de que ela deve ser respalda por políticas de Estado e não por ações políticas partidárias.

Muito me estranha médicos, advogados, administradores públicos, gestores empresariais, economistas, engenheiros, militares, dentre outros diversos profissionais quererem e, o pior, estarem opinando sobre temáticas tão complexas como é o caso dos diversos temas relacionados à educação. E o mais complicado dessa situação é que muitos dos profissionais com essas formações de outras áreas do conhecimento são aqueles que estão criando e tentando, por todo o Brasil, implementar políticas educacionais, que segundo eles visam à melhoria da qualidade da educação, são os gestores das secretarias municipais e estaduais de educação, são ocupantes de cargos do escalão mais elevado da educação brasileira.

Assim como falar de doenças, suas causas e consequências requer um conhecimento específico e aprofundado da temática, assim como falar de indicadores econômicos necessita de um conhecimento teórico que respalde a referida argumentação, as discussões sobre as temáticas educativas, sobre as escolas, e, sobretudo sobre o trabalho docente necessitam, mais do que em outros tempos, de um olhar técnico sobre as diferentes interfaces da educação.

As contribuições de todos os colegas das diversas áreas do saber são bem-vindas nas discussões das políticas e da gestão educacional, porém, tal como a palavra final sobre um laudo de saúde é do médico, tal como é o advogado que sustenta a defesa do seu cliente, que seja respeitado o papel do professor, do pedagogo e dos demais profissionais da área de educação na formulação das políticas públicas de educacionais. Afinal, foram eles que estudaram para educar a sociedade e para gerir os processos educativos, são eles que conhecem a realidade das escolas e salas de aulas Brasil afora. Infelizmente, na maioria das vezes os educadores recebem as decisões curriculares, operacionais, didáticas e políticas que envolvem seu trabalho de cima para baixo sem a devida participação no processo de discussão dessas decisões.

O princípio da gestão educacional democrática consagrado na Constituição Federal de 1988 e na LDB de 1996 ainda não é de fato uma realidade no cenário educacional brasileiro.

É preciso que os educadores brasileiros se unam para que tenham seus direitos e prerrogativas profissionais garantidos e que então seja possível uma educação de fato pensada por aqueles que efetivamente se dedicam ao fazer educativo em nosso país.

É urgente que os políticos brasileiros compreendam que as discussões sobre as questões educacionais devem ser realizadas pelos profissionais que de fato entendem de educação. Faz-se necessário que os cargos públicos de gestão educacional independentemente do nível e esfera governamental sejam ocupados por pessoas devidamente formadas na área de educação e que tenham vivência e experiência de sala de aula, de educação básica, de trabalho docente, pessoas que tenham visão pedagógica e queiram uma educação de qualidade para todos.

Como se diz popularmente: falar, até papagaio fala. Porém, o importante é falar com embasamento técnico, legal e sobretudo com conhecimento da realidade.

Somente a educação pode transformar a realidade social do nosso Brasil.

Prof. Me. Cícero Barbosa - Doutorando em Educação Escolar pela UNESP – Araraquara, mestre em Educação Escolar pelo Centro Universitário Moura Lacerda, também possui diversos cursos de especialização pela UFSJ, UFLA, UNIFEI, UFMG, UNIRIO. É professor do ensino fundamental na rede pública municipal de São Sebastião do Paraíso, e professor universitário da UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Acadêmica de Passos.

Prof. Me. Cícero Barbosa