CRÔNICA JOEL CINTRA BORGES

Sobre Deus, religião e ateísmo

Por: Joel Cintra Borges | Categoria: Do leitor | 27-01-2019 11:44 | 883
Joel Cintra Borges
Joel Cintra Borges Foto de Reprodução

O ateu é a pessoa mais pobre do mundo: não é dono de nada, porque tudo é transitório, ninguém leva meio hectare de terra, por mais fértil ou infértil que seja, nem mil escrituras de salas e apartamentos na Broadway. Caixão não tem gavetas, de forma que tudo nos é emprestado, até a roupa, o corpo que utilizamos, e que um dia devolveremos à mãe terra, com todos os elementos que o compõem: o carbono, o fósforo, o nitrogênio, o ferro, o potássio, o flúor, a prata... Eles passarão a fazer parte de plantas, de vermes, de animais e até de outros homens.

Que levaremos para o porvir, para o espaço sideral, para o Universo que nos circunda e que, obviamente, não nos acompanhará na viagem para o nada, ou para um porvir de crenças, esperanças, ou de certezas: tudo, porque para o sonho não há limites. E porque, pela lógica, tudo que vemos numa noite estrelada, esses bilhões de astros, não estão ali para que os vejamos apenas. Um dia serão lugares como a Europa, que era tão longe, tão inacessível, e que hoje está a apenas nove horas de voo num avião confortável. Ou de uma chamada de telefone celular que leva poucos segundos e que permite até que vejamos a pessoa do outro lado do mundo!

Para que serve a religião? para nada? é uma invenção dos homens e que já passa da hora de ser aposentada? Marx, copiando o filósofo Engels, já disse isso na famosa frase: “A religião é o ópio do povo.” Não é esse nosso pensamento. Acreditamos que a religiosidade, nas suas diversas formas e encarada de uma maneira séria, serve para aproximar o homem de Deus, da ética, da moral, dos bons costumes. Tudo que não é exercitado cai no esquecimento, acaba até perdendo a razão. Quando lemos que, apenas alguns anos atrás, um atirador sozinho matou mais de setenta jovens numa ilha da Noruega, como forma de protesto contra a política de imigração de seu país – indiferente à dor imensa que isso causaria para dezenas de famílias – o que pensamos é que faltou a ele um mínimo de ética, de moral, de respeito para com o próximo. Coisas ensinadas diariamente pelas várias religiões sérias do mundo.

E Deus? Bertrand Russel escreveu que temia a pergunta: “Quem criou tudo?” E como ele ficava calado, a resposta quase que imediata era: “Como todo o efeito tem que ter uma causa, essa causa primária só pode ser Deus!” Até que lhe ensinaram a continuar perguntando: “Se todo efeito tem que ter uma causa, quem, ou o que, criou Deus?” E volta tudo à estaca zero, resvalando para discussões filosóficas intermináveis.

A conclusão a que chegamos, após quase oitenta anos de vida, de estudos, meditações, inclusive uns quinze anos de completo ateísmo, é que prova concreta da existência ou da não existência de Deus não existe. Mesmo porque uma máxima da ciência é que contra provas não há argumentos.

Para mim, a crença em Deus, na vida após a morte, nessa maravilhosa continuação de tudo (quando tudo, tudo mesmo, é possível!) vem da observação de pequenos fatos do dia a dia: de mães que salvam filhos de grandes perigos apenas porque cismaram que estava acontecendo algo; de premonições que a a ciência não é capaz de explicar, e de fenômenos mil que acontecem a nossos olhos diariamente (basta que mantenhamos nossa antena ligada!), a comprovarem a existência de um ser supremo, um grande artista e extraordinário sábio. Deus.