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Alerta: Paraíso tem 25 casos confirmados e notificações de 345 casos de dengue

Tendência é que números continuem aumentando; município mantém fumacê para combater agente transmissor da doença
Por: João Oliveira | Categoria: Saúde | 04-02-2019 09:54 | 8566
Foto de Jornal do Sudoeste

 

O cenário da dengue em São Sebastião do Paraíso tem piorado progressivamente diante ao aumento dos casos prováveis notificados e os números recentes de casos confirmados da doença e que refletem o que já vinha sendo previsto pela Vigilância em Saúde e pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerias: epidemia. Dados mais recentes revelam que já são 345 casos prováveis, dos quais 25 são positivos. Atualmente o município tem feito os exames para confirmar ou descartar as suspeitas e um decreto foi publicado para que medidas mais enérgicas sejam tomadas para o combate à dengue.

A situação preocupa e o mosquito, conforme destacado em palestra realizada na quarta-feira (29/1) pela Superintendência Regional de Saúde de Passos (SRS/Passos), tem evoluído ao longo dos anos e, inclusive, estudos apontam que o Aedes Aegypti tem gerado ovos já contaminados pelo vírus, que por sua vez dá vida a agentes transmissores já infectados pela doença. "Não foi identificado em Paraíso, mas existem pesquisas que comprovam isto. Além disto, eles criam resistência a venenos e é esta a nossa maior preocupação, é justamente por isso que aplicamos com muita cautela, para que isto não aconteça", destaca a coordenadora da Vigilância em Saúde, Daniela Cortez.

Para se ter uma ideia da gravidade, antigamente os mosquitos se desenvolviam somente em água limpa e parada, mas esse cenário já se modificou e, conforme aponta Cortez, já é comum encontrar focos do mosquito em água suja parada. "Por isto a importância da população compartilhar esta preocupação e nos ajudar nesse combate, ficando de olho nos seus quintais e não descartando lixo de maneira inadequado, muito menos em lotes vagos", destaca a coordenadora. Conforme destaca Cortez, somente os dados referentes a janeiro equiparam situação à epidemia de dengue de 2015.

Daniela comenta ainda que é importante que a sociedade esteja unida e que toda e qualquer suspeita chegue ao conhecimento da Vigilância em Saúde, já que, conforme ressalta, são essas notificações que vão dar um norte para os trabalho desempenhados pela epidemiologia do município. "Pode acontecer de um cidadão passar por um consultório particular ou até mesmo um posto de saúde e isso passa despercebido, então nosso trabalho também é estar orientando os profissionais da saúde a sempre nos notificar", destaca.

Outra preocupação é com relação às pessoas que já contraíram a doença, principalmente em 2015, quanto os casos prováveis ultrapassavam 1,5 mil notificações em Paraíso. "Sabemos que o que está circulando é o dengue 2, é um vírus mais severo e quem já teve dengue, de qualquer tipo, o anticorpo que foi produzido na primeira dengue, ao contrair novamente, esse anticorpo cria um espécie de porta de entrada para o vírus da doença na célula, então ela passa a produzir muito mais vírus e isso faz com que caia as plaquetas; em casos mais graves a pessoa pode sofrer de dengue hemorrágica. Em Paraíso ainda não chegamos a esses casos extremos, mas todos nós da saúde estamos trabalhando em alerta", ressalta Daniela.

A coordenadora ressalta que com crianças e idoso, além de pessoas com doenças crônicas, a preocupação é maior. "A criança é por não ter tido contado com esse vírus que circula no ambiente há algum tempo e o idoso pela baixa imunidade. Também há riscos para quem possui diabetes e pressão alta e essas pessoas têm que estar muito atentas e não deixar de usar o repelente. Para crianças há repelentes específicos é só seguir a bula corretamente", salienta.

A coordenadora da Vigilância diz ainda que atualmente o município está cedendo o repelente para grávidas e, tendo em vista a situação atual do município, nas áreas de infestação, entre elas Santa Tereza, São Judas e São Sebastião, para pessoas idosas; esse repelente por encontrado nas Unidades de Saúde da Família. "O nosso objetivo é liberar para o maior número possível de pessoas, mas o foco são pessoas que estão nesse grupo de risco", explica.

MUTIRÃO DE LIMPEZA
Embora seja uma forma de evitar ser picado pelo mosquito, o uso do repelente não resolve a situação alarmante do município, somente a destruição dos focos. "Nossas equipes estão concentradas nessas áreas críticas para combater o mosquito. Os agentes estão indo de casa em casa, buscando eliminar todos os focos, além dos mutirões de limpeza", ressalta.

No último sábado (26/1) a Vigilância em Saúde realizou um mutirão de limpeza no bairro Santa Tereza e o resultado não foi o esperado. "Foram poucas as casas que conseguimos entrar para verificar se haviam materiais que pudessem ser recolhidos, grande parte das pessoas não autorizou", lamenta a coordenadora da Vigilância em Saúde.

Ela destaca que a população precisa se conscientizar para que haja uma solução conjunta. "Vamos fazer uma parceria com a Secretaria de Obras e Defesa Civil para atender as áreas públicas e vamos continuar indo nas casas. Por enquanto as ações estão concentradas no Santa Tereza, São Judas e São Sebastião, mas vamos, aos poucos abranger outras áreas", acrescenta.

Neste sábado (2/2), um novo mutirão de limpeza em parceria com a Secretaria municipal de Obras será realizado no bairro Nascentes do Paraíso. Naquela região, servidores irão recolher materiais e visitar casas para poder remover o máximo possível de materiais que possam servir de criadouro para o agente transmissor da dengue. "Os mutirões serão realizados todos os sábados e a escolha será feita conforme o número de casos notificados", destaca Daniela.

DESCARTE DE PNEUS
O pneu é um dos materiais que mais podem contribuir para aumento dos focos dos mosquitos e o município tem um local destinado para o seu recolhimento. Conforme ressalta Cortez o "Eco Ponto", onde este material é recebido para uma destinação correta fica situado na Avenida Andorra, nº 90, no Parque Industrial, próximo ao Jardim Europa, com funcionamento das 8 às 14h, sem horário de almoço. "Qualquer pessoa pode deixar esse material lá, sem custo nenhum. Os borracheiros já têm esse conhecimento e rotina de encaminhar  esses pneus para o Eco Ponto", destaca.

CHUVAS
O desafio neste momento tem sido manter os trabalhos, principalmente de bloqueio com UBV pesado e com o fumacê, já que a chuva pode lavar esse veneno atrapalhando todo o trabalho que é desenvolvido pela Vigilância em Saúde.  "Há essas condicionantes, já que não adiante simplesmente jogar o veneno", acrescenta. Diante disto, a coordenadora da Vigilância em Saúde ressalta a importância da população em colaborar para que se reduza o máximo possível os focos do agente transmissor da doença.

"É uma chuva que não tem ajudado em nada na situação e só contribui para que acumule água e, tendo em vista o tempo quente e abafado, só crias as condições ideias para que o mosquito se prolifere. Antes pedíamos que pelo menos uma vez por semana o cidadão fizesse uma vistoria em sua residência em busca de acúmulo de água, agora pedimos que isso seja feito diariamente porque a situação é grave e precisamos estar atentos", aconselha.

DECRETO
Pensando na gravidade da situação e na necessidade de medidas emergenciais, o prefeito Walker Américo Oliveira baixou decreto autorizando a contração para agentes epidemiológicos, compra de insumos emergenciais, além de apertar o prazo para proprietários limparem seus terrenos.

Conforme decreto, as visitas às residências pelos agentes de endemias serão realizadas das 8h às 18h e, em caso de ausência do proprietário, será deixado uma notificação com data marcada da nova visita e, caso persista a ausência do morador, será realizado o ingresso forçado pelo agente, acompanhado da Guarda Municipal e autoridade judicial ou policial, para que haja as medidas necessárias para o controle do vetor da dengue.

Além disto, as notificações para limpeza de terrenos sem edificações realizadas pela Vigilância em Saúde deverão ser lavradas utilizando o menor período para atendimento constante na legislação. O decreto, que também suspende férias dos servidores até que situação da dengue seja controlada e que prevê a contratação de servidores se necessário, terá validade de 180 dias podendo ser prorrogado pelo tempo que durar a situação de surto da dengue.