CRÔNICA JOEL CINTRA BORGES

O remédio amargo

“A gazela acorda com o arrulhar da pomba; a rocha, só com dinamite”. –  Emmanuel
Por: Joel Cintra Borges | Categoria: Cultura | 04-02-2019 10:04 | 305
Joel Cintra Borges
Joel Cintra Borges Foto de Arquivo

Muitas vezes passamos por situações terríveis, devido a doenças pessoais, ou em parentes muito próximos; graves problemas financeiros que abalam fortemente nossa estrutura; morte de um ente querido, uma esposa, um esposo, um irmão, um filho;  desajustes conjugais, que sempre machucam muito, porque é um castelo de sonhos que levou anos para ser construído e que, de repente, desaba, cai por terra de uma vez...

Há uma corrente na medicina, indiana, se não me falha a memória, que – diante de um desajuste na saúde – antes de mais nada, pergunta:

–  O que é que essa doença veio me ensinar? O que ela veio me dizer?

Porque a grande verdade é que nada ocorre por acaso. Nem a queda de uma folha de uma árvore. Pela simples razão que, se tal coisa acontecesse, seríamos forçados a acreditar que Deus perdera o controle dos acontecimentos. Se cai uma folha por acaso, pode cair um mundo, uma galáxia, até o Universo inteiro.

Há uma lei, à qual todos estamos sujeitos, e que se chama Lei da Evolução. Ela ensina simplesmente que ninguém pode ficar parado, estacionado. Água parada apodrece, cheira mal. É imperativo que nos movimentemos, que cresçamos, que ultrapassemos marcas às quais chegamos há muito tempo e nas quais estamos encostados, como que dormindo sobre os louros conquistados...

Não somos médicos, engenheiros, veterinários, vendedores ou advogados... Estamos desempenhan-do esses papéis, cumprindo essas tarefas na atual existência. O que somos mesmo é Espíritos imortais em tarefa evolutiva. Crescendo em sabedoria e em moralidade. Aprendendo a Amar de maneira incondicional e abrangente. Não apenas nossa esposa, nossos filhos, que isso até os animais selvagens sabem fazer.

São Francisco de Assis costumava dizer: Irmã Dor!... Porque ele sabia que, embora remédio amargo que ninguém quer tomar, ela é a maior das mestras. É o chamado derradeiro, utilizado  quando todos os outros apelos falham. É a dinamite que vem despertar a rocha em que às vezes nos tornamos...