FALANDO DE EDUCAÇÃO

Intensificação do trabalho do professor

Por: Cícero Barbosa | Categoria: Do leitor | 14-02-2019 08:51 | 1332
Professor Me. Cícero Barbosa: Doutorando em Educação
Professor Me. Cícero Barbosa: Doutorando em Educação Foto de Reprodução

Ao longo das últimas décadas temos acompanhado diversas mudanças na educação nacional, e sobretudo em relação ao trabalho dos professores. Essas mudanças são frutos das reformas educacionais que visam à promoção da justiça social e à diminuição da desigualdade social.

As mudanças ocorridas na sociedade como um todo, e em todas as suas interfaces, têm levado as escolas a assumirem papéis que antes eram de responsabilidades de outras instituições sociais, inclusive responsabilidades que, em tempos não tão distantes, eram das famílias.

Salas de aulas lotadas e com uma diversidade de níveis de aprendizagem dos alunos, atendimento a estudantes com necessidades especiais (sem os necessários recursos tecnológicos e pedagógicos), crianças com acentuadas dificuldades de comportamento, falta de apoio das famílias no processo educativo, são alguns exemplos de situações que intensificam o trabalho do professor.

Diante disso, os professores, as professoras, coordenadores pedagógicos, diretores, e demais profissionais que atuam nas escolas têm assumido atividades que vão além daquelas específicas da sua formação e do cargo que ocupam.

Aos professores já não cabe mais apenas ensinarem os conteúdos técnico-científicos de modo afetivo e compromissado, tal como a grande maioria dos professores fazem. Constantemente os professores necessitam ser conselheiros dos alunos e até das suas famílias, assumem o papel de assistente social, de psicólogo, de fonoaudiólogo, de pais, de mães, e até de enfermeiros. Faltam às escolas pessoal técnico específico para dar contribuir com a resolução dos problemas pessoais dos alunos e de suas famílias, problemas esses que interferem diretamente no processo de ensino e aprendizagem.

Além disso, as novas exigências impostas pelas políticas educacionais tais como as avaliações em larga escala SIMAVE, Prova Brasil, PISA, dentre outras exigem que o professor busque constantemente novas formações e qualificações, e que a sua atuação profissional garanta os melhores resultados pedagógicos.

Devido a todas essas mudanças e novas exigências a carga horária real de trabalho do professor não é apenas aquela que ele cumpre na escola com seus alunos. Atualmente os professores levam para casa uma quantidade de atividades muito superior do que levavam em outras épocas e tais atividades dificilmente são remuneradas como deveriam. O professor gasta sua energia elétrica, seu computador, sua impressora, papéis e outros materiais que ele compra (com recursos dele) sem receber nada em troca por isso.

O trabalho dos professores, sobretudo na educação básica, e mais especificamente nos anos iniciais do ensino fundamental, vem passando por diversas modificações que afetam a execução das atividades pedagógicas, pois a intensificação do trabalho decorre de um crescimento da produção sem alterações das relações de trabalho. As tarefas dentro da instituição de ensino crescem, sem o aumento adequado de pessoas qualificadas para colaborarem com as atividades docentes no âmbito escolar.

Por tudo isso os professores da educação básica carecem de melhores condições de trabalho, de melhores salários, de apoio técnico em seu fazer profissional, dentre outras necessidades para que ele se sinta valorizado.

Intensificação do trabalho do professor significa professores fazendo mais que deveriam, atuando além das suas obrigações e ganhando salários menores do que sua formação profissional deveria garantir.

Esse fenômeno da intensificação do trabalho docente tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores da educação e os resultados dessas pesquisas apontam que é necessário a implementação de políticas públicas educacionais que assumam, de fato, a escola como instituição essencial para o desenvolvimento da sociedade, e que a valorização do professor e demais trabalhadores da educação seja real e não meramente um discurso político.

Segundo a Constituição Federal de 1988 a educação é um direito de todos, e um dever da família e do Estado. Portanto, não se pode deixar toda a responsabilidade da educação por conta apenas dos professores.

Valorizar o professor é essencial para que a intensificação desses trabalhadores seja reduzida e para que a qualidade da educação nacional seja ampliada.

Professor Me. Cícero Barbosa: Doutorando em Educação Escolar pela UNESP – Araraquara, Mestre em Educação Escolar pelo Centro Universitário Moura Lacerda, professor do ensino fundamental (anos iniciais) na rede pública municipal de São Sebastião do Paraíso, professor universitário na UEMG – Unidade Acadêmica de Passos, presidente do Sindicato dos Servidores da Educação Pública Municipal de São Sebastião do Paraíso – SindEduc-SSP.

Professor Me. Cícero Barbosa: Doutorando em Educação