REDAÇÃO

O Desastre em Brumadinho

Por: Redação | Categoria: Educação | 04-03-2019 07:37 | 2112
Larissa Vitoria Moreira
Larissa Vitoria Moreira Foto de Reprodução

Muito se tem falado nos últimos dias sobre o desastre que ocorreu em Brumadinho na região metropolitana de Belo Horizonte – MG, quando uma barragem de rejeitos de minério, na “Mina do córrego do feijão” se rompeu, causando a morte de 180 pessoas (dado do dia 28/02), famílias desoladas, mais de 100 desaparecidos, animais de criação sendo sacrificados, plantações perdidas e a imagem do desastre que deve e ficará em nossas mentes por um longo tempo.

Sim. Muito se tem falado e não deveria ser diferente! É realmente um absurdo sem tamanho que tal desastre tenha ocorrido pela segunda vez em nosso país num intervalo tão curto: três anos! Em Mariana, onde uma barragem estourou em 2015, o prejuízo foi bem menor, graças à sirene que avisou os moradores, que deixaram suas casas.

Para termos uma pequena noção; imagine-se como um atingido pelo desastre, você sente um tremor, e ao longe vê a barragem estourar, ao que parece uma avalanche de lama, ondas enormes engolindo tudo pela frente. Você começa a correr sabendo que seria inútil, vê um colega de trabalho com as mãos unidas e ao que parece está a orar, vê um outro bem atrás sendo arrastado pela lama, jovens a sua frente espantados demais para correr olhando e esperando a lama chegar. Ela te atinge e você é carregado por vários metros à frente, nuns últimos segundos de consciência enquanto a lama diminui o ritmo, você tenta mover braços e pernas, mas estão machucadas e a pressão é grande sobre elas, e o pouco que você move te leva para baixo. Cansado, seus últimos pensamentos são em sua família, e agradece pela lama não ter lhe alcançado com sua força inicial, pois você não teria chance de pensar naqueles ama. Por fim deixa a lama lhe adentrar a boca. E nada. 30 segundos.

Imagine agora um parente, um amigo, colega em uma situação como essa. E você sem poder fazer nada. “Era só mais um dia de trabalho”, pensaram ao amanhecer.

Essa situação não pode de forma alguma continuar. Barragens, como a de Brumadinho, consideradas de baixo risco só para serem usadas mais rapidamente, podem estourar a qualquer momento! Hoje no Brasil, de acordo com a A.N.A (Agência Nacional de Águas) existem mais de 24 mil barragens utilizadas para diferentes fins. Dessas, de acordo com a BBC News Brasil em Londres, 300 não foram fiscalizadas, há 200 com alto potencial de estrago! De acordo com a Folha de São Paulo de 24 mil, 790 são de mineração e 167 pertencem a Vale S/A.

O que nos causa mais revolta é um fato que veio à tona após o rompimento, (de acordo com o site “O Globo”, entre outros): a VALE sabia que a barragem poderia estourar desde 2017! A VALE fala sobre uma doação de 100 mil reais a cada família prejudicada? Em meio a tanta tristeza, como pensar que qualquer quantia no mundo cubra a falta de um irmão, um amigo, um pai, uma mãe?

Medidas precisam ser tomadas e rápido! O Greenpeace publicou recentemente em seu site uma petição para que as operações da VALE no país sejam canceladas até uma devida fiscalização. Após Mariana muitas medidas foram discutidas, porém poucas foram de fato feitas; temos que assegurar a punição de todos os culpados e exigir que novas medidas sejam adotadas, e monitoradas. O Brasil não tem condições de dormir com o medo de acordar, com mais notícias como esta: LAMA, MORTE E DOR.

Minas não tem mar. 
Mas fizeram dois mares de lama em Minas.
[...]
Foi o homem que fez a lama, que jogou Mariana e Brumadinho no chão.
Tingiu de marrom as águas do meu Rio Doce.
Coloriu de terra o meu Paraopeba.
Vai tingir meu Velho Chico.
Vai calar a voz dos passarinhos.
Matar os peixes.                 
Que será de mim?
Quem devolverá tudo que levaram de mim?
(Maria Ávila, moradora de Sete Lagoas)

Por: Larissa Vitoria Moreira, 15 anos. 2º B
Professora: Bárbara Labibe.
Escola Estadual Doutor Tancredo de Almeida Neves,
São Tomás de Aquino.  2019