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Diego Farinon: Uma busca constante pelo conhecimento e novas experiências

“A vida é uma aposta e temos que estar sempre abertos à aprendizagem”
Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 12-03-2019 20:26 | 1376
Diego veio de Curitiba para integrar a equipe jurídica da Câmara Municipal, ao lado da advogada Raissa Bugança
Diego veio de Curitiba para integrar a equipe jurídica da Câmara Municipal, ao lado da advogada Raissa Bugança Foto de João Oliveira

O advogado, chefe de cozinha e assessor jurídico da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, Diego Alceu Farinon, chegou a Paraíso recentemente após ser nomeado para o cargo em que foi aprovado em concurso realizado no final do último ano. Diego é natural de Assis, cidade do interior de São Paulo próximo à divisa com o Estado do Paraná. Filho mais novo do militar Alceu Alfonso Farinon e da pedagoga Lúcia Helena Farinon, Diego se formou em Direito, mas logo depois abandou a área e decidiu estudar Gastronomia, tendo ido parar em Curitiba, onde trabalhou por dois anos na área até decidir iniciar sua peregrinação pelos concursos públicos. Descobriu Paraíso por meio de sua parceira, que também prestaria o concurso da Casa Legislativa paraisense. Em Paraíso, por ora, ele pretende se estabelecer, continuar os estudos e quiçá começar a advogar no município.

Jornal do Sudoeste: Onde passou a infância e como foi a sua formação?
D.A.F.: Sou natural de Assis (SP), cidade que é divisa com o Paraná (PR), de onde é a família do meu pai; minha mãe é do interior de São Paulo, mas se mudaram para Assis, onde morei até meus nove anos. Meu pai é militar, depois disto acompanhei ele nessas transferências, mas minha infância foi entre Assis e Presidente Wenceslau, onde concluí o Ensino Médio e prestei vestibular em uma cidade vizinha, em Presidente Prudente, onde cursei Direito. Mas já morei em outras cidades do interior paulista. Depois fui estudar Gastronomia. Na época eu trabalhava como estagiário na Procuradoria Geral do Estado, e o próprio procurador, Castilho, me ajudou a fazer essa transferência e me deu todo o apoio e amparo para isto, foi um grande amigo. Meu pai também me ajudou e estudei Gas-tronomia em Águas de São Pedro, de onde saí já para trabalhar na cozinha, mudei totalmente de rumo.

Jornal do Sudoeste: Por que você decidiu mudar completamente de rumo?
D.A.F.: Foi um pensamento inocente de que o mundo da Gastronomia fosse muito mais agradável que o Direito, que eu não via muita satisfação, diferente de hoje, cuja satisfação é em poder exercer meu pensamento e seguir as minhas ideias e não apenas executar; claro que é uma liberdade que você também tem na Gastronomia, mas até chegar você precisa ter ralado muito para ser chefe de cozinha e ter seus pratos. Foi uma descoberta que a Gastronomia não era o mundo que eu achava. Foram dois anos trabalhando. Na época em que eu estava estudando, fui convidado por um amigo para trabalhar uma temporada no Paraná, uma cidade do litoral chamada Guaratuba. Esse amigo morava em Curitiba e acabei passando por lá e gostando bastante da cidade. Em Curitiba conheci a Isadora, minha companheira, e estamos juntos desde então. Lá, nesta época, haveria uma prova da OAB, foi um momento que o Código de Processo Civil estava em transição e foi decisivo para eu prestar esta prova, senão teria que estudar tudo novamente por causa das mudanças. Prestei a prova objetiva, passei e pedi minhas contas no emprego em que estava para continuar estudando. Na prova prática acabei reprovado, mas na repescagem  consegui. Nesta época, em 2017, saiu concurso para o TJ do Paraná e a partir daí eu iniciei minha jornada nos concursos públicos. Junto com a da Câmara Municipal, fui classificado no Ministério Público Federal e da Polícia Civil e vim para cá porque fui nomeado.

Jornal do Sudoeste: Quando veio para Paraíso, você já conhecia a região?
D.A.F.: Não conhecia nada; eu e minha parceira atravessamos o Estado de São Paulo para chegar aqui no Sul de Minas, mas não conhecia o estado direito, embora eu tenha participado de evento estudantil uma vez que aconteceu em Lavras. Porém, gostei muito daqui, da população, da cultura, da aproximação que as pessoas têm com o “estrangeiro”, como aconteceu comigo.

Jornal do Sudoeste: Muito diferente das cidades em que você viveu?
D.A.F.: Não posso dizer que foi uma diferença sentida por mim em razão da característica da cidade, mas talvez pela fase que passei em cada lugar, que foram em locais diferentes. Na infância, por exemplo, minha percepção de mundo era outra então não posso dizer que eram locais diferentes. Porém, todos os lugares são muito característicos; no Paraná é mais frio e o povo é um pouco mais fechado, aqui já é diferente, talvez por ser mais quente, são mais abertos. Quando me mudei para Curitiba, fui em uma época mais quente e talvez tenha sido isso o que mais me agradou no clima aqui até o momento, porque não parece um local que chega a clima extremo.

Jornal do Sudoeste: O que te motivou a estudar Direito?
D.A.F.: Perante a sociedade que existia e status que as pessoas mostravam, o Direito se parecia uma carreira muito factível; eu tinha a noção de certeza de sucesso, mas não foi algo que despertou em mim como sonho. Acho que o fato de seguir uma faculdade, vai muito da criação que você recebe e para mim era um padrão muito comum na região onde eu morava, onde as opções são iguais para todos e são poucas: ou você faz administração, psicologia, ou se você é de uma família mais rica, paga um curso de medicina. Na condição da minha família, era compatível o curso de Direito. Até então eu não era de estudar tanto, e quando entrei para a faculdade, que na minha cabeça era um momento de transformação, eu me tornei uma pessoa muito estudiosa. A partir do terceiro ano eu percebi que havia muito mais no mundo que apenas Direito.

Jornal do Sudoeste: Como surgiu Paraíso nesta história?
D.A.F.: Quando comecei a estudar para o TJ, passei a ampliar minha busca por concursos próximos de onde eu morava. A princípio, minha procura era por concursos próximos a região, no Paraná para continuar em Curi-tiba, talvez, ou até mesmo para uma questão de locomoção, já que meus recursos eram poucos. Vir para Paraíso foi uma decisão muito grande, já que somente para ir e volta foi cerca de R$ 500, fora a inscrição para o concurso, estada, alimentação, então dá uma despesa considerável para quem não tem essa renda. Minha parceira, Isadora, também estava se preparando e me deu muita força; ela estava procurando concurso na área dela, Comunicação Social, e descobriu que tinha este em Paraíso e como também tinha para a minha área resolvemos vir nós dois. Acreditamos na ideia de podermos passar e trabalhar juntos, organizamo-nos e estudei bem focado com este propósito.

Jornal do Sudoeste: Você achou que foi uma prova difícil?
D.A.F.: Achei que foi uma prova não muito complexa para a relevância do cargo. A dificuldade estava razoável e compatível com o cargo concorrido, mas eu estava bem preparado e não posso dizer que foi uma prova fácil.

Jornal do Sudoeste: Você estranhou esse começo?
D.A.F.: Sim, porque na faculdade você não aprende a ser um advogado público, você é muito tendente à advocacia privada, que atende ao interesse particular. No direito administrativo, a questão pública é muito superficial e todo o bacharel em Direito sai com a ideia de se tornar um advogado. Para mim, assumir esse cargo foi uma grande novidade porque estou experimentando um lado muito peculiar que é a perspectiva do Poder Público, de como encarar o processo legislativo, o trabalho de fiscalização da Câmara. Tem sido uma experiência nova e boa e estou gostando de poder estar por perto da vida e da organização da sociedade.

Jornal do Sudoeste: Espera-se que o advogado saiba tudo, você se sente muito cobrado nesse sentido?
D.A.F.: O fato de você ser advogado, as pessoas acham que você conhece a lei em sua totalidade, mas o Direito é complexo. Tem o advogado tributarista, que no ramo dele há um oceano de leis que só tratam desta parcela do Direito e assim por diante. A cobrança tem sido branda, mas eu tenho conseguido trabalhar com bastante autonomia, o que é muito importante e que me faltou na iniciativa privada. Você, além do bacharel e de entrar na OAB, depende muito que as pessoas lhe acolham. Fiz estágio em repartição pública e poderia ter seguido carreira recebendo indicações, mas fui para a Gastronomia; até então eu não tinha um círculo tão grande de pessoas na advocacia para poder iniciar a carreira e me fazer sentir envolvido nesta área.

Jornal do Sudoeste: O que mais te chamou a atenção quando chegou a Paraíso?
D.A.F.: Acho que principalmente o carisma do povo. Quando me hospedei aqui, fiquei no Hotel Petrecas e, quando vim tomar posse eu precisava de um comprovante de residência e comentei com a dona Vera, que de prontidão já se dispôs em conseguir isto para mim sem eu mesmo pedir. Ela foi muito prestativa e isto me ajudou muito, porque eu não sabia como iria ser se eu não tivesse esse comprovante.

Jornal do Sudoeste: Quais são os planos a partir de agora?
D.A.F.: Sou muito inquieto e quero encontrar algo que me proporcione estabilidade. Cada dia penso algo novo como, por exemplo, abrir um negócio já que fiz Gastronomia; às vezes penso em abrir um escritório de advocacia e meus planos estão seguindo para este caminho e vou ver uma sala para alugar, estou seguindo para esta direção.

Jornal do Sudoeste: Você já conhecia a outra assessora jurídica, como isso aconteceu?
D.A.F.: Foi um fato curioso. Eu tinha um perfil em um site de resolver questões para concurso e ela fez um comentário e, quando fui conferir o perfil da Raissa, lá dizia que ela era de São Sebastião do Paraíso, justamente onde eu prestaria o concurso. Então começamos a conversar e a manter contato. Nós dois viríamos a ser aprovados; isso é muito singular e raro.

Jornal do Sudoeste: Qual o balanço que você faz desta caminhada?
D.A.F.: A vida é uma aposta e temos que estar sempre abertos à aprendizagem, não apenas procurar em aprender, mas absorver esse aprendizado. Trinta anos é o suficiente para saber que tudo o que aprendi ao longo desses anos é válido, mas me diz que ainda tenho muito a aprender. O conhecimento é gigantesco e nós estamos sempre no mínimo. É preciso uma tranquilidade na impermanência da vida, não existe nada absoluto e estamos sempre em transformação e encontra nisto uma paz.