SUICIDOLOGIA

Especialista comenta pesquisas no campo da suicidologia e fala sobre tabu na sociedade

Por: João Oliveira | Categoria: Saúde | 02-04-2019 09:53 | 1132
Kelly se especializou na área de suicidologia e promove pesquisas que buscam combater esse mal na sociedade
Kelly se especializou na área de suicidologia e promove pesquisas que buscam combater esse mal na sociedade Foto de Divulgação

A pós-doutora em suicido-logia, a enfermeira paraisense Kelly Graziani Giacchero Vedana, que vive em Ribeirão Preto onde é professora na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP), líder do Laboratório de estudos e pesquisa em prevenção e posvenção do suicídio (LEPS) e responsável pelo Centro de Educação em Prevenção e Posvenção do Suicídio (CE PS), comenta pesquisas que vem desenvolvendo neste campo que, apesar de não ser recente, ainda tem muito a ser desbravado. Segundo destaca a especialista, "o comportamento suicida é muito complexo e ainda há muitas questões a serem pesquisadas sobre o tema".

Kelly é natural de São Sebastião do Paraíso e se mudou para Ribeirão Preto em 2004, onde iniciou sua graduação na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Foi no seu doutorado, na área da saúde mental, que ela começou a desenvolver pesquisas na área de prevenção do suicídio, em 2013, quando já era docente na Universidade de São Paulo. "Eu percebia que o comportamento suicida era um problema importante e desafiador, que precisava ser mais discutido, pesquisado e mais abordado na formação acadêmica. Então, eu pensei: "Por que não trabalhar com essa questão e tentar fazer alguma diferença", conta.

Desde então, a especialista vem pesquisado sobre o tema e trabalhado com uma equipe interessada em produzir novos conhecimentos que possam ter impacto positivo na formação de profissionais e na assistência.  Ela conta que desenvolve pesquisas em duas áreas principais: a formação acadêmica para a prevenção do suicídio e a relação entre comportamento suicida e as mídias sociais.

"Inicialmente, eu desenvolvi pesquisas com profissionais e estudantes da área de saúde para descobrir necessidades específicas que essas pessoas tinham para atuar de forma mais efetiva na prevenção do suicídio. Foi possível perceber a necessidade de formação que incluísse conhecimento teórico-prático, mas também o suporte emocional e reflexão sobre crenças pessoais, julgamentos e atitudes que poderiam interferir no cuidado a pessoas com risco suicida. Agora, comecei outros estudos para desenvolver e avaliar programas de ensino relacionados à prevenção do suicídio", relata.

Kelly também chegou a orientar diversos estudos relacionados às publicações sobre o suicídio em mídias sociais, como em blogs, Twitter e jornais, e, nessas pesquisas, ela e sua equipe descobriram vários problemas a serem explorados. "Entre eles estão: pedidos de ajuda no ambiente virtual, interesse por pactos e jogos suicidas, incentivo ao suicídio em redes sociais, postagens sobre prevenção do suicídio marca-das por críticas e julgamento, entre outros aspectos", aponta.

Após esses estudos, o laboratório de estudos e pesquisa em prevenção e posvenção do suicídio (LEPS), coordenado pela especialista, passou a desenvolvendo materiais educativos relacionados à prevenção do suicídio em ambientes virtuais e lançará em breve um site chamado "InspirAção - LEPS", que deve disponibilizar esses materiais educativos e também mensagens, relatos de experiência e outros recursos voltados para a valorização da vida e prevenção do suicídio.

TABU
Conforme explica Kelly Graziani Giacchero Vedana , o suicídio é multifatorial e há uma grande quantidade de fatores de risco e proteção envolvidos na manifestação ou prevenção desse comportamento. Segundo ela, em grande parte dos casos, o suicídio está ligado à desesperança, sofrimento emocional insuportável, sensação de fracasso e de falta de sentido e de apoio.

"Ente os fatores associados ao risco de suicídio estão os transtornos mentais e uso de drogas, tentativas anteriores de suicídio, solidão e falta de suporte social, doenças graves, incuráveis ou incapacitantes, perdas, abuso ou violência, sentimentos de inutilidade, culpa, raiva de si mesmo, impulsividade e agressividade. Entre os jovens também estão associados ao suicídio a autolesão não suicida (ou automutilação), o bulling e cyberbulling, as relações interpessoais insatisfatórias, entre outros", aponta.

Por fim, a especialista destaca que é importante saber que, assim como outras questões ligadas à saúde mental, o comportamento suicida precisa ser levado a sério. "A pessoa que passa por essa situação precisa de acompanhamento profissional, além do apoio de pessoas próximas", finaliza.