CAFEICULTURA

Jacuí sediou etapa do Circuito Mineiro de Cafeicultura

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Agricultura | 23-04-2019 23:37 | 9021
Foto de Nelson P. Duarte

Em torno de 200 cafeicultores participaram na manhã desta terça (23/4) de uma etapa do Circuito Mineiro de Cafeicultora 2019, no Parque de Exposições Merched Alcântara Assad, em Jacuí. “Café com Qualidade e Responsabilidade” foi tema da palestra feita pelo engenheiro agrônomo César Augusto Candiano. O engenheiro Rodrigo Geraldo Borges falou sobre a “Importância da Calagem na Fertilidade do Solo”. O engenheiro agrônomo João Inácio Silva Citton encerrou o evento com a palestra motivacional “Como ser feliz produzindo café”.

É o segundo ano consecutivo que Jacuí recebe o “Circuito Mineiro da Cafeicultura”. Em relação a 2018 houve maior número de participantes. “Além de valorizar cafeicultores de Jacui,  o evento abriu portas para produtores de São Pedro da União, Bom Jesus da Penha, São Sebastião do Paraíso e São Tomás de Aquino”, disse Sirlei Renata Sanfelice de Carvalho, extensionista da EMATER-MG em Jacuí.

César Augusto Candiano, consultor de cafés especiais, um dos palestrantes, disse ao Jornal do Sudoeste que é muito importante o produtor estar sempre voltado à qualidade do café, mesmo enfrentando, como está, preços baixos. “A gente vê que no passar dos anos o preço do café de qualidade sempre tem sido maior, e esta qualidade pode estar na planta, principalmente em nossa região, porém ela pode ser perdida durante o processo de colheita e pós-colheita caso o cafeicultor não faça corretamente”.

Em relação à colheita, conforme aconselha Candiano, devem ser evitados frutos verdes. Quanto ao processo de secagem, ao ser colhido o café deve ser levado pelo menos duas vezes por dia para o terreiro, e ser feita secagem lenta, rodar bastante o café em camadas finas colocadas no terreiro. A partir do momento em que começou a secar ir engrossando aos poucos.

“Se for em secador estático, utilizar secagem lenta também, evitando temperaturas muito altas. Na massa do café a temperatura deve estar no máximo entre 35 a 38 graus para o café cereja descascado, e no máximo entre 40 e 45 graus para o café natural”, salienta.

Segundo Candiano, “são cuidados que fazem com que o café mantenha qualidade e obtenha melhor preço na venda. Se hoje está numa condição de preço ruim, a busca pela qualidade deve ser mantida, e, com certeza o retorno será favorável para o produtor”.

O engenheiro João Iná-cio Silva Citton engenheiro agrônomo, extensionista da EMAGER-MG fez palestra motivacional na qual enfatizou valores como a fé e esperança do produtor na sua atividade.  Sobre acentuada queda de preços nos preços do café, Citton opina que “ está ruim, mas tenho certeza que vai melhorar”.

Em sua palestra ele apresentou gráfico demonstrando preços históricos do produto, onde se constata preços baixos, e momentos muito bons. “Nós vamos experimentar preços mais satisfatórios”, concluiu.

A extensionista Sirlei Renata Sanfelice de Carvalho observa que “a crise está sendo enfrentada com muita dificuldade, porque Jacuí é município fundamentalmente agrícola, tendo com o café o leite como principais fontes de renda”. Nesse momento cafeicultores estão se preparando para iniciar a colheita, provavelmente em maio, com mais força, disse, ao observar que a baixa cotação do preço café tem atrapalhado bastante, vendas de máquinas e insumos e produtores estão com muita cautela.

O prefeito de Jacuí, Geraldo Magela salientou ser muito importante para o município sediar etapa do Circuito Mineiro da Cafeicultora. “É uma oportunidade para o produtor participar das palestras, trocar ideias com outros produtores, principalmente envolvendo a qualidade. É através da boa qualidade do café que ele chegará ao bom preço. Apesar do momento de crise principalmente em nosso Estado, o produtor deve estar motivado. O café é a mola mestra na arrecadação ICMS para os municípios em nossa região. Municípios pequenos que não têm indústrias, recorrem à agricultura, e o café é o produto que mais gera retorno”.

O vereador Hernane Siqueira também ressalta a validade do evento. “Em nossa região incluindo Jacuí, Bom Jesus, São Pedro, Paraíso, na maioria, são pequenos produtores, e esta é uma oportunidade para, estes com palestrantes de alto nível, recebermos novos conhecimentos”.

O Sindicato dos Produtores Rurais de Jacuí, um dos patrocinadores do evento é presidido por João Jorge Simão que foi homenageado.