CORRETO

Correto, um compositor de músicas conhecidas, respeitado nacionalmente

Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 03-06-2019 13:47 | 1437
Correto começou a compor aos 31 anos e nunca mais parou
Correto começou a compor aos 31 anos e nunca mais parou Foto de Reprodução

O músico e compositor Antônio Gonçalves de Pádua, o Correto da famosa dupla paraisense, Correto e Corrêa, depois Correto e Corrente, é um homem de muitas composições famosas, entre elas o "Homem de Pedra", que foi gravada pela primeira formação do Trio Parada Dura.  Ele também é autor do Hino da Associação Atlética Paraisense. Aos 93 anos, ele mantém o hábito de compor e destaca que suas inspirações vêm das vivências e dos sentimentos que são comuns a todas as pessoas.

Correto começou a escrever quando tinha 31 anos, nos idos 1957. Seu gênero favorito era o que ele define como "sambão de roça", e o sertanejo só veio a fazer parte da sua vida depois. "É um gênero que até hoje eu gosto. Nesta época eu estava morando em Sales de Oliveira, onde vivi por seis anos, e quando retornei a Paraíso, estava uma folia no rádio de duplas sertanejas que iam cantar aos domingos. Comecei a ouvir e decidi experimentar esse estilo", recorda.

Sua primeira formação foi com o Corrêa, parceria que durou cerca de seis anos. Entre suas primeiras composições está a música "Passado Risonho", uma música que segundo ele, tocou muito nas rádios na época. "Naquele tempo, em meados de 1959 e 1960, a rádio Difusora Paraisense, a ZYA4, tinha programas de auditório, e sua programação além de ser sintonizado nos rádios também podia ser ouvida em autofalantes que ficavam no coreto da Praça da Matriz. Naquele tempo, na parte da manhã e a tarde, havia programas na Difusora em que era costume se oferecer música para alguém que estivesse aniversariando, e o Passado Risonho tocava sempre".

A partir deste sucesso, Correto conta que tomou gosto por compor. Depois deste, veio os sucessos "Ondas de Amor" e outras. Entretanto, entre seus maiores sucessos está "O Homem de Pedra", que foi gravado pelo Trio Parada Dura (Cleone, Barrerito e Mangabinha). Ele conta que naquela época havia parcerias, e todo compositor tinha parceria com um deles. "Minhas parcerias foram com o Creone, eles gravaram e foi um estouro, tocou no Brasil inteiro. Várias pessoas regravaram essa música, e ainda hoje há pedidos para gravar a música", lembra.

Conforme Correto, a música, inicialmente, foi apresentada para a dupla Mococa e Moracy, que viram a letra, experimentaram cantar, mas disseram que para eles o estilo não daria certo. Entretanto, naquela época o Parada Dura fez uma apresentação na região e Correto conseguiu fazer contato com eles. "Viram a letra, gravaram e foi aquele sucesso todo, depois Mococa e Moracy reconheceram que perderam a oportunidade de ter feito sucesso com aquela canção".

"O Homem de Pedra" é uma música que conta a história de um homem que cansou ser humilhado e de sofrer por amor e se tornou alguém frio. A analogia que se faz é entre um grão de areia que, diante da situação de subjugação e descrença no amor, torna-se pedra, e também transformou em pedra o seu coração. "Eu penso muito no sofrimento das pessoas quando componho. Cada um tem um estilo, meu estilo é pensar nas mulheres e falar sobre essa relação, sobre boemia, sofrimento amoroso e é um sentimento que todo mundo tem", conta.

Ele conta que em um show cantou a música "Taça Vazia", e observou a expressão de um rapaz que mudava conforme a música; ele diz que percebeu que o que tinha acontecido com aquele rapaz, era justamente o que estava sendo falado na letra. "Ele havia sido deixado pela companheira, e chegou a chorar ao se recordar do fato".

Correto também compôs o Hino da Associação Atlética Paraisense, a "Mais Querida" de São Sebastião do Paraíso. "Foi quando a Associação Atlética subiu para a primeira divisão. O diretor da Paraisense a época, o ex-vereador Gabriel Ramos pediu para diversos compositores para compor um hino para o clube, inclusive ao grande poeta paraisense e autor do Hino à Paraíso, Ary de Lima, que já residia em Maringá. Compus o hino, fizeram os arranjos e gravaram, ficou lindo" recorda.

Uma das maiores satisfações do compositor é quando alguém se lembra de suas composições, mesmo que não saibam sua origem.  "Às vezes encontro pessoas que estão viajando por esse país a fora e quando pedem para músicos cantarem "O Homem de Pedra", todo mundo sabe a letra, mas duvidam um pouco quando dizem que o compositor é da terra deles", conta. Correto lembra que entre as canções mais tocadas estão "Palco do Mundo", "A estátua", "Meu bolerão", "Seu passado" e meu "Carro de Boi", este último foi gravado por uma dupla de Goiás e tem muito carreiro que gosta; é como se fosse uma instrução para ensinar àqueles que não sabem o que é um carro de boi".

Depois do fim da dupla Correto e Corrêa, ele formou dupla com o músico Maurinho Ozelin, mas durou pouco a parceria. Logo depois, apresentando o programa que tinha na Rádio Difusora Paraisense, conheceu o Corrente, o saudoso José Salvador Eustáquio, o Gorvalho. "Ele apareceu, tinha uma primeira voz boa, conhecia as minhas músicas e tinha vontade de cantar comigo, a parceria durou 44 anos", relem-bra.

O músico, além de ter tido programas nas rádios, Inconfidência, de Belo Horizonte, na Difusora Paraisense, e outras rádios no interior paulista, também realizou diversas apresentações em comícios, além de apresentações em circos. Entre um dos muitos fatos curiosos que viveu, ele recorda com divertimento de um evento que houve na divisa entre Minas e São Paulo na inauguração do asfaltamento dão rodovia, hoje BR 265. Estavam presentes os governadores de Minas Gerais, Israel Pinheiro e o de São Paulo, Abreu Sodré, e entre outras autoridades o deputado Delson Scarano. Na solenidade, onde há o marco divisório entre os estados, o palco não aguentou o peso de tanto político e cedeu, derrubando todo mundo.

Aos 93 anos, Correto afirma que não para, e sempre que pode se apresenta em eventos. É com saudades que se lembra desta época e diz que programas como os que apresentou em sua época áurea fazem falta hoje dia. "O sertanejo ainda é um gênero que arrasta muita gente. Recordo-me de um programa que eu tinha, "Fazenda contra Fazenda", inspirado por um programa do SBT chamado "Cidade contra Cidade" (onde Paraíso saiu campeão), foi uma competição que teve muito repercussão e, pelo barulho que fez, o Monsenhor Mancini quis que terminasse, assim encerramos o programa na rádio", relembra.

Por tudo isto, Correto é um músico que, além de grandes memórias e ser um dos mais respeitados compositores, com composições reconhecidas nacionalmente, também é um ser humano que merece ter sua história preservada e perpetuada às novas gerações. "É uma época de que sinto saudade demais, de tudo, não apenas de cantoria", completa.