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Sebastião Paschoini: Um homem das artes e da cultura

“Sempre gostei de arte e modestamente dei minha contribuição”
Por: Heloisa Rocha Aguieiras | Categoria: Entretenimento | 04-07-2015 15:37 | 125
Apesar de aposentado, Sebastião está todos os dias ajudando em sua empresa
Apesar de aposentado, Sebastião está todos os dias ajudando em sua empresa Foto de Heloisa Rocha Aguieiras

Sebastião Édson Paschoini, filho de Sebastião Paschoini e de Maria Zanin Paschoini, agradece aos pais pela formação que teve, sendo que a riqueza de suas experiências não fica apenas como um empresário bem sucedido, mas também na vereança, como radialista e ator de teatro. Um homem que, além das artes, aos 69 anos, está à frente da empresa Real Scania e sabe também valorizar a boa mesa, dividindo com a esposa, a culinarista Evelina do Carmo Machado Paschoini, o talento de pilotar bem um fogão, acompanhados pelos quatro filhos, Renata, Soraya, Thiago e Édson. Aliás, segundo Thiago, ele é o único membro da família que não tem o talento da cozinha.

Jornal do Sudoeste – O senhor atuou como radialista. Como isso começou?
Sebastião Édson Paschoini – Eu estudava na Escola Técnica de Comércio e isso teve a ver com o início de minha carreira no rádio. Foi pedido que algum aluno fizesse uma homenagem na Rádio Difusora Paraisense por ocasião das bodas de prata como religioso, do monsenhor Man-cini. Eu estava com 16 anos e nunca tinha visto um microfone na minha frente. Por meio da Zuleide Radaelli que, para mim, foi uma das melhores locutoras que eu já vi em minha vida, eu fiz o comentário sobre o monsenhor e achei que fui muito mal. Mas o saudoso José Alcântara viu algum potencial em mim e me convidou para que fizesse parte do quadro de locutores da Rádio Difusora.

Jornal do Sudoeste – O senhor, assim, fez carreira?
S.E.P – Ingressei nessa carreira, que parece ser uma cachaça, a pessoa que se vê diante do microfone não quer mais deixar daquilo. Passei a integrar a equipe de Esportes na própria Rádio Difusora, onde fiquei por quatro anos. Eu fazia às 10h o programa “Gentileza” e às 17h, o “Hora Social”, um programa que hoje não existe mais, quando se oferecia música em aniversários e datas especiais. Participei também de alguns programas religiosos com monsenhor Mancini, “A Voz do Pastor”. Depois fui um dos fundadores da Rádio Paraíso FM.

Jornal do Sudoeste – Sente saudade?
S.E.P – O microfone deixou saudade demais. Tem aqueles casos engraçados que aconteciam na rádio, as gafes. Certa vez, eu e um colega estávamos transmitindo um jogo de futebol do Operário, e ele estava bebendo uma Coca-Cola, mas foi ficando com a voz esquisita, embar-gada, quando vimos a Coca estava batizada de cachaça. Eu também participei da primeira transmissão televisiva da TV Paraíso, há uma narração minha com filmagens do Willian Melles, mas eu fiquei pouco tempo. Cheguei a trabalhar na rádio Paraíso FM com o Antonino Amorim, que era responsável pela emissora naquela época. Tudo isso foi uma atividade paralela em minha vida, porque eu exercia a profissão de torneiro mecânico, na qual fiquei por mais de 50 anos e abri a minha empresa. Já estou aposentado, mas continuo colaborando todos os dias com a minha firma.

Jornal do Sudoeste – Há quanto tempo o senhor tem a empresa?
S.E.P – A Real Equipamentos Rodoviários, ou com seu nome fantasia, Real Scania, foi aberta em 1970. É uma empresa de peças, acessórios e mecânica. Eu comecei como torneiro mecânico na Sociedade Brasil de Automóveis, por meio do meu professor João Fernando Zanin, que era o torneiro chefe e me levou como aprendiz. Isso foi em 1958, mas eu comecei a trabalhar ainda mais cedo, com sete anos. Hoje há empecilhos legais para isso, mas naquela época quase que todas as empresas tinham meninos que entravam para aprender um ofício e acabavam tendo uma profissão. Eu acho que isso faz muita falta atualmente, pois há dificuldade de encontrar encanador, eletricistas, carpinteiros, por falta de oportunidade de aprendizado. Hoje eu tenho meu filho Thiago comigo na empresa, ele é meu braço direito e seis funcionários na parte de comercialização.

Jornal do Sudoeste – Mas ser empresário hoje em dia é difícil.
S.E.P – Muito difícil. Há muitos empecilhos. A carga tributária é quase insuportável; o empresariado precisa ser olhado com um pouco mais de carinho, porque afinal de contas é uma categoria que gera tributos, empregos e a situação não está fácil. Infelizmente eu acredito que estamos vivendo apenas o início de uma grande crise econômica e coisa pior está por vir.

Jornal do Sudoeste – Um filho também puxou o seu lado de comunicador?
S.E.P – Meu filho Édson fez Comunicação, trabalhou por um período na Rádio Paraíso FM e atualmente está no departamento de marketing da Unimed. A filha Soraya ajuda a mãe no buffet. Apenas o Thiago não cozinha, o resto da família gosta de preparar uns pratos.

Jornal do Sudoeste - Além de comunicador, o senhor foi ator?
S.E.P – Eu participei ativamente de um grupo teatral chamado “Teatro Amador Paraisense”, fizemos várias peças, apresentamos em diversas cidades da região. Tem uma passagem engraçada: Havia uma cena em que o ator recebia uma carta, rasgava e colocava fogo nos pedaços. Na sequência, outro ator entrava em cena e dizia: “Que cheiro de papel queimado”. Estávamos nos apresentando em São Tomás de Aquino e o ator esqueceu a caixa de fósforos, então ele só rasgou a carta. O outro ator entrou e disse: “Que cheiro de papel rasgado”. Foi riso geral. Atuei por cerca de quatro anos, mais ou menos na mesma época em que comecei a trabalhar na rádio, com 16 anos. Encontrei no teatro algo que eu gostei demais, o ato de representar. Eu fui um jovem muito inquieto e sempre procurei coisas novas para fazer. Sempre gostei de arte e modestamente dei minha contribuição.

Jornal do Sudoeste – Há críticas de que em Paraíso a cultura já teve maior valor, o senhor sente isso também?
S.E.P – Sinto sim. Sinto também isso na área de Educação. Nós perdemos uma faculdade, perdemos também o Ginásio Paraisense, a Escola Técnica de Comércio, estamos na eminência de perder a Escola Técnica de Formação Gerencial (ETFG), que é uma instituição de muito bom conceito. Paraíso já teve dois cinemas, uma crise está assolando várias empresas da cidade e tudo isso me deixa muito entristecido, mas espero que seja passageiro.

Jornal do Sudoeste – O senhor também foi vereador?
S.E.P – Fui , em 1982 na gestão do prefeito João Mambrini Filho. Eu não quero nunca mais mexer com política, foi uma experiência horrível (diz com bom humor).