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Dois anos sem Terezinha

Por: Redação | Categoria: Cultura | 11-07-2019 15:54 | 832
Foto de Reprodução

O tempo passou e muita coisa aconteceu, mas eu ainda me lembro daquela mulher que deixou profundas marcas inesquecíveis. Enquanto muitas pessoas se tumultuam perante as turbulências, ela se acalmava e se enchia de amor. Ensinou-nos que não se resolve as coisas com raiva ou agressividade. Uma mulher a frente do seu tempo. Fisicamente, nos deixou há dois anos, mas as suas ideias continuam vívidas e enraizadas em nós.

Lembro-me dela a percorrer os corredores da Escola Técnica de Formação Geren-cial. Quando via um aluno matando aula, não dizia que ele estava perdendo aula ou que não iria aprender, não fazia afirmativas. Proferia perguntas: o que tem na sala de aula? O que você pode aprender? Ela queria mostrar no que o aluno poderia ganhar, era uma maneira diferente. Como se estivesse dizendo: quer que eu lhe ajude a voltar para a sala?  Sabia que o aluno precisava era de um pouco de atenção e disponibilizava os seus ouvidos amigos, o seu olhar amoroso e a sua conversa cheia de ternura. Dessa maneira, desarmava o aluno mais bagunceiro.

Em alguns casos, o aluno indisciplinado, que queria chamar a atenção,  que desejava ser visto, como se ele dissesse: estou aqui! Terezinha fazia assim, em uma dose exagerada de amor, levava compreensão.

Percebemos que falta muito isso nos dias atuais. 

Sobre outra situação, sempre a via na Academia Paraisense de Cultura. Transparecia uma calma exagerada acompanhada de uma tranquilidade enorme, percebia que o amor valia mais que tudo. Então, quando relatei uma turbulência, ela soltou um largo sorriso e questionou: “O que tem de bom nisso?”

Fiquei incomodado, como algo ruim poderia ter algo bom? Pensei bastante e percebi que ela estava certa. Ela era assim, teimava sempre em ver algo bom nas coisas ruins, com um exagero de otimismo. 

Foram esses os enormes ensinamentos de Terezinha Pessoni. Parece que não se incomodava com as adversidades, pensava apenas em viver a vida com alegria e otimismo, que deveria aproveitar os bons momentos com queridos familiares e amigos. Uma história de superação. Ela poderia ter escolhido a tristeza, mas não, preferiu ser teimosa e carregar sempre um largo e belo sorriso.

De onde vinha aquela calma? Eu não sei, só sei que essas foram as escolhas de uma mulher guerreira, que amava a vida mais que tudo.

Essas são marcas indeléveis que o tempo não apagou.