ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 17-07-2019 14:39 | 98
Foto de Reprodução

Tripas de reis e padres
A direita e a esquerda como posições políticas nascem com a revolução francesa, em 1789. Consternados com os luxos da aristocracia dos reis absolutistas, líderes populares se reuniram para tomar o poder e salvar a economia da França. Em uma assembleia hoje famosa realizada em uma quadra de Tênis, os revoltosos resolveram por abaixo a dinastia real e prender seus representantes. Dois partidos se destacaram naquela reunião: os girondinos, sentados à direita da presidência da assembleia, e os jacobinos à esquerda. O primeiro grupo era moderado e pregava uma constituição escrita que impusesse rédeas ao poder monárquico, sem derramamento de sangue. Os Jacobinos da esquerda queriam sangue. Seu líder maior, Robespierre (já falamos muito dele aqui) acabou ganhando a parada. Era a primeira vitória da esquerda – o suposto lado “dos pobres”. Na verdade, a ala dos radicais. O resultado foi uma carnificina, com mais de quarenta mil franceses guilhotinados, entre eles o Rei Luís XVI e sua consorte Maria Antonieta. O filhinho deles morreu de inanição, “cuidado” por republicanos agentes jacobinos do povo, propositalmente segundo alguns historiadores. Tamanha caça as bruxas acabou como sempre acaba: com Robespierre e outros líderes da esquerda também guilhotinados, bebendo do próprio veneno. Sempre foi assim: quem vive pela espada, morrerá pela espada (Mt 26:52). Para que se tenha ideia do perigo das ideias radicais, o ideólogo da revolução, Voltaire, dizia que a República visava, em última análise, “enforcar o último rei nas tripas do último padre da face da terra”. A gente busca estudar e conhecer a História para não repetir os erros do passado.

Putin e os Gays
Procure na Web, o “Grande Irmão” de Orwell, que tudo vê e tudo informa, um discurso recente de Wladmir Putin sobre liberalismo e GLBT. Virou meme e não será difícil encontrá-lo. Quem se deixa envenenar pela turma do mimimi se surpreenderá com Putin – eu não, sempre o considerei um grande líder. Nunca o vi preconceituoso ou dedicando palavras desrespeitosas a quem quer que seja, o que ele demonstra ao discorrer sobre as críticas que a Rússia recebe sobre sua política de tolerância zero com homossexuais. No entanto, salienta ele, por lá somente é proibida a exteriorização de qualquer espécie de homoafetividade ou homoerotismo perante menores etários. “Deixe que as crianças cresçam – salienta ele – e aí que decidam”. Quem fala de violência contra GLBT na Rússia nunca me apresenta números. O país de Putin é igual aquele vizinho de fundos que você nunca viu, mas sabe que existe. O presidente russo também alerta para o excessivo liberalismo dos costumes, na parte mais preciosa de seu discurso, advertindo que pequenos grupos estão tentando extorquir liberdades, e não conquistá-las. É fato que Putin é pragmático – a Rússia é assim. Não adianta tentar governá-la, ou entendê-la, sob o viés americano ou francês. Só um povo que teve mais de vinte milhões de mortos em uma guerra, que já derrotou Napoleão e Hitler e enfrenta 30 graus negativos no inverno, pode ser assim.

Perseguição virtual
Meu bom amigo Ércio Quaresma, além de brilhante advogado e valoroso tribuno, tem também uma outra característica importante: é um dos primeiros e principais adeptos de redes sociais que conheço. Vivia pendurado no Instagram quando eu ainda achava que isso era nome de remédio pra emagrecer. Sua página de Facebook já tinha quase meio milhão de acessos, ou compartilhamentos (sei lá), enquanto eu ainda engatinhava em e-mails e nada sabia sobre mensagens de texto, isso faz mais de dez anos. Pois foi meu amigo Quaresma quem me mostrou um fato até então inacreditável aos meus olhos: gente que o “seguia” na grande rede só para esculhambar com ele, tipo odiadores de plantão. Coisa ridícula. Sou de uma época em que, se não se gostava de um programa, se trocava de canal e pronto! Era só não acompanhar. No entanto, e Quaresma me mostrou isso em ao menos duas redes sociais, ele postava foto bebendo cerveja comigo, em tempo real, e lá vinha o comentário inconveniente de algum infeliz: “tomara que seja veneno”. Em seguida Quaresma, que estava hospedado em minha casa, sentava no trono do banheiro e fazia uma pose de Buda pensador, postava e lá vinha outro desafeto virtual: “agora tá no lugar certo, na privada...” E por aí em diante. É claro, um ídolo da advocacia brasileira como ele possui fãs entusiásticos muito mais numerosos do que inimigos – mas estes últimos são mais barulhentos e o ódio é mais forte que o amor. Depois que renasci no mundo virtual, com diversos blogs e programas de Web, já começaram a encrespar comigo, me patrulhar … Jamais chegarei ao ponto midiático do meu amigo, mas acessos e compartilhamentos dos meus textos e vídeos já começam a incomodar alguns haters , que sempre detestei porque gente com aquele discurso idiota do “não conheço, não li, mas não gostei”, ou então é ruminação de leitor de resenha sem QI para se aprofundar em qualquer texto um pouco mais rebuscado, ou ainda, e simplesmente, obra de algum desocupado. Pra todos esses protótipos de odiadores, um recado: mudem de canal.
RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor.