POTINHA

Potinha: dos memoráveis bailes e do carnaval de rua paraisense

Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 29-07-2019 09:06 | 1109
Vivendo a fase avó, Potinha sente saudades da época dos bailes,  mas diz que o momento agora é de cuidar da família
Vivendo a fase avó, Potinha sente saudades da época dos bailes, mas diz que o momento agora é de cuidar da família Foto de João Oliveira

Conhecida e lembrada por sua irreverência, animação e alegria, Hipólita de Souza Pimenta, Potinha, fez história em Paraíso com seus bailes e o bloco carnavalesco da Potinha. Apesar da saudade, hoje ela conta que aproveita o momento para descansar e dar atenção aos netos, mas não tem vontade de retornar com esses eventos. Tamanha alegria vem desde a infância, quando ainda morava em Cássia, onde nasceu, e permanece até hoje, aos seus 72 anos.

Potinha conta que cresceu entre oito irmãos, e que a alegria e o jeito festivo com que ela encara o dia a dia vem de toda a vida. "É a nossa "raça", somos muito alegres, gostamos de dar risadas", recorda. Ela conta que desde pequena é assim, e que vem de uma infância muito humilde, sendo a costura um ofício que aprendeu com os pais e era a forma de obter renda para ajudar a família.

Em 22 de maio de 1971, dia de Santa Rita de Cássia, após perder a mãe, Potinha decidiu vir para Paraíso, onde conheceu seu marido, Venone Colombarolli. A época ela veio para trabalhar no escritório de Contabilidade São Sebastião. "Eu tinha perdido minha mãe, cheguei aqui com uma mão na frente e outra atrás. Mas graças a Deus eu sou muito abençoada. Eu não peço mais nada a Ele e a Santa Rita de Cássia, a quem eu entreguei a minha vida e pedi para que me encaminhasse, e me trouxe a Paraíso".

Quando perdeu o marido, em 1993, Potinha enfrentou o desafio de criar sozinha os dois filhos, Matheus e Jerusa Colombaroli, que conseguiram ingressar na universidade pública e precisavam ir embora estudar. "Eram altas as despesas, então comecei a promover bailes. O Dr. Olavo Borges, que já faleceu, me deu muito apoio na época e até escolheu o nome do baile, que era "amigos para sempre", que depois se tornou o "baile da Potinha"", conta.

Potinha se recorda que dos bailes sobravam uma pequena margem de lucro, que a ajudava financeiramente. Os bailes, que sobreviveram por cerca de 22 anos, a ajudava muito e, segundo conta, eram muito elogiados. "Naquele tempo, cobrávamos R$ 5 por pessoa e o Clube Paraisense lotava. Nos últimos anos, ela conta que algumas pessoas começaram a reclamar por motivos diversos, mas este não foi o único motivo que a fez parar com os eventos.

"Havia o medo e insegurança. Eu saia do Clube muito tarde, receava ser assaltada, felizmente nunca enfrentei nenhuma situação assim. Então decidi parar. Senti muito por isso, porque eu estava acostumada com esse agito, mas o baile já não me rendia mais nada, eram muitas despesas e no fim das contas todo mundo ganhava, menos eu", recorda. Os bailes chegaram a ter até 300 pessoas e é com saudade que ela lembra do sentimento de ver a casa cheia.

"Eu tenho muito a agradecer a todos que viveram esses momentos comigo. Até hoje as pessoas me param na rua e perguntam se eu não vou voltar, mas estou em outro momento de minha vida e não tenho essa intenção. Agora estou curtindo meus cinco netos, os quais ajudo a olhar já que meus filhos trabalham muito", conta.

Potinha recorda ainda de outros momentos de festa, como a Festa Junina, Desfiles da Terceira Idade e o extinto Carnaval. "E eu era coordenadora da Ala das Baianas do Minas de Ouro, e fazia todas as fantasias, porque gosto muito de costurar. Depois de um certo tempo começou a sair bloco de carnaval, no início era apenas o Botina Véia, então decidi levar o meu para as ruas, o "Potinha Só Alegria". Eu adorava, e passava o ano fazendo fantasias".

É lamentando que ela comenta o fim do carnaval de rua em Paraíso. "Infelizmente, não vemos uma prefeitura atuante, a cidade está desleixada. Vereadores nem ouvimos falar deles direito. Paraíso precisa desta alegria de volta, mas infelizmente até o barulho incomoda, está se tornando uma cidade morta. Além disso nós temos medo, não existe segurança. Há esse enjoamento para ter horário de parar o som e o jovens não têm opção para aonde ir", lamenta.

Apesar disto, ela ainda conserva boas memórias desta época. "São tantas memórias. Quando tínhamos o bloco, eu sempre fazia a primeira ala temática. Tivemos tantos temas bonitos, tinha o bloco das ciganas, dos índios, do Chacri-nha (que só saímos uma noite porque choveu naquele dia). O último foi um sucesso. Eram muitas pessoas bonitas participando, nosso trabalho era só cantar e dançar. Dá muito saudade, mas tudo tem sua época", completa.