CRÔNICA HISTÓRICA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO:

Poeta Ary de Lima na imprensa paraisense

– parte 2 –
Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cidades | 00-00-0000 00:00 | 408
Foto de Reprodução

 




Esta crônica registra para os anais da história de São Sebastião do Paraíso, no Sudoeste Mineiro, a segunda parte de uma crônica publicada no jornal O Cruzeiro do Sul, em 30 de janeiro de 1944, de autoria do poeta Ary de Lima. O texto descreve uma viagem que autor fez ao Rio de Janeiro, juntamente com João Borges de Moura, para tratar de questões relativas ao seminário que deixou seu título na história da imprensa local. O autor se expressa nos seguintes termos: 
“A nossa missão, que se fazia necessária e justa, teve o amparo do Céu e a assistência do direito. Abriram-se nossas portas onde batemos do Catete à Imprensa Nacional, da Associação Brasileira de Imprensa ao Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Nossa voz encontrou guarida e a nossa causa, justiça. Conferenciamos com Noraldino Lima, o expoente máximo da Paraíso, honrado vulto que só não encontra lugar dentro de corações escuros e perdidos; com Herbert Moses, muito digno presidente da Associação Brasileira de Imprensa, que nos recebeu como filhos; com sua excelência Dr. Murilo Ribeiro Alves, da Imprensa Nacional, Dr. Oto Paulino, alto funcionário do DIP e com sua excelência o diretor do DIP. 
Fomos recebidos posteriormente por Sua Excelência o Dr. Geraldo Mascarenhas, preclaro secretário da Presidência da República e em tão representativas autoridades que não fecham os portões para se esconderem de ninguém, mas a todos atendem, só encontramos apoio e estímulo para o desempenho da alta missão que representamos em nome da atividade que nada mais augura que melhores dias e mais risonho porvir.
A nossa ausência, coroada de êxitos porque muitas glórias virão para Paraíso, falou de perto a quem de direito de todas as necessidades e, embora grites agora, alarmadas e medrosas as más línguas, encobrindo a verdade e falsamente querendo representar o povo, elas serão satisfeitas cedo ou tarde. A mesma população que nos viu partir, rogando a Deus pela nossa felicidade e ao Ceu pedindo a realização de seus desejos, sorri agora satisfeita, vendo em nós não mercadores da imprensa, mas jornalistas cheios de ideais, que procuram levantar a terra paraisense para dar-lhe mais próspero futuro. 
O nosso regresso era a única preocupação do nosso povo, que acorreu à Estação local para nos testemunhar a verdadeira estima e prestígio que merecemos. Sem ter, pois, que dar satisfações, agora, a indivíduos despeitados que nos quiseram vigiar os nossos passos, contratando espiões, como criminosos ocultos, incapazes de uma bonita ação à luz do sol e incompetentes para se apresentarem às altas autoridades porque a mentira lhe tingiria às faces, nós podemos adiantar ao nosso povo a realização dos seus desejos.  
Fomos felizes, bem recebidos e desempenhamos a contendo a nossa missão. Fomos merecedores de todo apreço e soubemos representar nossa terra, com a honra e dignidade que ela bem merece. Pagamos nossa dívida de honra perante o nosso povo, do mesmo modo que pagámos nossas contas de hotéis, sem passarmos o “conto do vigário” em hoteleiros pobre e esforçados. 
Fomos alvos de manifestações por parte de jornalistas cariocas, jornalistas que não vivem a transcrever máximas, que não usam aspas, que não escrevem à custa de outrem, copiando páginas inteiras de livros e soubemos retribuir às suas demonstrações de carinho muito além de tanta gente que se julga enorme por aqui e que ainda não se desiludiu de seu nenhum merecimento e do grande mal que tem ocasionado a nossa terra, boa e hospitaleira, que não necessita de mentores espirituais de tão baixo quilate. 
Que cante Paraíso seu Hino da Ressurreição! Que se alegre seu povo! Que a sua gente continue, para sempre, a fechar os ouvidos aos maus e aos papagaios de esquina! Deixem que eles gritem! Que eles se cansem de gritar! Que nos queiram diminuir! Não nos importaremos porque estão no seu papel! Os brutos escondem seus atos, como os criminosos os seus crimes. Baixos adjetivos, pragas, maldições, despeito, inveja não nos atingirão, porque sabemos de onde partem e achamos razão nas palavras do sábio: A boca só dá aquilo de que o coração está cheio.”