KINDRED

Clube Leia Mulheres irá debater "Kindred", de Octavia Butler, a grande Dama da ficção científica

Por: João Oliveira | Categoria: Cultura | 19-08-2019 10:05 | 649
Autora de Kindred, a autora levou mais de 40 anos para ser traduzida para o português e chegou ao Brasil pela editora Morro Branco
Autora de Kindred, a autora levou mais de 40 anos para ser traduzida para o português e chegou ao Brasil pela editora Morro Branco Foto de Reprodução

O clube de leitura "Leia Mulheres" de São Sebastião do Paraíso irá discutir em sua próxima reunião, no dia 14 de setembro, o livro Kindred - Laços de Sangue, da escritora negra estadunidense Octavia Butler. A obra, que narra a viagem no tempo de Dana a Maryland (EUA), mais precisamente a 1815, no período de pré-Guerra Civil, tem como foco a discussão de temas importantes como os direitos da pessoas negra, racismo, escravidão e misoginia.

O Leia Mulheres é um clube que busca promover obras literárias escritas por mulheres e é aberto a todos que tenham interesse e queiram participar. Fundado pela psicóloga Sarah Lara Naves e pela professora Alline Duarte Rufo, o clube teve sua primeira reunião oficial no início de agosto e discutiu a obra "João Miguel" da escritora nordestina Rachel de Queiroz.

João Miguel, publicado em 1932, é o segundo livro da autora onde ela recria a vida de uma prisão numa pequena cidade do interior do nordeste, com forte crítica às injustiças sociais. Conforme ressalta a psicóloga Sarah Lara Naves, elas ficaram muito felizes com o resultado e com as pessoas que participaram do encontro. "Foram pessoas de diversas áreas, o que contribui para as discussões do livro. Cada um trouxe sua visão da obra e foi um diálogo muito produtivo e muito enriquecedor para todos nós", conta.

Segundo a psicóloga, foram abordadas diversas questões, desde o sentimento pela leitura da obra até questões políticas presentes no livro e que ainda são atuais. "Apesar da obra ser de 1932, identificamos nela bastante questões atuais e tivemos discussões em cima disso também. Foi gratificante esse encontro e nos motivou ainda mais para continuar com esse projeto em São Sebastião do Paraíso. Inclusive, aproveitamos para convidar a todos para o próximo encontro, em 14 de setembro, às 15h no Espaço Ser e Tempo, à rua Dr. Pedro Bueno Jr., 515 - sala 9", finaliza.

A professora Ana Carolina Bonacini foi uma das pessoas que compareceram ao encontro e elogiou bastante a iniciativa. "O clube de leitura "Leia Mulheres foi uma grata surpresa. Em tempos tão obscuros, temos a oportunidade de ter contato com a literatura e aliviar as dores e resgatar a esperança de que dias melhores virão.

Nossa troca foi muito produtiva. Levantamos vários pontos sobre a obra da grande Rachel de Queiroz e como as situações daquele tempo, época em que se passa a história, ainda estão presentes nos dias de hoje. Acredito que esse projeto seja um movimento político e social que reforça a igualdade e a importância do trabalho da mulher dentro da sociedade", completou.

OCTAVIA E. BUTLER

Octavia E. Butler nasceu em Pasadena na Califórnia (EUA) em 22 de julho de 1945. Filha de um engraxate e uma empregada doméstica, tornou um dos grandes nomes da ficção científica e trouxe à literatura questões importantes como o feminismo negro, racismo e misoginia. De acordo com biografias sobre a autora, aos 12 anos ela assistiu ao filme "A Garota Diabólica de Marte", que de tão ruim mudou completamente sua vida e motivou escrever histórias melhores.

Octavia, até chegar ao status de "Grande Dama da Ficção Científica", precisou lutar contra a pobreza, a dislexia e o racismo para receber um diploma universitário e foi a primeira mulher negra norte-americana a conquistar o sucesso em uma área da literatura dominada por homens: a ficção científica.

Ao longo de sua carreira, foi laureada com o MacArthur Fellowship, Hugo, Nebula e Locus Awards, além de ser indicada mais de 20 vezes à prêmios. A autora representava em seus livros heroínas negras e explorava temas como raça, empoderamento feminino, divisão de classe, sexualidade e escravidão. Em 2010, quatro anos após sua morte, foi inserida no Hall da Fama da Ficção Científica, em Seattle.

 

KINDRED – LAÇOS DE SANGUE

O Kindred narrara a história de Dana, que enquanto estava com seu marido em meio a uma mudança para um novo apartamento, começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo que conhece desaparece aos seus olhos e torna-se um lugar completamente estranho.

Dana, repentinamente, se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio e se depara com uma criança que está se afogando e corre ao seu encontro para salvá-la. Assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Após isso, o mundo de desfaz novamente aos seus olhos e ela volta ao apartamento, completamente encharcada e confusa.

Apavorada e sem saber o que aconteceu, o que para ela pareceu minutos, na verdade aconteceu com um piscar de olhos. Então a história se repete novamente e ela se vê perdida no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil, um lugar perigoso para uma mulher negra. Em um período em que a escravidão ainda era uma prática comum nos Estados Unidos, ela sabe que corre risco vida, e então começa a sua luta para entender o que está acontecendo.