ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 25-09-2019 07:31 | 70
Foto de Reprodução

Cortes do MEC
Reúna um grupo de alunos do ensino médio, de escolas públicas e particulares, e lhes pergunte qual é o nome da capital da Finlândia, ou a raiz quadrada de 16, ou o nome do presidente brasileiro que foi chamado de “o pai dos pobres” em nossa recente história, ou o nome do único país da América Latina que foi monarquia… Você vai observar que 70% dos alunos não vai saber responder, sejam eles de escolas públicas ou privadas, filhos da periferia ou de pais abastados, brancos ou negros. A ignorância brasileira se encontra disseminada. Não é um surto, é uma epidemia que começa nos professores. Precisamos voltar e nos preocuparmos em educar professores e pais – alunos vão ter que ficar pra depois. Eu falo com experiência de causa: ministro palestras para crianças e adolescentes do Brasil inteiro e sei as quantas anda a aprendizagem deles. Um aluno do ensino fundamental japonês dá um banho em um vestibulando brasileiro, a hora que quiser, na disciplina que for. Por isso, os cortes do orçamento, os contingenciamentos para a educação. Não é falta de dinheiro. É para depurar o setor. É para separar os homens dos meninos, os professores vocacionados e capazes daqueles outros que fingem que dão aula. Pra separar estudantes interessados em aprender de militantes que vão para o ambiente acadêmico aprender a soltar coquetel Molotov e organizar boicotes a professores e invasões de reitorias. O susto precisava acontecer e precisava de um presidente “peitudo” pra fazê-lo. Os cortes, em longo prazo, vão estancar a burrice nacional.

Brumadinho após a Lama
Eu disse aqui, pouco tempo depois da tragédia de Brumadinho: era criminosa, culpas apuradas e delinquentes punidos, não importasse seu galardão, a próxima tarefa deveria ser parar de demonizar a mineração do Estado. Minas Gerais sem a exploração mineral vira um Piauí. Técnicas de manejo ambiental devem ser modernizadas, barragens devem ser reconstruídas e outras formas de exploração de nosso solo, menos destrutivas e menos homicidas, devem ser incentivadas e iniciadas. Viver com medo no meio de montanhas de minério é que não dá. Relegar Mariana e Brumadinho a um cemitério a céu aberto repleto de urubus com e sem asas, lamentando a tragédia que passou e fazendo protestos diários, só vai contribuir para aumentar o índice de suicídios por aquelas bandas, o que, aliás, já está acontecendo. Criar monumentos para as tragédias, fomentadas ou não pelas mãos humanas, só tem razão de ser quando nos faz aprender com a História rememorada, como no museu que há em Auschwitz, na Alemanha, e que congela no tempo os campos de concentração nazista. E o que há para recordar e aprender com Brumadinho é que o progresso deve sempre coexistir com a qualidade de vida e a felicidade humana. Sem isso, não é progresso, é exploração predatória. Explorar é preciso, é economicamente imprescindível, mas com preocupação constante não só ecológica, mas humanitária.

O Nióbio e Minas Gerais
Vai muito mal quem pretende tornar vilões os empresários mineradores, por explorarem nossas riquezas pagando poucos tributos – essa é a gênese e a razão de ser do capitalismo. Sem a “mais valia”, nenhum empreendimento privado iria adiante.  A questão ambiental se resolve com tecnologia e os impostos podem ser facilmente remanejados através de leis. O caso do Nióbio, explorado em Araxá pela CBMM – Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia, é emblemático em ambos os casos. É das raras empresas do setor que explora sem poluir. Conheço seu funcionamento: cumpre todos os protocolos de segurança brasileiros e mundiais, existentes ou ainda por serem criados. Nisso, é empresa modelo. O Nióbio é uma liga do aço estratégica para a economia e a segurança do mundo e a CBMM detém o quase integral monopólio de sua exploração por uma contingência comercial: descobriu e explorou o manancial primeiro. O Brasil agradece, mas quer mais. Minas Gerais, sobretudo, precisa de mais dinheiro do Nióbio. Nada que não se resolva com leis e impostos novos, como já dito, mas não nos podemos esquecer que o Nióbio debaixo da terra não nos vale de nada e a tecnologia para sua exploração econômica foi criada pela CBMM. Não é só uma riqueza natural, é fruto da genialidade humana, o Nióbio comercial é protegido por patentes internacionais. Não podemos nos tornar uma Bolívia da vida e simplesmente estatizar sua exploração. A Bolívia fez isso com o gás natural e continua na merda, com o perdão da má palavra. E também não podemos nos esquecer da lição do filósofo Mário Sérgio Cortella: vaca não dá leite. Nós é que temos que tirar o leite da vaca. Querem um exemplo? Lembram-se do Pré-sal do Lula? Cadê seu progresso e seu lucro retumbantes? Riquezas naturais, sozinhas, só incentivam a corrupção e o populismo e não desenvolvem a economia. Quem deve explorar, com a mínima interferência estatal, é a iniciativa privada. Servidor público não é capacitado para inovações tecnológicas, mas para fiscalizações burocráticas.
RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor