ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 02-10-2019 10:48 | 36
Foto de Reprodução

Bolsonaro e a ONU
O presidente disse na ONU o que muitos queriam ouvir e adoraram, e o que outros tantos detestaram. Este segundo grupo, é claro, ansiava por um discurso suave e conciliador, mas não é isso o que se deve esperar de um governante questionado em sua competência, ameaçado na proteção de nossa soberania amazônica, como fizeram com Bolsonaro e com o Brasil no último mês. Muito bom que ele tenha dado seu recado ao francesinho arrogante Macron e à toda poderosa alemã Angela Merckel. O presidente francês apenas prossegue na tendência ofensiva de seu pré-histórico antecessor, Charles de Gaule, que na década de 1960 afirmou que não éramos um país sério. Somos tão sérios que não levamos desaforo pra casa, muito menos de um presidente que não consegue por em ordem seu próprio país. Se Macron quer nos ajudar com a Amazônia, que primeiro cuide da Catedral de Notre Damme, que deixou consumir em chamas. Por lá também havia ajuda internacional de restauro e conservação. Quanto à Angela Merckel, com todo o respeito que nutro aos alemães, um governo que matou seis milhões de judeus tem que passar no mínimo os próximos dois séculos calado, sem criticar outros países. No mínimo duzentos anos – e olhem que eles ainda nos ganharam de sete a um na Copa, hein?

Gilmar e a Lava Jato
O Ministro Gilmar Mendes criou um neologismo: “lavajatistas”, para ele os defensores da Operação Lava Jato, que considera o “Ovo da Serpente”, porque vai de encontro ao pacto democrático e dá poderes inigualáveis a agentes políticos que deveriam, como todos nós, respeitar as limitações legais e constitucionais das atribuições de cada uma das autoridades envolvidas nos processos da Operação Lava Jato: Sérgio Moro, Deltan, etc… Defender Gilmar Mendes, eu bem sei, é atiçar arrivistas irados dos dois lados das ideologias brasileiras cada vez mais polarizadas. Mas, se a Lava Jato não é o “Ovo da Serpente”, é uma “Caça as Bruxas” que já deu o que tinha que dar: não existem inquéritos sem fim, ações penais sem fim, o que solavanca e atropela a segurança jurídica das instituições e – literalmente – para (como parou) o Brasil. Não vou dizer que a turma de juízes e procuradores de Curitiba tenham ferido a lei. De coração, gente, não vi nenhum crime perpetrado por eles nos áudios ilegais receptados por um jornalista gringo que saiu corrido dos Estados Unidos de Trump. Vi alguma falta de ética, alguma lambança institucional e, sobretudo, muita vaidade. Sérgio Moro é o menos culpado, muito embora o mais visado. Mas Gilmar Mendes está certo em um ponto: o limão tem que virar limonada. Dessa trapalhada que já passou de hora de acabar temos que tirar a lição de que, por mais torpe que seja o criminoso, alguns princípios democráticos e processuais basilares, básicos, algumas garantias constitucionais inerentes ao próprio Estado de Direito, tem que ser respeitados, devem ser respeitados sempre, não importa que seja Judas o sujeito sentado no banco dos réus.

Chico Buarque censurado de novo?
O filme “Chico, um Brasileiro”, de Miguel Faria Júnior, teve sua exibição no Festival Internacional de Cinema do Uruguai inicialmente vetada pelo Itamaraty. Pelas regras do festival, o governo de origem detém a prerrogativa de indicar ou não os filmes que entenda representativos do país para exibição no evento. A omissão da indicação do filme sobre um dos nossos maiores artistas de todos os tempos não se trata necessariamente de censura ou retaliação política. Mesmo assim, o Itamaraty voltou atrás tão logo questionado e “permitiu” a exibição do filme, e em horário de destaque. Acho que o governo brasileiro não deveria perder tempo com o Chico Buarque político, não vale a pena. Se o fez, abraçou mais uma polêmica desnecessária. Já o Chico artista, independente de suas propensões ideológicas, é um compositor magistral, um letrista soberbo, dos maiores da nossa música.

Hamilton Mourão e o Caso Agatha.
Digo e repito que o nosso vice presidente, o General Hamilton Mourão, é até agora o melhor homem da República neste conflituoso governo Bolsonaro. Surpreende não só a mim, mas a todos, com sua picardia, sua agilidade verbal e diplomacia, sua verve política até então desconhecida do grande público. Mourão exerce ainda um outro papel formidável: blinda Bolsonaro de insinuações precoces quanto ao seu impeachment, algo que a esquerda ensaia, murmura, mas não põe no papel, porque sabe que afastado o presidente, seu vice é ainda mais “puro sangue”, mais à direita e mais conservador – e sem as incontinências verbais mal interpretadas que jogam o atual governo contra uma mídia órfã da complacência socialista. Novamente, Mourão brilha no caso Agatha: ele acha (e eu concordo) que é lamentável a morte da jovem, mas nada que denigra a irrepreensível política de segurança pública do governador do Rio, Wilson Witzel, que diminuiu a violência em quase 30% em nove meses no poder. Seu estado agora tem ordem e os corruptos que o comandaram por tantos anos estão todos cumprindo pena. O Rio de Janeiro voltou a funcionar, e tem muita ONG, muita associação, muita grande rede de entretenimento e jornalismo, de fora desta festa, com contas a pagar e sem o dinheiro do estado para cobrir seus rombos. Vão ter que trabalhar mais e falar menos. Como o Governador Witzel, como Hamilton Mourão, fazem.

O dito pelo não dito.
O tipo mais desprezível que existe é aquele que esconde a própria sujeira por trás de
versículos da Bíblia”. (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor brasileiro).
RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor.