LINGUA SOLTA

Aos mestres, com carinho!

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. (Cora Coralina)
Por: Michelle Aparecida Pereira Lopes | Categoria: Educação | 19-10-2019 09:46 | 377
Michelle Aparecida Pereira Lopes
Michelle Aparecida Pereira Lopes Foto de Reprodução

 

No último dia quinze de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Para comemorá-lo, já que também sou professora, escrevi o texto de hoje. Começo contando um pouquinho da história de como surgiu a comemoração dessa data.

A origem do Dia dos Professores está relacionada à criação do Ensino Elementar, no Brasil, por D. Pedro I, em quinze de outubro de 1827. O decreto assinado pelo imperador não só instituiu as Escolas de Primeiras Letras, nas diversas cidades brasileiras, como também regulamentou os conteúdos a serem ministrados nas disciplinas e, ainda, as condições trabalhistas dos professores.

Entretanto, as comemorações do quinze de outubro como Dia dos Professores só começaram bastante tempo depois. Em 1947, um grupo de professores paulistas idealizou criar, em quinze de outubro, um dia de confraternização no qual pudessem homenagear os colegas professores.

A confraternização tornou-se uma prática anual, até que em 1963, o presidente João Goulart oficializou a data do dia quinze como Dia dos Professores, ao assinar o decreto federal nº 52.682, que diz, em seu art.3º “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias.”

Pois é! Há um decreto que estabelece uma comemoração digna para o Dia dos Professores e isso significa, entre outras coisas, que, de fato, houve um tempo em que essa profissão foi bastante valorizada! Calma, não farei deste texto um muro de lamentações, afinal tornar-se professor é sim uma escolha; não é, como muitos acreditam, a profissão que resta aos que não conseguiram se tornar outra coisa.

Todos nós, ao longo da vida, somos um pouco professores: sempre podemos ensinar algo a alguém, seja aos filhos, aos sobrinhos, aos amigos. Todos nós podemos ajudar alguém a aprender algo que não sabe e isso é, sem dúvida, gratificante. Mas estamos falando de uma escolha profissional que demanda muito estudo e dedicação, tal qual outra qualquer, por isso mesmo, merece tanto respeito e valorização quanto as demais.

Eu poderia repetir aqui todos os clichês que sempre ouvimos quando se comemora o Dia dos Professores, dentre os quais o que busca o reconhecimento desses profissionais dizendo que são os que formam todas as demais profissões. Não há dúvidas de que isso seja verdade, pois em qualquer graduação, os professores estão lá, formando todos os outros profissionais.

Porém, para homenagear meus colegas de profissão, prefiro pedir que façamos um exercício de reflexão: lembremo-nos de nossos professores e de tudo que hoje podemos nos orgulhar de fazer porque tivemos, lá atrás, alguém que esteve disposto a nos ensinar. Para comemorar condignamente essa data, cabe, ainda, refletirmos sobre o que a nossa sociedade tem dito sobre os professores, sobre como a gestão pública e a particular vem tratando esses profissionais. Também é bom ponderarmos acerca do modo como os próprios alunos têm tratado seus professores, em todos os níveis de ensino.

Homenagear os professores precisa ir além de publicar mensagens nas redes sociais, entregar uma lembrancinha ou escrever um bilhete. Obviamente, tudo isso traz felicidade ao professor, só que mais importante que isso é reconhecer o valor profissional dos professores, diariamente! Começar por uma conduta respeitosa já ajudaria muito!

A todos aqueles com os quais convivi e convivo todos os dias, aos que foram meus professores, da pré-escola à universidade, a todos os mestres, meu carinho!

Quer enviar um comentário ou sugerir algum assunto? Envie-nos um e-mail para linguasolta9@gmail.com.

MICHELLE APARECIDA PEREIRA LOPES: Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos e pesquisadora da constituição discursiva do corpo feminino ao longo da história. É docente e coordenadora do curso de Letras da Universidade do Estado de Minas Gerais - Unidade de Passos.