CAFEICULTURA

Lançada linha de crédito emergencial para cafeicultura

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Agricultura | 23-10-2019 16:43 | 344
Foto de J.C. Junot

O Governo Federal autorizou o alongamento de dividas de custeio e investimento dos produtores rurais. Nesta terça-feira 22, foi lançada pelo Banco do Brasil a medida emergencial para a prorrogação das dívidas dos cafeicultores. Conforme anunciado os produtores terão até 12 anos de alongamento das dívidas, com 36 meses de carência e juros de 8% ao ano.

O anúncio ocorreu durante reunião ocorrida na sede da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg). O programa foi apresentado pelo diretor de Agronegócios do BB, Marco Túlio Moraes da Costa, com a presença do governador Romeu Zema, da secretária de Estado de Agricultura, Ana Valentini, parlamentares e produtores.

De acordo com Costa, que é diretor de Agronegócios do BB trata-se de uma medida emergencial voltada especialmente para o cafeicultor. "Prolonga o prazo para o pagamento em até 5 anos, com primeira parcela apenas em 2021, mantendo as mesmas condições, garantias e taxas de juros inicialmente contratadas. Tudo com muita praticidade; bastando ao produtor procurar sua agência do BB e assinar o pedido de prorrogação".

Reivindicação do setor produtivo, a nova linha possibilitará a prorrogação e a renegociação com condições favoráveis aos produtores de café. O setor, responsável por uma contribuição média de R$ 26 bilhões anuais ao PIB brasileiro, atravessa momento de crise, com preços inferiores do esperado para ano de baixa produção.

De acordo com o governador Romeu Zema é importante apoiar um dos mais importantes segmentos produtivos do estado. "O agronegócio é importantíssimo para o estado, e a cadeia do café está passando por um momento muito difícil. O Governo de Minas está ao lado dos cafeicultores, empenhando todo o esforço para apoiá-los".

Para o deputado Emidinho Madeira, presidente da Frente Parlamentar da Cafeicultura esta é uma data especial. "É importante para nós cafeicultores porque conseguimos vencer este desafio que era a prorrogação das dívidas do setor", disse.

O deputado frisou que este ano foi de muitas dificuldades para o setor que enfrentou problemas com qualidade na produção, fatores climáticos como a geada e desvalorização do preço do produto. "Havia um acúmulo de dívidas de anos anteriores.

Segundo a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini, neste ano, além dos preços baixos, os produtores tiveram quebra na produção em quantidade e na qualidade do café. "A medida não resolve totalmente o problema, mas traz um prazo para que o produtor possa pagar suas dívidas e ter novo fôlego. Vamos continuar trabalhando com políticas públicas para ajudar nossos cafeicultores, investindo em assistência técnica para que ele possa ter melhor produtividade e gestão de sua propriedade".

O deputado Antonio Carlos Arantes participou do evento. Ele considerou positivas as propostas. "O Banco do Brasil concedeu duas oportunidades de negociação. Os produtores ganharão fôlego, mas ainda não é o ideal. No caso dos cafeicultores, o melhor mesmo seria aumentar o preço do produto no mercado. Os preços praticados são incompatíveis com os custos de produção", destacou.

Para Roberto Simões, presidente do Sistema FAEMG, a medida emergencial aprovada dará ao cafeicultor condições de reorganizar seus negócios, colher sua safra e seguir na atividade. "Essa linha é resultado de uma reinvindicação que nós, do Sistema FAEMG, fizemos em Brasília, juntamente com o governador e os deputados da Frente Parlamentar do Café", destaca. Ele enfatizou que o Banco do Brasil deu resposta rápida, permitindo que o cafeicultor, com dificuldade no fluxo de caixa, tenha duas oportunidades. "Teremos um programa de prorrogação de 5 anos e uma outra linha, voltada aos produtores em dificuldades extremas, de renegociação, com prolongamento em até 12 anos. ".

De acordo com as orientações do Banco do Brasil, produtores com parcelas vencidas ou a vencer até 30/06/2020 podem pleitear a prorrogação do prazo. "O processo é simples e basta o cliente preencher o pedido de prorrogação, cujo modelo já está disponível nas agências. Não é necessário laudo técnico e nem elaboração de projeto, garante o diretor. A outra modalidade disponibilizada pelo BB é a renegociação da dívida. Ao escolher esta opção, o produtor fica impedido de operar com o banco até que sejam pagos 50% do capital negociado. O prazo para pagamento pode chegar a até 12 anos, incluídos os três anos de carência, e de acordo com a capacidade de pagamento. "Nossa orientação é para que o produtor opte pela prorrogação, porque é fundamental que ele continue tendo crédito no banco para continuar na atividade", explica o diretor de Agronegócios.

Café em Minas
Conforme levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra mineira de café deve ser de 24,5 milhões de sacas. Com pouco mais da metade da produção nacional, Minas Gerais tem cerca de 150 mil cafeicultores, a maioria deles agricultores familiares que utilizam o sistema de produção manual, de maior custo em razão da necessidade de mão de obra.

Dos 463 municípios mineiros com exploração econômica do café (55% do estado), grande parte tem na atividade sua quase exclusiva produção agrícola, o que resulta em municípios com elevada dependência do produto para a dinâmica da economia local e regional. Principal produto de exportação do agronegócio mineiro, no ano passado, o café foi exportado para 87 países, gerando divisas no valor de R$ 3,23 bilhões.