POLEPOSITION

Força dominante

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 26-10-2019 10:16 | 719
Mercedes comemora sexto título Mundial de Construtores conquistado no Japão
Mercedes comemora sexto título Mundial de Construtores conquistado no Japão Foto de Florent Gooden/DPPI

No Japão a Mercedes venceu a sexta corrida seguida em Suzuka, algo relevante, mas menos expressivo que outro recorde da equipe alemã que impõe seu domínio na Fórmula 1 desde a introdução da chamada Era híbrida, em 2014, quando os motores V8 aspirados deram lugar aos atuais V6 turbo híbrido com tecnologia ultrassofisticada com dois sistemas de recuperação de energia, cinética e calorífica. Foi a Mercedes quem saiu na vanguarda desta complexa tecnologia, e mesmo quando os motores Ferrari começaram a desenvolver mais potência que os alemães, a Mercedes não perdeu sua excelência no conjunto chassi-motor como um todo.

A marca de seis campeonatos consecutivos de construtores tem um valor importante na Fórmula 1 porque a Mercedes iguala o recorde das conquistas obtidas pela Ferrari de 1999 a 2004.

A Ferrari vivia uma seca tremenda e não ganhava um campeonato de construtores desde 1983. O último de pilotos havia sido com Jody Scheckter, em 1979. O time então se estruturou com o que ainda hoje é chamado de “Dream Team” (time dos sonhos), alicerçado no comando com o hoje presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Jean Todt, Ross Brawn como diretor-técnico, Rory Byrne como projetista, e Michael Schumacher como principal piloto. À exceção de Todt, todos foram trazidos da Benetton a partir de 96, o que prova o quanto custa e leva tempo arrumar a casa e fazer tudo funcionar à beira da perfeição na Fórmula 1. 

E numa época que havia menos corridas do que hoje, em média 17 por ano, a Ferrari venceu 63 vezes, contra 22 da McLaren, 10 da Williams, 3 da Jordan, 2 da Renault e 1 da Stewart, num total de 101 GPs. Em 2002 e 2004, anos em que os carros de Maranello se mostraram mais dominantes, foram 15 vitórias em cada temporada.

Voltando aos tempos atuais, a Mercedes se fez forte sob os pilares do chefe de equipe, Toto Wolff, o falecido presidente não executivo, Niki Lauda, Lewis Hamilton como principal piloto, e um departamento técnico da mais alta competência, que mesmo envolto a substituições de peças importantes do grupo de engenheiros e projetistas ao longo destes seis anos, não deixou a peteca cair. Lauda foi quem orquestrou a mudança de Hamilton da McLaren que ainda vivia dias de glória, para uma Mercedes que era incógnita um ano antes de começar a dominar a categoria.

De 2014 para cá, apenas Mercedes, Ferrari e Red Bull ganharam corrida, mas embora houvesse mais corridas em média do que nos anos dourados da Ferrari, o disparate de vitórias da Mercedes assusta: 86 vitórias contra apenas 17 da Ferrari e 14 da Red Bull, num total de 117 GPs.

De notar que de 99 a 2004 havia seis equipes diferentes com potencial de vitória, enquanto nos últimos esse o número foi reduzido a três, sem contar que McLaren e Williams viviam no auge, enquanto hoje, a primeira dá sinais esperançosos de progresso, e a segunda, cada vez mais atolada ao fundo do poço e sem perspectiva de sair da lanterna.

Amanhã, Lewis Hamilton pode carimbar no México o seu sexto título Mundial de Pilotos. Para tanto, precisa somar 14 pontos a mais que o companheiro de equipe, Valtteri Bottas. Matematicamente, apenas os dois lutam pelo campeonato, mas a vantagem de Hamilton é grande, 64 pontos, e apenas uma zebra tira o hexa das mãos de Hamilton.

Este será o primeiro de quatro match point para Hamilton. Foi no mesmo Circuito Hermanos Rodriguez, onde neste domingo acontece o 20º GP do México, que no ano passado o próprio Hamilton saiu pentacampeão Mundial sem precisar fazer muito esforço, ao terminar em 4º.