198 ANOS DE PARAÍSO

O PATRIMÔNIO DE SÃO SEBASTIÃO E seus limites descritos em termos atuais

Por: Redação | Categoria: Cidades | 31-10-2019 10:49 | 490
Foto de Reprodução quadro

Desejando esclarecer em termos atuais os limites do "patrimônio" (terreno rural) que a benemérita família Antunes Maciel doou a São Sebastião no dia 25 de outubro de 1821, para nele ser construída uma capela comunitária, que serviria também de ponto de convergência social: famílias de fazendeiros e sitiantes, empregados, escravos africanos e demais moradores da vizinhança, tanto daquela época como das futuras gerações, pedi licença e pesquisei exaustivamente os arquivos paroquiais de Jacuí, Pouso Alegre, Campanha e da igreja mátria local, da Câmara Municipal e da Prefeitura de nossa cidade, mas nada foi encontrado, além da descrição constante do Termo de Doação, datado de 25 de outubro de 1821, como segue:

"Termo de Doação: "Dizemos nós abaixo assinados, que somos senhores de uma fazenda no Termo de Jacuhy, onde somos moradores, houvemos por muitos de nossas livres vontades dar em nossas terras o patrimônio para se fazer a Capela de São Sebastião e assinamos ser sobre o lugar onde fazemos divisas com Miguel José, principiando a demarcação na cabeceira do brejo onde fazemos divisa com o sobredito Miguel José, descendo pelo sobredito brejo até à barra, atravessando o rumo direito até chegar ao espigão e voltando por ele acima, sempre pelo espigão até às cabeceiras do córrego e voltando por ele acima, sempre pelo espigão até frontear o princípio da demarcação e fazer o fecho no mesmo lugar e deste meio cedemos todo o âmbito que foi avaliado pelo Capitão Antonio Soares Coelho, o Alferes Manuel Caetano do Nascimento, Antonio Joaquim Marques, em preço de cem mil réis e para firmeza e inteira validade desta, feita sem constrangimento algum, passamos este papel que fica na mão e poder do Alferes Manuel Caetano do Nascimento, a quem elegemos para ser o procurador da obras de São Sebastião ..."

Assim, tendo em mente declaração verbal de antigos moradores de Paraíso, homens do mais elevado conceito social, disseram-me eles que os limites do "patrimônio" em termos atuais, são esses: "Começa na cabeceira do antigo córrego Lava-Pés, atualmente bueiro de águas pluviais sob a rua Dr. Placidino Brigagão, situado entre as casas úmeros 489 e 531, segue pelas sucessivas galeriais pluviais que passam sob as ruas Pimenta de Pádua, Pinto Ribeiro, Tiradentes, Deputando Campos do Amaral, Capitão José Aureliano, Av. Mário Giacchero e chega até à Av. Deputado Delson Scarano; deflete à direita e segue pelo rego d"água oriundo da "Mina do Juca Proença" que se encontra canalizada e subterrânea, ao lado da rua Geraldo Marco-lini, quase esquina com a rua Alfredo Fidelis Marques; segue em linha reta passando pelo Loteamento Santa Tereza (Luiz Tonin) até encontrar a Av. Monsenhor Mancini. Segue por esta avenida em rumo reto até a rua dos Antunes, altura do número 1799; segue por esta rua até chegar ao número 603; daí, deflete à direita até chegar ao sobredito bueiro de águas pluviais existente sob a rua Dr. Placidino Brigagão, ponto inicia desta descrição".

Tal esclarecimento se faz oportuno a bem da história municipal, baseado como dissemos, em depoimento de homens de bem de Paraíso antigo, nascidos no século XIX, e que por sua vez os receberam de seus respectivos pais.

Salve São Sebastião do Paraíso, pelos seus 198 anos de fundação.

Luiz Ferreira Calafiori - Professor, advogado, historiador, escritor, membro da Academia Paraisense de Cultura