198 ANOS PARAÍSO

Sapato na veneziana

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Cidades | 03-11-2019 21:03 | 185
Foto de Reprodução

Há mais de meio século conheci o amigo, irmão de Academia Paraisense de Cultura, Guelfo Colombo Neto. Figura humana da melhor estirpe, músico de uma sensibilidade excepcional, professor de algumas gerações de violonistas em Paraíso.

O conheci quando trabalhávamos em uma fábrica de calçados instalada na rua Tiradentes, onde anteriormente foi indústria de móveis, cujos proprietários eram da família Mecchi. Soube que Guelfo tocava violão e comentei com ele que eu, sem ao menos saber fazer o dó maior, até hoje não sei, havia comprado uma guitarra Super Sonic da Giannini. Acidente de percurso, pois a comprei no Mappin, em São Paulo para o primeiro “conjunto musical” que participei como baterista.

Acabou o conjunto em pouco tempo, sobrando-me o carnê a ser pago, e o instrumento, que um dia levei o Guelfo para conhecer. A amplificação do som era feita ligando o plug na eletrola montada pelo Juca Mafra. E os olhos do meu amigo brilharam.

Pouco tempo depois iniciamos uma caminhada musical no grupo Os Regentes, juntamente com Oberlaender Marinzeck (guitarra) Ricardo (baixista) e Manoel Luiz, saxofone. De lá para cá, integramos os Brasões, o Grupo Xamego, tocamos em festivais, em muitas serenatas, e, há mais de sete anos integramos o Paraíso em Seresta.

Nos finais de semana em que não estávamos trabalhando, costumávamos ir aos bailes na Liga Operária apreciar bandas que se apresentavam. Na Liga todo sábado tinha baile. Ou, ficávamos na esquina da saudosa Real Móveis, ouvindo orquestras e conjuntos no Clube Paraisense. Não éramos sócios. E, não raras vezes, os generosos porteiros Francisco Lizarelli (Chico Piranha) e Nhô nos convidavam para entrar.

Certa feita ocorreu fato hilariante. A agência do Banco Itaú era ao lado do Clube, e a residência do gerente, no andar superior do prédio. Da esquina da Real presenciamos quando numa madrugada de domingo o gerente chegou, aparentando estar com umas “cangibrinas” na cabeça. Sem as chaves de casa, insistiu na campainha, mas a porta somente lhe foi aberta depois dele jogar pelo menos meia dúzia de vezes, seu sapato na veneziana.

por Nelson Duarte

Jornal A Semente da APC