PARAÍSO 198 ANOS

A caminho do Bicentenário

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Cidades | 02-11-2019 14:00 | 115
Foto de Roberto Nogueira

Definitivamente São Sebastião do Paraíso caminha a passos largos para completar o seu bicentenário. Em um exercício de futurismo fico eu aqui a imaginar o que nos espera nestes próximos dois anos de preparativos para a grande data. Comparativamente tenho apenas um quarto de vida do que a cidade e confesso que vi muitas transformações acontecerem. Com a imaginação fervilhando penso sobre o que nos espera para esta data em 2021, mas acredito que o ano todo deveria ser marcado por intensas festividades, comemorações, lembranças, atualizações e projeções.

Com a velocidade com que o mundo se transforma diariamente, a volúpia dos acontecimentos deve ser mesmo algo bem dinâmico, já que a velocidade do mundo de hoje já nos dá ideia do que deve estar por vir. É querer muito pensar no Paraíso de daqui a 100 anos quando de seu tri centenário, inimaginário olhar para o futuro e vislumbrar a cidade, como fazemos olhamos para traz e nos encontramos no século passado que ficou bem ali atrás. As fotografias, os livros e as histórias da época vividas pelos nossos antepassados e recontadas por nossos avós e nossos pais ainda parecem recentes, e nos refrescam uma memória inexistente. Elas nos dão uma noção de uma época bucólica, onde a comunidade trabalhava para construir muitos dos caminhos pelos quais percorremos hoje em dia, numa espécie de ligação da Paraíso do passado, com o presente e alguns dos caminhos que nos levará ao por vir.

Estamos chegando aos 200 anos de história e a marca da tradição que trazemos é de uma cidade hospitaleira que aqui acolhe seus filhos nativos e também abriga a tantos outros que adotaram a Paraíso como seu torrão natal. Muitos que vieram de terras distantes, cidades, estados e países, lugares outros, de origens diversas, de costumes diferentes e aqui se instalaram para ajudar a esculpir uma cidade e construir sua existência. Muitos deram a vida, dedicaram o trabalho, a labuta para fazer jus ao nome Paraíso.

Numa breve pesquisa pela grande rede de informação deparei com nomes de algumas cidades que são contemporâneas a São Sebastião do Paraíso. Umas cresceram mais, outras menos e há também aquelas que estão no mesmo patamar. São vários os fatores que levam um lugar a desenvolver mais do que o outro, é como fermento na massa, como se dizia antigamente, de quem tinha um crescimento exagerado, dir-se-ia que tomou chá de bambu. Da mesma forma, outros municípios mais jovens motivados por outros fatores que não a idade, alcançaram grau de desenvolvimento seja populacional, seja em potencial econômico e nos ultrapassaram. De igual maneira também deixamos outros mais velhos para trás.

Como marcar esta história resgatando pessoas, acontecimentos, passagens, fatos e reviver tantas emoções. Certamente que não em uma semana ou um mês seria suficiente para rememorar muito do que ocorreu nestes 200 anos. Interessante seria que se formasse uma comissão para pesquisar os elementos que se destacaram e os enumerassem para serem trabalhados em temas de eventos que resgatasse a história, reverenciasse a memória e se perpetuasse, como forma de gratidão. Eventos como uma peça de teatro, uma exposição de fotos, um curta-metragem, um baile típico, um festival, até mesmo alguns desfiles temáticos certamente seriam eventos que ajudariam a marcar esta história, de maneira brilhante.

A história é feita de pessoas que cravaram para sempre — pelos mais variados motivos — os nomes na memória de uma cidade. Muitos acabaram-se tornando referência de um povo. No entanto, a história de uma sociedade não existe sem o individual inserido no coletivo. A construção do processo histórico vai muito além desses que se tornaram personagens principais do passado. Dessa forma, a memória de um povo se faz fundamental para a construção de sua própria formação, identidade e história. Não foram somente as pessoas, mas os seus feitos, suas construções, obras, objetos, acontecimentos que compõe a memória e fazem parte do patrimônio histórico, material ou imaterial que deve ser reverenciado. Este resgate vai além pois, abrange expressões e tradições culturais, sociais, religiosos, esportivos e de tantos outros segmentos.

Nestes 198 anos que vivamos com intensidade esta alegria de aniversariar. Que venha os 199 anos com mais pujança, coragem e determinação. Que os 200 anos nos alcancem em plenitude, um município vigoroso, desenvolvimentista e que juntos possamos declarar a plenos pulmões e com o coração pulsando forte: parabéns, feliz cidade! Viva Paraíso!