CONCURSO CAFÉ

Paraíso realiza 1º Concurso Municipal de Qualidade do Café

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Agricultura | 09-11-2019 10:48 | 674
Proposta visa incentivar a melhoria da qualidade, agregar valor ao produto e abrir novos mercados ao cafeicultor
Proposta visa incentivar a melhoria da qualidade, agregar valor ao produto e abrir novos mercados ao cafeicultor Foto de Roberto Nogueira

Com o objetivo de incentivar a melhoria da qualidade dos cafés do Município como meio mais eficaz na conquista de novos mercados e agregar valor ao produto para atender a crescente demanda por produtos diferenciados a Prefeitura de São Sebastião do Paraíso está realizando o 1º Concurso Municipal de Qualidade do Café. O certame está dividido em três etapas e encontra-se atualmente na fase de classificação das amostras. O resultado final com a premiação aos vencedores juntamente com a solenidade de encerramento acontecerá no próximo dia 28 no Sindicato dos Produtores Rurais (Sindpar).

O concurso é organizado através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Agropecuário (Sedeagro) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater/MG). A iniciativa prevê a participação somente de cafeicultores no município paraisense. A coordenação é feita através de três comissões distintas que são responsáveis pelos setores de organização, de preparo das amostras e julgamento.

De acordo com o chefe do Departamento de Agricultura da Sedeagro, Marco Aurelio Alves de Paula, desde o início do governo a secretaria tem mantido o foco em incentivar e apoiar o produtor rural. “Temos o Programa de Fomento a Horticultura (PFH) e agora também este concurso destinado a incentivar a atividade do principal produto do nosso município que é o café”, comenta. Ele destaca que vários cafeicultores têm participado de outros certames e até ganhado prêmios fora da cidade. “A intenção é identificar nossos melhores produtores e em conjunto com os armazéns, cooperativas, apurar a qualidade do café de Paraíso”, acrescenta.

Na organização atuam funcionários da Sedeagro, do Sindpar, da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Paraíso (Acissp), Emater/MG, cooperativas e da Câmara de Vereadores. Além de coordenar a realização do concurso atuam na elaboração e distribuição das fichas de inscrições, seleção e credenciamento das amostras que foram repassadas para a comissão julgadora. Também atuam na divulgação, recebimento de amostras e trabalharão na homologação e divulgação dos resultados.

Para Ailton Rocha de Sillos, presidente da Acissp, a realização do concurso é uma iniciativa muito válida para toda a comunidade produtora e a cidade como um todo que depende da atividade cafe-eira. “Isto é muito importante. Está surgindo aqui um arranjo produtivo do pequeno produtor. Por mais que ele faça, o produto dele acaba virando um blend, a pessoa mistura o produto dele, manda para fora e ele não põe preço e fica sem vez”, detalha.

Sillos ressalta que a partir do momento que o cafeicultor começa a agregar valor a seu produto, com qualidade, ele não ficará sujeito a interferências de terceiros. “Estamos fazendo de tudo para ajudar, a por qualidade e melhorar a produção e vender o produto com sua marca. É uma notícia alvissareira esta iniciativa e estamos olhando isso com muito bons olhos”, completa.

O prefeito Walker Américo Oliveira pontua que o evento ajuda a identificar a produção municipal do café de qualidade. “Vai permitir saber como produzimos, onde precisamos melhorar. É uma iniciativa importante para a cidade e os produtores, principalmente na questão econômica, pois, o concurso valoriza o cafeicultor e faz com que seu produto  tenha mais valor na hora da venda. É uma iniciativa da Prefeitura  com intuito de valorizar a quem produz e leva sua produção à mesa de cada cidadão paraisense e da região”, avalia.

Já a equipe que trabalha com a preparação das amostras é composta por classificadores devidamente credenciados. Além de receber as amostras e acondicioná-las nas embalagens, eles também fazem o preparo do material que foi preparado e passaram a ser do tipo Bica Corrida. Para o selecionamento dos finalistas foi realizada a etapa de classificação física e sensorial onde foi obtida a classificação prévia das amostras com padrão mínimo estabelecido pela comissão organizadora.

Os cafeicultores inscritos participam com amostras de café arábica, produzido na safra 2019. Dentro do padrão exigido o produto deve ter umidade entre 11 a 12% sendo armazenado 1 kg do café beneficiado e acondicionados em embalagens padronizadas. O lote mínimo foi de 10 sacas de café beneficiado tipo Bebida Corrida. Todos os finalis-tas terão seu lote armazenado em local previamente indicado pela organização.

“Sabemos que nosso principal produto no município é o café. Por isso pensamos na realização do concurso valorizando os produtores, promovendo a união das empresas, armazéns exportadores e empresas que comercializam o café. Quem sabe um dia possamos criar um selo dos cafés finos para que quem tiver acesso saiba que a origem é São Sebastião do Paraíso, a capital dos cafés finos, esta é a nossa intenção”, disse a secretária municipal de Meio Ambiente, Yara de Lourdes Souza Borges.

No dia de encerramento do concurso quando serão anunciados os melhores cafés será feita premiação aos produtores. Haverá entrega de certificados de participação para todos os inscritos. Já os 20 primeiro colocados receberão laudo de classificação. Também haverá premiação aos cinco primeiros classificados em ordem de qualidade. Os prêmios ainda não foram divulgados.

Comissão julgadora avalia amostras de 75 produtores
A comissão julgadora do 1º Concurso de Qualidade do Café de São Sebastião do Paraíso realizou na sexta-feira,8, a avaliação das 75 amostras dos cafés inscritos no certame. Os trabalhos foram acompanhados por vários membros da equipe de organização, com a presença dos meios de comunicação e convidados. De acordo com João Bernardo Medeiros, presidente da comissão julgadora “a avaliação foi realizada utilizando-se a metodologia americana sendo verificados quesitos como sabor, equilíbrio, corpo e doçura enfim todas as nuances positivas do café”, destaca.

Das 76 inscrições apenas uma foi desclassificada por não atender aos requisitos do regulamento. Os trabalhos de avaliação foram realizados pela comissão julgadora composta por Fernando Neto Pereira, Fernando Moura, Alexandre Silveira Pádua, Aliomar Fernandes Sobrinho, João Bernardo de Medeiros Neto, Júnior Fagundes e Diego Neri, com apoio dos integrantes da Comissão de Preparo das amostras. “Usamos para a avaliação a metodologia SCAA (Curso Avançado de Avaliação de Café) verificando todos os atributos do café”, informa João Medeiros. Todos os membros da comissão julgadora foram convidados pela organização do concurso. “São todas pessoas sérias e idôneas, todos de níveis graduados membros da Associação Americana de Cafés Especiais e trabalhos pela imparcialidade que é o mais importante para nós” explica.

Ele destaca que é feita uma avaliação minuciosa do café desde o pó seco e também após o momento em que o produto é escaldado e apresenta suas virtudes. “Fazemos a torra um dia antes para que ele possa descansar. A moagem é feita no momento da prova e isso influencia muito”, comenta o presidente da comissão de avaliação. Ainda conforme Medeiros o que é necessário para se ter um bom café de qualidade é o equilíbrio. “É o agradável entre corpo, doçura, acidez, é o conjunto total do produto”, detalha. 

Gilson de Souza que é o presidente da Câmara de café de São Sebastião do Paraíso enfatiza que a realização do concurso é de fundamental importância para identificar as essências, sabores e qualidades. “Ele vai nos ajudar a identificar o produtor, a família que muito luta para conquistar esta produção e ao mesmo temo levar isso a nível nacional e quem sabe em um futuro breve à demanda internacional, para estes reconhecimentos dos cafés de notas acima da média que se produz no Brasil”, define.

Gilson destaca que o concurso trará resultados positivos aos produtores, uma vez que o mercado de cafés especiais está em evolução e promete crescer mais.

No entanto, ele frisa ser necessário ter o devido cuidado e um trabalho especial no dia a dia. “Da porteira para dentro é preciso terá atenção e dedicação especial, um trabalho que começa com apoio dos produtores e da sociedade, fazendo que se identifique a família, a propriedade, o município, a região para aquele café que tem suas essências diferentes do que é comum” comenta.

Gilson finaliza dizendo que o mercado recompensa o produtor de maneira financeira e ao mesmo temo na valorização do produto. “É um trabalho que precisa ter sequencia e a Câmara trabalha esta filosofia de sempre estar apoiando a todos para que este setor se torne cada vez mais consistente”, conclui.

Integrantes da comissão julgadora fizeram a degustação e avaliação dos cafés inscritos no concurso