ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 13-11-2019 11:21 | 347
Foto de Reprodução

50 mil homicídios por ano
As polaridades na próxima eleição para a presidência do Uruguai já se definiram: o candidato Daniel Martinez é da esquerda moderada da Frente Ampla do famoso José Mujica (que legalizou a maconha por lá), e o advogado Luís Lacalle Pou, de centro-direita. Ela apresenta algumas peculiaridades interessantes: o candidato de extrema direita deles, considerado por lá o “Bolsonaro uruguaio”, ficou em quarto lugar e não vai nem para o segundo turno. Lá o voto também é obrigatório e acontece de cinco em cinco anos, sempre em eleições gerais, desta vez acopladas a um plebiscito em que se indaga do povo se deve ser criada uma polícia militarizada (lá ainda inexistente) e se penas criminais mais rigorosas, condenando delinquentes perigosos a prisões perpétuas e a trinta anos de cadeia, devem ser criadas para conter o avanço local da criminalidade. Os uruguaios estão apavorados porque no ano passado seu país registrou 414 homicídios! Isso mesmo! 414! Aqui no Brasil, são mais de cinquenta mil ao ano. Ainda que não coloquemos em números absolutos, a diferença é assustadora: lá, mesmo com a “piora” da segurança, são 11 homicídios para cada 100 mil habitantes. Aqui são mais de 40. E nós aqui preocupados com a discussão sobre a prisão em segunda instância... com ela como está, um processo penal demora de quatro a cinco anos – razoável para os padrões lenientes do Brasil. Se voltar a era dos recursos intermináveis e sucessivos, os processos vão demorar quinze, vinte anos, principalmente para os réus ricos, como era antigamente. Parafraseando em parte a Ministra Carmem Lúcia, impunidade não é para se debater, é para se combater.

A Contrainformação
Há uma armadilha marxista mais velha que andar pra trás: é a contrainformação. Existe para ocultar outro fato ou para despistar a apuração de uma notícia e é bastante usada por parte da imprensa norte americana que representa a New Left, a nova esquerda que domina a cultura e a mídia nos Estados Unidos. A história do suposto envolvimento de Bolsonaro no homicídio da vereadora Marielle foi isso, contrainformação. Acabara de ser veiculada bombástica afirmação de Marcos Valério incriminando  Lula como mandante do homicídio de Celso Daniel, o prefeito de Santo André morto em 2002. Notícia tão séria que não bastaram os gritos da turma do PT. Então, era preciso abafar. A grande imprensa partiu para uma acusação paralela envolvendo Bolsonaro e Marielle, uma tentativa que seria inteligente, porque mais recente e que causou mais repulsa social, não fosse tão óbvia: aconteceu pelas mãos da desafeta Globo, cada vez mais escandalosa em sua oposição escancarada e desesperada, só que tudo era  boataria maldosa sem qualquer base probatória segura. Além disso, por que Bolsonaro mataria Marielle? Até sua morte, a vereadora era uma ilustre desconhecida fora do Rio, e Bolsonaro, então, já era Bolsonaro. Não tem sequer lógica. Outro detalhe importante: como a contrainformação não “colou”, agora dizem que o presidente obstrui a justiça porque recuperou as gravações do recado interfônico que conteria sua voz (e não era sua voz). Até juristas falaram que o presidente agiu ilegalmente – balela, contribuíram para mais desinformação. Bolsonaro teria obstruído a justiça se tivesse levado embora a gravação, a perdesse ou destruísse. Ele tirou uma cópia – segundo ele, para que não fosse editada por seus desafetos, que são muitos, em todas as instituições e poderes. 

Inimigos de respeito
George Soros, bilionário investidor americano, se diz contente com os inimigos que tem, mas por outro motivo: seriam todos autocratas e com vocação ditatorial. Ele adora, por exemplo, que Trump não goste dele. Apesar das posições políticas liberais, George Soros é uma figura polêmica: ganhou fortuna com especulação e hoje quer salvar o terceiro mundo. É um exemplo de capitalismo selvagem que tenta ampliar os horizontes do socia-lismo Fabiano, aquele que corrói o stabilishment pelas entranhas, é a quinta coluna da democracia, é o inimigo adormecido que acorda pra te matar dentro de casa fingindo ser seu amigo.  Quanto à provável reeleição de Trump, seus motivos são os mesmos da eleição de Bolsonaro, que já cansei de dizer aqui: o povão, o povão mesmo, é conservador, religioso, moralista, puritano. As esquerdas se esqueceram disso, foram abraçar Ongs, casamentos gays e o mico leão dourado. Levaram tinta, como se diz em Minas, e vão levar mais se continuarem virando às costas para o povão. O impeachment de Trump também não vai funcionar. Pode ser que o desgaste,  mas hoje não há político democrata capaz de vencê-lo em uma eleição justa.  Tampouco adiantam escândalos com antigos casos amorosos dele ou conversas de pé de orelha de Trump com outros chefes de estado. Como afirma Camille Paglia, baluarte do feminismo de raiz e anti Nutella, não teríamos homens se fosse necessário pedir licenças e desculpas para o ritual macho do acasalamento.  Tampouco se pode criticar Trump por… fazer política! Ora bolas, no dia que proibirem políticos de cochicharem, intrigarem nos bastidores, criticarem o adversário e prometerem quimeras em campanhas eleitorais, acaba a democracia, gente! O eleitorado é que tem que separar o joio do trigo, o bom do mau político. O que o partido democrata americano tenta fazer é privar seu eleitor dessa escolha, porque tem medo de mais quatro anos de Trump (republicano) no poder. 
RENATO ZUPO – Magistrado, Escritor.