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Mercado de pilotos travado

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 11-01-2020 22:40 | 1185
Verstappen e Leclerc assinaram contratos de longo prazo com suas equipes
Verstappen e Leclerc assinaram contratos de longo prazo com suas equipes Foto de DPPI

As renovações dos contratos com longa duração que Charles Leclerc assinou com a Ferrari até o final de 2024 pouco antes do natal, e a extensão do compromisso de Max Verstappen com a Red Bull, anunciado nesta semana, até o final de 2023, deram uma travada no mercado de pilotos para os próximos anos, e quem ficou em situação delicada é Sebastian Vettel.

O alemão penou no ano passado com o novo companheiro de equipe, Charles Leclerc, e 2020 será decisivo para os rumos de sua carreira não só na escuderia italiana que ainda não demonstrou interesse em renovação, como também na própria F1.

O contrato de Vettel vence ao final deste ano, e ele mesmo já havia dito que iria esperar os desdobramentos do novo regulamento que estará em vigor em 2021 para decidir se continuará ou não na categoria.

A verdade é que Vettel está num beco sem saída. Os erros que cometeu nos últimos anos, e a pressão que recaiu sobre seus ombros com a chegada de Leclerc, o caminho natural seria deixar a Ferrari ao final da temporada. Mas para onde iria o tetracampeão, caso ainda queira continuar por mais algum tempo nas pistas?

As opções são poucas. Voltar para a Red Bull onde conquistou seus quatro títulos, de 2010 a 2013 seria uma delas, mas com a presença de Verstappen, nem pensar. O mesmo Vettel deixou a equipe austríaca no final de 2014 porque foi superado sistematicamente por Daniel Ricciardo que era seu companheiro de equipe. Leclerc e Verstappen fazem parte de uma nova e promissora geração de pilotos determinados a escrever suas respectivas histórias de sucesso daqui por diante. Já estão escrevendo!

E com as duas peças importantes do quebra-cabeças que agitaria o mercado de pilotos já confirmadas em suas equipes, praticamente assegura Lewis Hamilton por mais algum tempo na Mercedes, a menos que o hexacampeão decida abandonar as pistas. Mas Hamilton tem como meta igualar e superar as marcas de Michael Schumacher, e é provável que enquanto não atingir seus objetivos, permanecerá na competição.

No final da temporada passada circulou rumores de um possível acordo de Hamilton com a Ferrari, que nas palavras do piloto dependeria do que fará o chefe da Mercedes, Toto Wolff. O futuro do dirigente na F1 tem gerado muitas especulações, uma delas de que poderia colocar suas ações na Mercedes a venda dependendo dos rumos que a categoria tomar a partir de 2021. E caso isso aconteça, Hamilton poderia vestir o macacão vermelho. Mas a renovação de Leclerc diz muito neste momento e é sinal evidente de que as conversas com Hamilton não evoluíram, ou que tudo não passou de balão de ensaio.

Assim, a Mercedes que poderia ser opção para Vettel, é mais uma porta fechada porque o alemão não toparia encarar o desafio de correr ao lado de Hamilton. Restaria a McLaren que está em franca evolução, mas a equipe de Working tem dois pilotos jovens e promissores, Carlos Sainz e Lando Norris, e não parece disposta abrir mão de sua dupla; e ainda possa abrir, há rumores de que Daniel Ricciardo poderia bater na porta da McLaren por insatisfação com a Renault. E foi o próprio Ricciardo a razão de Vettel ter trocado a Red Bull pela Ferrari. Ou seja: Vettel terá que se redimir dos erros, fazer um campeonato forte, justificar o alto salário que recebe, e se impor como primeiro piloto, condição que já não se pode dizer que ele (ainda) tem. Só assim conseguirá reconquistar a confiança abalada dos dirigentes da Ferrari para continuar por mais algum tempo na escuderia.

Vale lembrar que a batida entre Vettel e Leclerc, em Interlagos, no GP do Brasil, em que os dois abandonaram a corrida teve um saldo muito negativo para o alemão perante a imprensa italiana e os próprios dirigentes da Ferrari.