POLEPOSITION

Preferidos de 2019

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 19-01-2020 09:21 | 733
GP do Brasil foi o melhor do ano na visão deste colunista
GP do Brasil foi o melhor do ano na visão deste colunista Foto de DPPI / FIA

2019 foi um bom ano para a Fórmula 1 ainda que pese o domínio da Mercedes na primeira metade do campeonato e a reprise de mais um título de Lewis Hamilton, o 6º da carreira. Foi o ano da virada da Honda, dos erros da Ferrari, das vitórias de Verstappen, de Leclerc, e de ótimas corridas como as da Áustria, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália e Brasil.

O site da F1 quis saber dos fãs quais foram os preferidos de 2019 nos quesitos: piloto, corrida, equipe, circuito e momento. As respostas eram objetivas, mas aqui justifico as minhas escolhas:

Piloto: Charles Leclerc. Chegou na Ferrari atropelando Sebastian Vettel, sem tomar conhecimento dos quatro títulos que o companheiro de equipe ostenta. O novo pupilo da F1 cometeu muitos erros, é verdade, mas mostrou ser mentalmente forte e se impôs como um campeão em potencial. Foi o piloto que fez mais poles na temporada (7), venceu dois GPs, e mostrou personalidade ao desafiar ordens de equipe quando era para dar passagem para Vettel, ou cobrando ação da equipe quando era Vettel quem tinha que dar passagem. Não por acaso a Ferrari antecipou a renovação de seu contrato pelos próximos cinco anos às vésperas do natal.

Corrida: GP do Brasil. Não precisou da chuva para fazer da corrida de Interlagos daquelas que por muito tempo ficará marcada na memória de quem estava nas arquibancadas, ou assistiu pela TV. As intervenções do Safety Car tornaram a prova ainda mais eletrizante. Max Verstappen fez a pole e venceu sem antes travar disputas acirradas com Lewis Hamilton. O mesmo Hamilton que protagonizou uma chegada espetacular com Pierre Gasly que ganhou a disputa pela 2ª posição na linha de chegada, foi punido horas depois e perdeu o 3º lugar por um erro raro que cometeu na penúltima volta ao tocar em Alexander Albon. Carlos Sainz Jr que largara da última posição com a McLaren, foi declarado o 3º colocado. As Ferrari se autodestruíram num erro de Vettel ao revidar uma ultrapassagem de Leclerc, que resultou no abandono dos dois. Interlagos deu um tapa na cara com luva de pelica naqueles que insistem (sem fundamento) em levar a F1 para o Rio de Janeiro.

Equipe: Red Bull-Honda. Quem acompanhou a crise de relacionamento entre Red Bull e Renault nos últimos, e o retorno desastroso da Honda à F1 a partir de 2015, jamais poderia imaginar outra coisa senão um ano complicado para a nova parceria Red Bull-Honda. Na melhor das hipóteses eu apostava em um pódio, numa corrida maluca de muita chuva, numa pista em que a potência não contasse muito. Mas os resultados surpreenderam além da conta. Foram três vitórias com Max Verstappen, duas delas em pistas onde a potência do motor conta muito: Áustria e Brasil, das quais Verstappen também fez a pole.   

Circuito: Suzuka. A pista japonesa é uma das poucas em que praticamente (quase) nada mudou desde os anos 80. As áreas de escape são relativamente pequenas para um traçado desafiador, técnico e com curvas velozes. Suzuka não perdoa erros, e se bater, bate forte. É uma pista que separa os homens dos meninos, embora alguns desses meninos também guiam como gente grande por lá. Foi colírio para os olhos ver Charles Leclerc fazer a desafiadora 130R, curva à esquerda a 300 km/h com uma mão no volante, enquanto a outra segurava o retrovisor que estava se soltando. Em tempos de pistas com generosas áreas de escape, como Paul Ricard, que por conta delas proporcionou a corrida mais monótona dos últimos tempos, Suzuka é uma das que nunca pode sair do calendário.

Momento: Protesto de Vettel no Canadá. A cena foi hilária quando Sebastian Vettel foi convencido a cumprir o protocolo do pódio que ele se recusava subir. A história começa com a escapada de pista do alemão nas voltas finais, voltando para o traçado defendendo a posição sobre Hamilton. Os comissários entenderam que Hamilton foi fechado bruscamente e aplicaram 5 segundos de punição no tempo final de prova do alemão. Vettel recebeu a bandeirada em primeiro, mas na prática foi o 2º colocado. A caminho do pódio, Vettel mostrou sua indignação trocando as placas 1 e 2 que estavam colocadas diante dos carros da Mercedes e Ferrari, respectivamente. Na minha opinião (pessoal), foi a cena do ano na Fórmula 1.