ELY VIEITEZ LISBOA

A inexorabilidade de Cronus

Por: Ely VIeitez Lisboa | Categoria: Cultura | 19-01-2020 18:22 | 342
Foto de Reprodução

Desde o início, Eva se preocupou mais que Adão, com a beleza física. A diferença é talvez que ela é réu confesso e ele não gosta de admitir, com medo que isso arranhe sua masculinidade. Como o Gênesis se esqueceu de abordar esse tema?

Há algum tempo, machos corajosos (ou mais lúcidos?) criaram o neologismo metrossexual, junção dos termos "metropolitano" (cidade, metrópole) e sexual: homem urbano que se preocupa em cuidar da aparência. O metrossexual gosta de se vestir bem e de estar na moda. Investe em vestuário e acessórios sofisticados, frequenta cabelereiros, institutos de beleza, cuida da pele, usa cosméticos, bons perfumes, faz manicure, pedicure, depilação.

Apesar de todas essas características, nada afeta sua masculinidade: é um hétero vaidoso em demasia, meio narcisista. O termo foi criado em 2002, em um artigo escrito pelo jornalista inglês Mark Simpson. O metrossexual não é homossexual. É apenas um homem que gosta de sua aparência e cuida em exagero dela. Assim como há mulheres que não se preocupam com a beleza física, há também homens que são o contrário disso.

Na verdade, é difícil para todo ser humano assimilar, aceitar algo novo, diferente e contrário à tradição. Mas há algo em comum a todos: amam a juventude, a aparência bela, a época da pele sedosa, os olhos e cabelos brilhantes, força física e em geral, boa saúde. Por isso sempre surgem "milagres", cosméticos, regimes, tratamentos para manter ao máximo a eterna mocidade. Todavia pode-se apenas atenuar o envelhecimento do corpo, com Academias, usando bons cremes, tendo cuidado com a saúde. Perigoso é envelhecer por dentro... Não há cirurgia plástica para alma.

É uma verdade pétrea: a juventude é uma fase, após vem a idade madura e depois, fatidicamente, a velhice. Difícil é aceitar essa evolução inexorável. Mente-se sobre a idade, pintam-se os cabelos, procuram agir como se fossem jovens, são atraídos (as) por companheiras (os) juvenis. Impressionam também pessoas que não aceitando o presente, voltam-se em exagero para o passado: amam só músicas antigas, vivem a ver e rever fotos de artistas no auge de sua beleza, odeiam os espelhos, ficam pessimistas e amargos.

O que eles se esquecem perigosamente é que o pessimismo é nefasto, propicia doenças, é passaporte para a infelicidade. Já publiquei um texto com o título de O Pessimista: depois de tentar definir tal sentimento perigoso, afirmo: O pessimismo é uma epidemia. Grassa e contamina. É inimigo mortal dos sonhos, do amor, da poesia, da esperança. É negativo, aziago, vivo perigo, uma receita mal feita, um pesadelo de Deus.

Já foi veiculado na Internet, um pps com o título de Deus segundo Spinoza. São conselhos sábios e lúcidos. Censura quem reza em exagero, prega a filosofia do Carpe Diem (aproveitar a vida, o momento), critica os "templos lúgubres", aponta a belezas do Universo e da Natureza como os verdadeiros templos onde nós devemos orar. Exime o homem da culpa de suas fraquezas, abomina o conceito de pecado. O homem assim o é, porque foi ELE que o fez e lhe deu o livre-arbítrio. Condena a ideia absurda do Inferno.

Pede ao homem que O procure nas coisas mais simples, porque ELE é só amor. Não repetir orações decoradas, mas que tente achá-LO no seu interior. Aí encontrará Deus.

São sábios conselhos. Há que segui-los. Quem sabe, finalmente, o Homem poderá encontrar a almejada felicidade.

(*)Ely Vieitez Lisboa é escritora.
E-mail: elyvieitez@uol.com.br